Bloomberg — A Glencore confirmou que manteve discussões preliminares com o grupo Rio Tinto sobre uma possível combinação de alguns de seus negócios, incluindo uma fusão integral por meio de troca de ações que criaria a maior empresa de mineração do mundo, rival da brasileira Vale e da australiana BHP.
A Glencore, com sede em Baar, na Suíça, afirmou em comunicado que não há certeza de que um acordo será fechado, acrescentando que um novo anúncio será feito, se e quando apropriado.
O negócio geraria um grupo com enterprise value de mais de US$ 260 bilhões, de acordo com o jornal britânico, em um momento de corrida de mineradoras por metais fundamentais para a transição energética, como o cobre.
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O acordo ainda estava em discussão até esta semana, segundo informou o Financial Times nesta quinta-feira, citando pessoas familiarizadas com o assunto que não foram identificadas.
E representa a retomada de discussões que foram conduzidas há um ano, agora com ambas sob pressão competitiva depois do anúncio do fim de 2025 da fusão da Anglo American com a canadense Tech Resources.
Uma combinação completa entre a Rio Tinto e a Glencore era uma das opções em análise, embora os contornos exatos de um eventual acordo não tenham podido ser determinados, de acordo com o FT.
Os ADRs da Glencore subiram até 9%, e os ADRs da Rio Tinto caíram até 5,0% nesta quinta-feira nas negociações nos Estados Unidos.
Trabalho nos bastidores
Depois de não conseguir chegar a um acordo em 2024, a Glencore continuou a trabalhar nos bastidores com seus banqueiros sobre como poderia funcionar um eventual negócio com a Rio Tinto, conforme a Bloomberg News já havia noticiado anteriormente.
A administração tomou medidas para preparar a Glencore para poder agir rapidamente, e o CEO da Glencore, Gary Nagle, repetiu em conversas privadas que se trata de uma transação que deveria ser concretizada — descrevendo uma união entre as duas companhias como o negócio mais óbvio do setor.
Desde que as negociações anteriores fracassaram — principalmente em torno do valuation — a Rio Tinto substituiu seu CEO, enquanto a Glencore buscou convencer investidores — e possíveis compradores — de seus planos para expandir seu negócio de cobre.

O preço do cobre disparou para máximas históricas acima de US$ 13.000 por tonelada no início desta semana, impulsionado por uma série de paralisações de minas e por movimentos para estocar o metal nos Estados Unidos antes de possíveis tarifas de um governo Trump.
Isso reforçou um foco já existente entre executivos do setor de mineração e investidores de que a oferta futura do metal será restrita, dado que a escassez de novas minas não consegue atender à demanda esperada proveniente da inteligência artificial e do aumento dos gastos com defesa.
O novo CEO da Rio Tinto, Simon Trott, até agora tem se concentrado em cortar custos e simplificar o negócio. A empresa também prometeu se desfazer de algumas de suas unidades menores.
Sob a presidência de Dominic Barton no conselho de administração, a Rio deixou para trás os acordos desastrosos de seu passado, afirmando que a empresa será mais aberta quando se tratar de realizar aquisições.
Tanto a Glencore quanto a Rio Tinto são donas de algumas das melhores minas de cobre do mundo.
No entanto a Rio Tinto — assim como a BHP — ainda depende fortemente do minério de ferro para impulsionar seus lucros, em um momento em que o boom de construção de décadas da China está chegando ao fim e o mercado dessa commodity parece caminhar para um período prolongado de fraqueza.
A Glencore tornou essas minas de cobre centrais para o seu negócio. Após anos em que decepcionou investidores com metas não cumpridas e queda na produção de cobre, a empresa apresentou, no fim do mês passado, planos para quase dobrar sua produção do metal ao longo da próxima década.
Embora os ativos de cobre da Glencore provavelmente sejam a principal atração, a empresa também é a maior transportadora de carvão do mundo, uma commodity da qual a Rio Tinto saiu anos atrás. A Glencore também extrai metais como níquel e zinco, além de possuir um enorme negócio de trading.
O ex-CEO da Glencore Ivan Glasenberg, que liderou uma abordagem anterior à Rio em 2014, ainda detém cerca de 10% da empresa.
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