Bloomberg — A empresa de transporte marítimo Nippon Yusen está em negociações com refinarias japonesas para ajudá-las a importar petróleo da América Latina e da África, à medida que eles buscam diversificar seu abastecimento, afastando-se do Oriente Médio, região afetada pela guerra.
As discussões ainda estão em fase inicial, mas essas regiões podem se tornar fontes cada vez mais importantes de petróleo bruto para o Japão, afirmou o diretor executivo da Nippon Yusen, Takaya Soga, em entrevista à Bloomberg News.
As refinarias “estão se empenhando para determinar se locais como o Brasil, o México e a África podem realmente servir como fontes confiáveis”, afirmou ele.
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O Japão, que obtinha mais de 90% de seu petróleo do Oriente Médio antes da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, foi forçado a reavaliar seu abastecimento energético depois que o conflito interrompeu o transporte marítimo no Estreito de Ormuz.
O país buscou fontes alternativas de abastecimento, principalmente dos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que recorreu às suas reservas estratégicas para evitar escassez e alta repentina dos preços.
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A Nippon Yusen já está transportando petróleo bruto dos Estados Unidos para o Japão e está observando um aumento na demanda por essa rota, afirmou Soga.
Os clientes da empresa de navegação também estão explorando rotas alternativas para o petróleo bruto da Arábia Saudita, inclusive pelo Mar Mediterrâneo, disse ele.
Até o momento, a transportadora tem conseguido repassar aos clientes os custos mais elevados e os tempos de viagem mais longos envolvidos nessas rotas, e as negociações têm sido “bastante razoáveis”, afirmou Soga.
Embora o tráfego pelo Estreito de Ormuz estivesse praticamente paralisado nos primeiros dias da guerra, os fluxos se recuperaram nos últimos meses.
Cerca de 6 a 8 milhões de barris de petróleo bruto por dia estão sendo transportados atualmente pelo principal corredor de petróleo do mundo, de acordo com estimativas de traders de petróleo.
No entanto, é improvável que o esforço de diversificação seja revertido, mesmo que o estreito seja totalmente reaberto, pois a importância de não depender excessivamente do Oriente Médio é “agora reconhecida”, afirmou Soga.
A Nippon Yusen também está analisando os riscos representados por pontos de estrangulamento marítimos, incluindo os Canais do Panamá e de Suez, e o Estreito de Taiwan, disse ele. Será dada maior ênfase ao risco geopolítico no próximo plano de negócios de longo prazo, afirmou Soga.
Enquanto isso, o CEO afirmou que as entregas de gás natural liquefeito continuam praticamente inalteradas, dada a dependência relativamente baixa do Japão em relação ao Oriente Médio para o combustível super-resfriado.
-- Com a colaboração de Shery Ahn e Takaaki Iwabu.
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