Raízen perde grau de investimento e contrata Alvarez & Marsal como assessor financeiro

Nota de crédito da empresa foi rebaixada para nível especulativo pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings em movimento que estendeu a queda nos títulos da companhia, cujos preços foram reduzidos quase pela metade na última semana

Empresa enfrenta dificuldades para lidar com tamanho de sua dívida diante de altas taxas de juros há quatro anos, colheitas fracas e uma série de apostas que não geraram retornos significativos
Por Giovanna Bellotti Azevedo - Rachel Gamarski
09 de Fevereiro, 2026 | 02:29 PM

Bloomberg — A nota de crédito da Raízen foi rebaixada drasticamente para nível especulativo saindo do grau de investimento, pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings, à medida que a empresa de açúcar e etanol enfrenta um aperto crescente de liquidez.

O movimento prolonga a queda nos títulos da companhia, cujos preços foram reduzidos quase pela metade na última semana.

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A pressão crescente sobre a empresa — que até agora não conseguiu levantar recursos adicionais junto às controladoras Cosan e Shell — levou à contratação da assessoria Alvarez & Marsal como parte dos esforços para reforçar sua situação financeira, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

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A turbulência que envolve a Raízen abalou os investidores, que levaram os preços de seus títulos a níveis de estresse, e está alimentando preocupações sobre a pressão enfrentada por outras empresas em dificuldades que captaram recursos nos mercados de dívida brasileiros.

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Na segunda-feira, a Raízen sofreu rebaixamentos consecutivos e excepcionalmente profundos por parte da Fitch e da S&P, levando sua dívida de grau de investimento para o território de títulos de alto risco.

Ambas as agências mantiveram as classificações em observação negativa, indicando que podem sofrer novos rebaixamentos.

A Fitch rebaixou a classificação da companhia em cinco níveis, para B, citando “a falha dos acionistas em executar uma injeção de capital substancial”, o desempenho operacional mais fraco do que o esperado e uma posição de liquidez “mais desafiadora”.

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A S&P rebaixou a classificação em sete níveis, para CCC+, dizendo que “há riscos crescentes de uma reestruturação da dívida que interpretaríamos como um default”.

A Raízen tem enfrentado dificuldades para lidar com altas taxas de juros, colheitas mais fracas do que o esperado e uma série de apostas ambiciosas — do etanol de segunda geração ao combustível de aviação sustentável — que ainda não geraram retornos significativos.

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 O rendimento dos títulos da Raízen dispara com o aumento das pressões sobre a dívida.

A empresa precisa de um aporte de capital entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões, disse o UBS BB Investment Bank no final do ano passado. Mas as negociações com os controladores Cosan e Shell têm se arrastado sem produzir resultados.

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Em reuniões recentes para tratar das crescentes pressões financeiras na empresa, a Raízen e seus consultores discutiram possíveis cenários, incluindo um ‘haircut’ de dívida em uma reestruturação, disseram pessoas familiarizadas com o assunto na semana passada.

A empresa informou em um comunicado que está consultando assessores financeiros e jurídicos para explorar maneiras de fortalecer sua posição de liquidez e otimizar sua estrutura de capital.

Os títulos em dólares da Raízen que vencem em 2037 caíam cerca de 7 centavos de dólar às 11:20 em Nova York, para 45,5 centavos de dólar, ante mais de 80 centavos de dólar na semana passada.

Os títulos já haviam despencado quase 30 centavos de dólar na semana passada, à medida que se arrastam as conversas entre os controladores Cosan e Shell.

Os títulos agora rendem cerca de 18%, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Isso se compara com o rendimento abaixo de 10% no início do mês.

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