Bloomberg — O transporte rodoviário de carga é um grande negócio nos Estados Unidos, mas depende de combustível caro que gera muitas emissões que contribuem para o aquecimento global. Caminhões elétricos são uma solução óbvia, porém seu preço de tabela é duas vezes ou mais mais caro do que o dos caminhões de carga tradicionais. Mesmo que o custo caísse, levaria tempo para substituir a frota existente.
A startup de robótica Revoy acredita ter uma solução para permitir que qualquer caminhão se torne elétrico durante parte de sua viagem. A empresa de São Francisco desenvolveu uma unidade destacável com motor elétrico e baterias que fica entre o trator e o reboque do caminhão. Ela acaba de levantar US$ 27 milhões em uma rodada da Série A para expandir suas operações.
Com a bateria totalmente carregada, o carrinho elétrico da Revoy pode rebocar um caminhão de 36,2 toneladas por mais de 320 quilômetros. O sonho da empresa é, eventualmente, construir uma rede de centros ao longo das rodovias, onde os caminhoneiros possam trocar a unidade por uma recarregada. A Revoy estima que a unidade possa reduzir as emissões de carbono em até 85%.
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“Nossa tecnologia permite competir com o diesel em termos de custo, o que ainda não é o caso de outros caminhões elétricos nos EUA”, disse Peter Reinhardt, CEO da Revoy.
O custo de operação do sistema da Revoy seria equivalente ao de abastecer um caminhão com diesel, com base nos preços anteriores à guerra dos EUA com o Irã, segundo Reinhardt, que também é CEO da Charm Industrial, empresa especializada em remoção de carbono. O preço médio de varejo do diesel nos EUA permanece cerca de 40% acima do nível pré-guerra, de aproximadamente US$ 3,80 por galão (aproximadamente 3,8 litros).
A Revoy prolongaria a vida útil dos caminhões de carga a diesel existentes, uma proposta diferente dos caminhões pesados totalmente elétricos à venda por fabricantes como a Tesla (TSLA) e a Volvo.
As vendas desses veículos nos EUA no primeiro semestre deste ano foram menores do que no mesmo período do ano passado, apesar dos preços mais altos do diesel, segundo a BloombergNEF. As vendas podem aumentar no segundo semestre, com a Tesla relatando uma carteira de 1.200 pedidos em maio, afirmou a pesquisadora em um relatório de junho, citando dados de um programa de vouchers da Califórnia.
Os novos participantes estão de olho no mercado de caminhões de carga, que geraram uma receita de cerca de US$ 900 bilhões em 2024, segundo a American Trucking Association.
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Os 3 milhões de caminhões pesados registrados nos EUA, juntos, rodam cerca de 96,5 mil quilômetros por ano, gerando aproximadamente 300 milhões de toneladas de dióxido de carbono, ou cerca de 6% das emissões anuais dos EUA, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. O combustível representa mais de um quinto dos custos operacionais dos proprietários.
A ideia da Revoy é um bom ponto de partida para lidar com o aumento dos custos do transporte rodoviário e torná-lo mais limpo, afirmou Nikolas Soulopoulos, chefe de transporte comercial da BloombergNEF.
“A integração à frota existente é uma grande vantagem”, disse Soulopoulos, acrescentando uma ressalva: ampliar a produção desses reboques elétricos nos EUA não será fácil, em parte devido às restrições no fornecimento de baterias. A opção de fabricar fora dos EUA é limitada devido às altas tarifas impostas pelo atual governo.
A Revoy foi fundada em 2020 e recebeu aprovação regulatória da Administração Nacional de Segurança Rodoviária (NHTSA, na sigla em inglês) em 2023. No ano seguinte, realizou com sucesso um projeto-piloto técnico de um ano com a empresa de frete Ryder System.
Para sua primeira operação comercial, os sócios da startup compraram caminhões a diesel usados, e a Revoy está treinando seus motoristas para usar os reboques elétricos. A Revoy começará a utilizar quatro reboques elétricos — montados pela empresa com componentes chineses — em um trecho de 200 milhas próximo a Portland, no Oregon, ainda este ano.
Com o novo financiamento, a Revoy planeja montar um carrinho elétrico de segunda geração mais barato, com uma bateria menor que ofereça o mesmo alcance. A empresa espera ter dezenas de carrinhos em operação até o final do próximo ano.
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No total, a Revoy já levantou US$ 41 milhões. A última rodada de financiamento foi liderada pela Standard Capital, com investidores adicionais, incluindo a Doerr Capital, a Time Ventures, a Y Combinator e a Leap Ventures.
A tecnologia da Revoy é uma aplicação da robótica, disse Ian Rust, diretor de tecnologia e fundador, que anteriormente trabalhou na startup de veículos autônomos Cruise, adquirida pela General Motors. “Em vez de eliminar o motorista, estamos usando a robótica para mudar a fonte de combustível”, afirmou.
Rust se inspirou no campo da robótica colaborativa, que, entre outras invenções, deu origem a exoesqueletos robóticos capazes de ajudar os seres humanos a levantar várias vezes o peso que seus músculos biológicos, por si só, permitiriam.
O carrinho elétrico segue o mesmo princípio. Quando o motorista pisa no acelerador, o motor a diesel acelera e faz com que o caminhão dê um solavanco para frente. Nesse instante, o carrinho recebe o sinal para ativar as baterias e um motor elétrico, o que faz com que o motor a diesel pare de funcionar com tanta intensidade. Da mesma forma, quando o motorista pisa no freio, o carrinho elétrico começa a usar a reversão do motor elétrico para carregar a bateria.
Atualmente, a Revoy está focada nos EUA, mas Rust espera que a tecnologia possa, no futuro, ser aplicada em todo o mundo.
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