Governo da Espanha pagará até US$ 2,2 bi para ampliar fatia na Telefónica

Objetivo de movimento societário é proteger um dos ativos mais estratégicos da nação em momento em que a Arábia Saudita aumenta sua posição no grupo de telecomunicações

Espanha pagará até US$ 2,2 bilhões para ampliar presença na Telefónica
Por Clara Hernanz Lizarraga - Joao Lima
20 de Dezembro, 2023 | 05:53 AM

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Bloomberg — O governo espanhol planeja comprar uma participação na Telefónica, que no Brasil é dona da Vivo, no valor de até US$ 2,2 bilhões. Trata-se de uma tentativa de salvaguardar um dos ativos mais estratégicos do país, à medida que a Arábia Saudita aumenta sua posição na empresa de telecomunicações.

O Sepi, veículo de investimento da Espanha, comprará até 10% das ações da Telefónica - uma fatia que pode chegar a mais de € 2 bilhões - em um esforço para proporcionar “maior estabilidade aos acionistas” e proteger as “capacidades estratégicas” do antigo monopólio das telecomunicações, informou o governo em um aviso regulatório na terça-feira. Os ministros decidiram sobre o investimento em uma reunião do gabinete no final do dia.

O investimento representa um movimento surpreendentemente agressivo da Espanha para se contrapor ao plano da Saudi Telecom de investir bilhões na Telefónica e se tornar a maior acionista da empresa. Se a Sepi adquirir primeiro uma participação de 10% na empresa sediada em Madri, o governo se tornará seu maior investidor, superando Blackrock, Caixabank e Banco Bilbao Vizcaya Argentaria.

Essa posição seria uma mudança importante para a Espanha, que nos últimos anos tem sido mais relutante do que outras nações europeias em intervir nos mercados e assumir a propriedade de empresas.

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As ações da Telefónica subiram +6,2% no fechamento das negociações de terça-feira nos EUA, seu maior ganho em um ano. Hoje de manhã, em Madri, avançavam +5,6%.

“A Telefónica é uma empresa líder em telecomunicações tanto na Espanha quanto internacionalmente”, disse Sepi na terça-feira. “Ela desenvolve um conjunto de atividades de relevância crucial para a economia, pesquisa, segurança, defesa e o bem-estar dos cidadãos.”

A Espanha já havia indicado que poderia adquirir uma participação no grupo. Menos de dois meses depois que a Saudi Telecom, controlada pelo Estado, anunciou planos de comprar uma participação de 9,9% na Telefónica por € 2,1 bilhões, o governo espanhol disse que estava realizando uma “análise exploratória” de seu próprio investimento potencial na empresa.

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Há um precedente para tais participações na Europa: países como a França e a Alemanha possuem participações em seus antigos monopólios telefônicos.

A Telefónica “declara que continua focada na execução do recém-aprovado Plano Estratégico 2023-2026, anunciado no Capital Markets Day em 8 de novembro de 2023, a fim de continuar a criar valor para seus acionistas e oferecer o melhor serviço a seus clientes”, disse a empresa em um comunicado no final da terça-feira, em resposta ao anúncio do governo.

A Bloomberg informou em setembro que o governo espanhol também estava avaliando restrições ao plano de investimento da Saudi Telecom, semelhantes àquelas aplicadas à compra pela IFM Global Infrastructure de uma participação no Naturgy Energy Group. A STC já está obrigada a obter a aprovação do governo para converter sua posição de derivativos na Telefónica, que representa cerca de metade de sua participação, em ações reais.

O plano da Saudi Telecom gerou controvérsia na Espanha, onde a Telefónica é considerada estrategicamente importante por prestar serviços às forças armadas e ao Ministério da Defesa. Logo após o anúncio, em setembro, o primeiro-ministro Pedro Sánchez disse que o governo protegeria a segurança nacional e garantiria que os investidores estrangeiros não ultrapassassem os limites “que implicariam influência indevida sobre empresas estratégicas”.

O governo espanhol vendeu sua última participação na Telefônica há mais de 20 anos, pondo fim a décadas de propriedade pública da empresa. A Telefônica havia caído 0,8% em Madri na terça-feira, antes do anúncio do governo. As ações fecharam em € 3,565, o que dá à empresa um valor de mercado de cerca de € 20 bilhões.

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