Ford eleva projeção de lucro para o ano com demanda resiliente por SUVs e picapes

Montadora superou as estimativas no segundo trimestre e elevou a projeção anual de lucro, impulsionada pelas vendas de SUVs e picapes de maior margem, apesar dos custos com tarifas e da reestruturação do negócio de veículos elétricos

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Bloomberg — A Ford Motor elevou sua previsão de lucro pela segunda vez neste ano, à medida que os consumidores continuam a adquirir em grande quantidade os veículos utilitários esportivos (SUVs) de alta margem de lucro da montadora.

A previsão mais otimista, divulgada na noite desta terça-feira, quando a montadora anunciou resultados trimestrais acima do esperado, mostra como a Ford está lucrando com a demanda resiliente por SUVs e picapes, seguindo um movimento semelhante da rival General Motors na semana passada.

Esses modelos geram lucros essenciais para a Ford, à medida que a empresa reduz suas operações deficitárias com veículos elétricos e absorve os custos mais elevados decorrentes de tarifas e commodities.

Trata-se também de um sinal positivo, já que a Ford está investindo US$ 2 bilhões em um novo negócio de armazenamento de energia que pode levar anos para gerar retornos.

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“A dinâmica está mudando”, afirmou o analista do Citi, Michael Ward, em uma nota, ao elevar a classificação das ações de “neutra” para “comprar”. A revisão positiva das projeções reflete “resultados positivos no primeiro semestre, melhores preços e um mix mais favorável”.

As ações da Ford subiram 6% às 7h31 da manhã desta quarta-feira em Nova York, o que representaria o maior aumento em mais de dois meses caso se mantenha até o final do pregão regular. As ações valorizaram 14% neste ano até o fechamento desta terça-feira, desempenho superior ao do índice S&P 500.

A empresa amenizou o impacto de uma queda de 10% nas vendas de veículos nos EUA no segundo trimestre ao entregar um grande número de SUVs Bronco e Explorer lucrativos, especialmente modelos de alta margem de lucro equipados com pacotes caros de desempenho off-road.

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As principais montadoras americanas aumentaram a produção de SUVs e picapes que consomem muito combustível para capitalizar sobre as medidas do governo Trump de reduzir os requisitos federais de eficiência de combustível e outras políticas que incentivam a adoção de veículos elétricos.

Livres dessas restrições regulatórias, as fortes vendas de SUVs ajudaram a Ford a compensar o impacto nos lucros causado pela redução do estoque de suas picapes mais vendidas da Série F, devido aos incêndios ocorridos no ano passado na usina de alumínio da Novelis, no estado de Nova York, que fornece o material para os painéis da carroceria das picapes. A fábrica retomou as operações no segundo trimestre, e a Ford espera recuperar parte da produção perdida no segundo semestre do ano.

A empresa prevê recuperar cerca de US$ 2,5 bilhões em produção da Série F perdida devido aos incêndios, o valor mínimo de sua previsão anterior, que chegava a US$ 3 bilhões, de acordo com uma apresentação aos investidores.

A diretora financeira, Sherry House, afirmou que grande parte dos mais de US$ 1 bilhão em custos com tarifas que a Ford espera arcar este ano decorre da importação de alumínio devido aos incêndios na Novelis.

“Temos um custo tarifário bastante significativo devido à interrupção no fornecimento da Novelis e à nossa necessidade de garantir o fornecimento de alumínio de fora dos Estados Unidos”, afirmou House em uma teleconferência com repórteres. “Nossos custos tarifários atualmente concentram-se principalmente no alumínio, no aço e nos veículos importados.”

O que diz a Bloomberg Intelligence

“A melhora nos lucros da Ford deve se estender ao segundo semestre, à medida que o abastecimento de alumínio se normaliza, os preços se mantêm firmes e as perdas com veículos elétricos a bateria diminuem.”

— Steve Man, analista sênior do setor automotivo

O lucro ajustado foi de 42 centavos por ação no segundo trimestre, superando a média de 36 centavos das estimativas dos analistas compiladas pela Bloomberg. A Ford agora espera obter um lucro de até US$ 11 bilhões antes de juros e impostos neste ano, acima de sua previsão anterior, que variava de US$ 8,5 bilhões a US$ 10,5 bilhões, informou a empresa em comunicado. Os analistas esperavam, em média, cerca de US$ 9,5 bilhões.

O analista da RBC Capital Markets, Tom Narayan, afirmou que a previsão mais alta sugere que as estimativas de Wall Street para os resultados da Ford no segundo semestre podem subir.

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A incursão da Ford no setor de armazenamento de energia fez com que suas ações registrassem a maior alta em 17 anos em maio, à medida que os investidores associaram a montadora da “velha economia” ao boom de gastos com inteligência artificial. Os lucros do novo negócio de energia só aparecerão nos resultados financeiros a partir de 2028, disse House aos repórteres.

A Ford informou que planeja atingir 20 gigawatts-hora de capacidade na unidade de energia até o final do próximo ano. O diretor executivo, Jim Farley, afirmou que a empresa tem potencial para expandir-se além disso.

“Isso posicionará a Ford Energy entre os principais fabricantes de armazenamento de energia na América do Norte”, afirmou ele na terça-feira, durante uma teleconferência com analistas.

Farley não abordou diretamente se a Ford está firmando acordos de armazenamento de energia com hiperescaladores, afirmando que a empresa está entrando em contato com diversos clientes potenciais para sua nova unidade.

A entrada no setor de baterias surgiu a partir do revés sofrido pela Ford em suas tentativas de vender veículos elétricos, já que a empresa está reaproveitando uma fábrica de baterias para veículos elétricos em Kentucky para produzir baterias destinadas ao armazenamento de energia. Essa instalação fazia parte da joint venture, agora extinta, da Ford com a sul-coreana SK On para a fabricação de baterias para veículos elétricos.

A Ford registrou um encargo de US$ 3,6 bilhões, em grande parte não monetário, no segundo trimestre, relacionado ao encerramento das atividades previamente divulgado.

O balanço dos veículos elétricos

As vendas de veículos elétricos da Ford despencaram 41% no segundo trimestre, após a descontinuação de sua picape plug-in F-150 Lightning, como parte de despesas no valor de US$ 19,5 bilhões relacionadas a ativos de veículos elétricos com desempenho insatisfatório.

A Ford está reformulando sua estratégia de veículos elétricos para se concentrar em modelos mais acessíveis, começando com uma pequena picape elétrica de US$ 30.000, com lançamento previsto para o final do próximo ano.

Farley prometeu vários modelos elétricos acessíveis a serem construídos com base no que a empresa chama de sua plataforma universal de veículos elétricos, que serão produzidos em uma antiga fábrica de SUVs em Kentucky.

Ele afirmou que esses modelos são essenciais para enfrentar a concorrência das montadoras chinesas, que estão ganhando espaço em todo o mundo com veículos elétricos baratos e de alta tecnologia, mas que atualmente estão impedidas de entrar no mercado dos EUA por formidáveis barreiras comerciais.

Farley elogiou as vantagens tecnológicas e de custo das montadoras chinesas, afirmando que elas representam uma ameaça existencial às montadoras ocidentais.

Na semana passada, a Ford anunciou uma joint venture com a chinesa Geely Automobile Holdings para desenvolver em conjunto SUVs elétricos para a Europa e compartilhar a produção em uma fábrica da Ford na Espanha.

A Ford também possui um acordo de licenciamento com a gigante chinesa de baterias Contemporary Amperex Technology para fabricar baterias tanto para veículos elétricos quanto para armazenamento de energia.

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