Bloomberg Línea — Fundador da Moriah Asset e cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira, 14, ao tentar embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes.
A detenção ocorreu em cumprimento de mandado na segunda fase da operação Compliance Zero. O executivo foi solto em seguida.
Segundo a Polícia Federal, a nova etapa busca apurar a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.
Zettel é casado com Natalia Vorcaro, irmã do banqueiro do Master, que teve a liquidação decretada pelo Banco Central em novembro.
Procurada pela Bloomberg Línea, a defesa de Zettel, via assessoria de imprensa, afirmou “que, apesar de não ter tido acesso ao teor das investigações, está à inteira disposição das autoridades responsáveis para cooperar com quaisquer informações que estejam ao seu alcance".
“Fabiano Zettel tem atividades empresariais conhecidas e lícitas, sem relação alguma com a gestão do Banco Master”, complementou em nota. (veja a íntegra do final da matéria)
À frente da Moriah, Zettel ganhou destaque no mercado de investimentos nos últimos anos com a construção de um portfólio que hoje conta com cerca de 30 empresas associadas a produtos e serviços saudáveis, atento a uma das principais tendências de comportamento no Brasil e no mundo.
A casa de investimentos começou com um aporte em 2022 na Desinchá, em valores que podem somar R$ 40 milhões.
A lista conta ainda com a marca de chocolates bean to bar Haoma, a Solo Snacks, a Frutaria São Paulo, a marca de moda fitness Arm e os suplementos da Super Nutrition. A empresa compra fatias minoritárias, entre 15% e 25%, o que garante poder de negociação sobre os rumos dos negócios.
O maior desembolso se deu na Oakberry, a conhecida marca de açaí que se internacionalizou e está presente em mais de 50 países.
A Moriah aportou R$ 120 milhões, em uma rodada complementar ao investimento de R$ 325 milhões do BTG Pactual na companhia liderada por Georgios Frangulis.
Leia mais: A Moriah decidiu investir na tese do bem-estar. O seu portfólio já vale R$ 1,86 bi
Juntas, todas as investidas acumulavam um valuation de R$ 1,86 bilhão, de acordo com dados da Moriah, no primeiro semestre do ano passado, momento em que a Bloomberg Línea entrevistou o investidor.
“Se eu pegar números absolutos de 2022 para 2025, os valuations das empresas investidas pela Moriah mais do que triplicaram em três anos. Ou seja, o retorno é real, é garantido”, disse Zettel à época.
Apesar do “asset” do nome, a Moriah, segundo Zettel, opera como uma empresa, não como uma gestora. A estrutura foi criada com capital próprio, oriundo de um escritório de advocacia que manteve por anos, atuação como professor de direito empresarial e trabalho no mercado financeiro.
“Por mais de 30 anos da minha vida, eu fui empregado. E quem tem sócio, tem chefe. Se eu puder esticar o máximo a corda, sem ter chefe, eu vou tentar me manter assim, até porque a Moriah tem muito esse elemento pessoal, holístico na análise do empreendedor”, disse o executivo na mesma entrevista ao explicar o modelo de negócios.
“Se eu transformo isso em um fundo, aí vem frieza, planilha de excel, e não tem sonho, não tem visão. O negócio fica mais engessado.”
Segundos números da Moriah, mais de R$ 300 milhões foram investidos nos aportes. A empresa se capitaliza para novos aportes com o retorno das investidas, que, a depender do momento, distribuem lucro em bases anual, semestral e até mesmo mensal, explicou Zettel à época.
O posicionamento de Fabiano Zettel:
“A defesa de Fabiano Campos Zettel esclarece que, apesar de não ter tido acesso ao teor das investigações, está à inteira disposição das autoridades responsáveis para cooperar com quaisquer informações que estejam ao seu alcance.
Fabiano Zettel tem atividades empresariais conhecidas e lícitas, sem relação alguma com a gestão do Banco Master.
A busca e apreensão pessoal e a detenção temporária determinadas pelo Ministro Dias Toffoli, realizadas no aeroporto de Guarulhos, deram-se apenas em razão de viagem de negócios de seu estrito interesse, programada ao Barein, com passagem de volta emitida para o dia 06/02, e visavam evitar frustração de diligências a serem realizadas na manhã de hoje."
Leia também
Depois de reação da sociedade, TCU recua da ameaça de desfazer liquidação do Master









