Bloomberg Línea — Nos últimos anos, o veículo elétrico de pouso e decolagem vertical (eVTOL, na sigla em inglês) ganhou forte tração em meio ao movimento de descarbonização global. Mais recentemente, contudo, o quadro de demanda do produto, que também ficou conhecido como “carro voador”, mudou.
Na EVE (EVEX), uma das expoentes do segmento, hoje a companhia trabalha com uma projeção de demanda global de até 30 mil aeronaves em 20 anos, em 800 cidades do mundo, segundo o diretor de relações com investidores, Lucio Aldworth. Anteriormente, as estimativas do setor chegavam a superar 50 mil unidades para o período.
“À medida que conversamos com clientes, refinamos as nossas expectativas, porque percebemos como a demanda vai se acomodar”, disse o executivo em conversa com a Bloomberg Línea no evento Equity Conference, do Citi Brasil, promovido na semana passada em São Paulo.
Para poder operar comercialmente, qualquer aeronave nova do mercado precisa de uma certificação, pelo órgão regulador, demonstrando que o veículo atende aos padrões de segurança e desempenho vigentes. Qualquer atraso pode impactar diretamente a viabilidade financeira e competitiva da empresa em questão.
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Inicialmente, a EVE, controlada pela Embraer (EMBJ3), tinha uma projeção de obter a certificação em 2026, mas esse prazo foi adiado para 2027 e, agora, está previsto para 2028.
“Quanto mais evoluímos no processo de certificação e design, mais aprendemos sobre o que falta para chegarmos aonde é necessário. Naturalmente, o produto veio evoluindo, portanto houve readequação para acomodar requisitos e novas descobertas que fizemos ao longo do processo”, destacou.
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Aldworth observou que aeronaves totalmente novas não são lançadas há décadas na aviação civil. “Agora, estamos lançando algo completamente novo, é um desafio. Mas vamos aprender fazendo.”
Segundo a última apresentação a investidores da companhia, a Eve possui 27 clientes em nove países, com uma carteira aproximada de cerca de 2.700 pré-pedidos.
Por enquanto, o protótipo do eVTOL da brasileira só realizou voo não tripulado.
Uma vez certificado, a produção do veículo será em Taubaté, no interior de São Paulo, e a capacidade estimada inicial é de 60 unidades por ano na fase 1, podendo atingir 480 na fase 4.
Absorção no mercado
Aldworth relata que cerca de 40% dos pedidos da Eve são de companhias aéreas (segmento de “asa fixa”); quase 30% são de operadores do ramo de helicópteros e, em torno de 20%, de empresas de leasing de aeronaves.
“As empresas de helicópteros devem ser as primeiras a adotar [o eVTOL], porque elas já têm as rotas. Basicamente, seria tirar um e colocar o outro no lugar, fazendo os mesmos trajetos. É o mais natural.” Ele acredita que a próxima fase de adoção deve acontecer no segmento de asa fixa.
Segundo o diretor de vendas da Líder Aviação, Anderson Markiewicz, a migração do helicóptero para o eVTOL será natural.
“Em um primeiro momento, o helicóptero terá um melhor desempenho [de mercado] pelo seu alcance. Mas o custo operacional da hora de voo do eVTOL será mais barato do que o convencional a combustão, que tem um custo muito alto de manutenção”, disse em painel promovido pelo Citi.
A Líder firmou uma parceria com a norte-americana Beta Technologies para representar exclusivamente no Brasil as suas aeronaves elétricas. O acordo prevê compra e opções de compra.
“Certamente vamos capturar um mercado que, hoje, não é atendido pelos helicópteros. Mas não vai ser um transporte de massa”, avalia Markiewicz sobre o eVTOL.
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