Enel redireciona investimentos com € 53 bi para energias renováveis nos EUA e na UE

Depois de anos de foco na atuação na América Latina, a maior empresa de serviços públicos da Itália anunciou mudança de foco para tirar proveito de um ambiente regulatório e de políticas mais estável em mercados maduros

Por

Bloomberg — A Enel planeja aprofundar seus compromissos nos EUA e na Europa nos próximos três anos com uma nova onda de investimentos em projetos de energia renovável e armazenamento de baterias.

A maior empresa de serviços públicos da Itália fará cerca de 53 bilhões de euros em investimentos até 2028, de acordo com o novo plano de negócios divulgado na segunda-feira (23). Isso representa cerca de 10 bilhões de euros a mais do que o plano anterior, informou a empresa.

O plano confirma um direcionamento para mercados maduros, relatado pela Bloomberg News na semana passada, já que a Enel procura tirar proveito de um ambiente regulatório e de políticas mais estável. A empresa sediada em Roma fez grandes investimentos na América Latina nas últimas décadas.

Leia também: Menos LatAm, mais EUA e Europa: Enel decide redirecionar investimentos, dizem fontes

Cerca de metade dos investimentos planejados será no Negócio Integrado da Enel, ou seja, geração, vendas e distribuição de energia. Essa parcela está concentrada principalmente na Europa e na América do Norte e inclui 20 bilhões de euros em energias renováveis.

A empresa investirá mais de 26 bilhões de euros em redes, visando principalmente a Europa.

O plano tem como objetivo acelerar tanto os projetos renováveis greenfield quanto os brownfield, expandir o portfólio eólico da Enel e repotencializar os ativos existentes para aumentar a capacidade e a eficiência, disse a empresa. Uma parte significativa dos gastos será destinada ao armazenamento de baterias.

As empresas de serviços públicos europeias têm recalibrado esforços após anos de expansão global para priorizar redes reguladas e geração de energia limpa contratada em economias avançadas.

Leia também: Após terceiro apagão em três anos, governo vai pedir fim de concessão da Enel em SP

Os investimentos em redes são vistos como particularmente atraentes, já que as operadoras podem recuperar os custos e obter retornos regulamentados, oferecendo estabilidade nos ganhos de longo prazo em meio à volatilidade dos mercados atacadistas de energia.

A estratégia surge em um momento em que a visibilidade das políticas continua sendo um fator essencial para os investidores.

Embora a Europa e os EUA sejam vistos como comparativamente estáveis, as estruturas ainda podem mudar.

Leia também: Em crise no Brasil, Enel prevê lucro global de US$ 7,3 bi em 2025 e dividendo maior

Na Itália, uma recente proposta do governo para remover os custos de carbono das contas de energia elétrica agitou os mercados futuros, destacando a sensibilidade dos lucros das empresas de serviços públicos às mudanças regulatórias.

Veja mais em bloomberg.com