Bloomberg Línea — A tradicional marca brasileira de cosméticos e perfumaria Granado consolidou mais um passo em sua estratégia de internacionalização ao atingir a marca de nove boutiques próprias no exterior.
O movimento ganha tração com duas aberturas consecutivas: a inauguração, nesta terça-feira (22), de sua primeira loja na Espanha, localizada no bairro de Salamanca, uma das regiões mais valorizadas do varejo de luxo em Madri, e a estreia, prevista para o final de setembro, de um endereço no circuito turístico de Charleston, na Carolina do Sul, ampliando a presença da marca nos Estados Unidos.
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Com as duas aberturas, a Granado passa a somar nove boutiques próprias distribuídas entre Europa e Estados Unidos. Por trás da expansão em ritmo acelerado está uma engenharia societária e estratégica. Desde 2016, a gigante espanhola Puig Brands detém uma fatia minoritária de 35% na empresa.
O controle e a gestão, no entanto, permanecem com o empresário Christopher Freeman, que adquiriu a Granado em 1994 e preservou as icônicas fórmulas à base de ativos vegetais.
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A condução da expansão global fica a cargo de sua filha, Sissi Freeman, diretora de marketing que lidera a internacionalização da marca desde 2013.
Em resposta à Bloomberg Línea, a executiva descreveu o critério usado para escolher onde a marca abre lojas próprias. “Nossa estratégia de internacionalização busca entender onde existe uma conexão genuína com a marca e, a partir disso, construir relações de longo prazo com esses mercados”, disse Sissi Freeman, por escrito.
Na sua avaliação, a Espanha é um exemplo claro desse movimento. “Antes de abrir uma loja própria, tivemos a oportunidade de observar a receptividade do público e entender como a Granado poderia ocupar esse espaço de forma relevante.”
Fundada em 1870 no Rio de Janeiro, a companhia foi a farmácia oficial da família imperial brasileira. Além das 101 lojas próprias mantidas no Brasil, a marca opera em mais de 30 países via e-commerce e em 120 pontos de venda multimarcas, incluindo a Liberty London (Reino Unido), a La Samaritaine (França), a Rinascente (Itália) e o El Corte Inglés (Espanha e Portugal).
“Hoje, a presença internacional é um pilar de extrema relevância para a Granado e esse movimento vem ganhando cada vez mais força, com lojas-conceito em Paris, Londres, Portugal e Nova York, além de clientes em mais de 30 países por meio do nosso e-commerce”, diz a executiva.
Critério de expansão
A estratégia comandada por Sissi prioriza construir relações de longo prazo baseadas na resposta orgânica do mercado. A nova boutique em Madri exemplifica esse cuidado. Estabelecida na Calle de Claudio Coello, 60, ela já nasce como a maior unidade internacional da marca, com 151,5 m².
Antes de investir no ponto próprio, a Granado testou a aceitação do público espanhol por meio de espaços temporários na plataforma multimarcas WOW Concept e no El Corte Inglés de Castellana.
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Paralelamente, a construção da marca no exterior aposta em experiências sensoriais que conectam a perfumaria à alta gastronomia, mitigando clichês tropicais.
É o caso de parcerias com a Fruttini Haute Glacerie, em Paris, e com o Café Bilboquet, em Nova York, que apoiaram lançamentos recentes de fragrâncias.
Esse ecossistema de lojas-conceito, já presente em Paris, Londres, Lisboa e Nova York, ganha agora o reforço de Charleston, onde o novo ponto na movimentada 370 King Street se beneficia do fluxo turístico atraído pela arquitetura histórica da cidade.
Para sustentar o portfólio levado ao competitivo mercado internacional, a Granado tem feito aquisições estratégicas também no ambiente doméstico.
Após incorporar a clássica paraense Perfumaria Phebo em 2004, o grupo adquiriu no final de 2024 a marca de maquiagem e skincare orgânico Care Natural Beauty.
As duas operações reforçam, segunda a companhia, o portfólio que a marca leva para fora do país, com produtos que remetem à biodiversidade brasileira como diferencial competitivo diante de perfumarias europeias já estabelecidas nesses mercados.
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