Bloomberg — Os bondholders internacionais emergiram como os principais apoiadores da reestruturação de US$ 11 bilhões da dívida da Braskem, que deu à gigante petroquímica mais 90 dias para chegar a um acordo sobre um plano para equilibrar suas finanças.
Credores detentores de R$ 22,4 bilhões (US$ 4,3 bilhões) em créditos aderiram à recuperação extrajudicial, segundo documentos. O montante, equivalente a 39,6% da dívida, ficou pouco acima do limite de um terço necessário para a Braskem iniciar o processo — o que fez na segunda-feira, quando expirava o prazo de uma medida cautelar que suspendia ações de cobrança.
Grupos ad hoc de bondholders que apoiaram o plano representavam pouco mais de 31% da dívida abrangida pela recuperação extrajudicial, mostram os documentos.
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Elliott Investment Management e Contrarian Capital Management estão entre os principais detentores de títulos da Braskem, pessoas a par do assunto disseram anteriormente à Bloomberg News. AllianceBernstein, Capital Group e PGIM também estão entre os detentores de títulos da companhia, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
Bancos
Isso deixa outros R$ 34,1 bilhões, ou 60,4%, do lado dos credores que não aderiram, segundo documentos apresentados na segunda-feira como parte da recuperação extrajudicial da petroquímica brasileira.
Alguns bancos foram convidados a aderir ao plano, que já havia sido em grande parte acordado entre a empresa e os bondholders, segundo duas pessoas a par das discussões.
Os bancos fizeram algumas exigências, incluindo mais garantias, que a empresa não aceitou diante da necessidade de alcançar um quórum amplo para dar continuidade às negociações, acrescentaram as pessoas, que pediram para não ser identificadas porque as informações são privadas.
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Grande parte da dívida que não aderiu listada nos documentos está relacionada a posições em títulos e créditos bancários mantidos por meio de instituições financeiras que atuam como agentes fiduciários, agentes ou custodiantes.
Pela legislação brasileira, quando uma empresa obtém o apoio de credores que representam pelo menos um terço dos créditos abrangidos, ela pode entrar com um pedido de recuperação extrajudicial — ou “RE”.
A partir daí, a empresa tem 90 dias para negociar mudanças no plano de recuperação e obter o apoio de mais da metade desses créditos, percentual necessário para a homologação judicial.
Estrutura
A estrutura apresentada nos documentos judiciais inclui um compromisso dos principais acionistas — Petrobras e IG4 Capital Group — ou de terceiros acordados, de aportar ou garantir o aporte de novos recursos via capital. No entanto, o montante, a estrutura e o cronograma ainda não foram definidos.
A Braskem, maior produtora de petroquímicos da América Latina, vem enfrentando anos de turbulência, com a redução de seu caixa após um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e um longo período de preços deprimidos no setor petroquímico.
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A reestruturação de sua dívida também ocorre em um cenário desafiador para as empresas brasileiras, que enfrentam dificuldades para lidar com os juros elevados.
Adesão
A maior adesão ocorreu entre os detentores dos títulos internacionais subordinados com vencimento em 2081, com cerca de 67% aderindo ao plano, seguidos pelos detentores dos títulos com cupom de 4,5% e vencimento em 2028, com cerca de 60%. Os títulos com cupom de 7,25% e vencimento em 2033 e os de 8,5% com vencimento em 2031 tiveram adesão de cerca de 58% cada.
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A adesão foi menor em algumas das outras séries de títulos internacionais da Braskem. Apenas cerca de 30% dos títulos com cupom de 5,875% e vencimento em 2050 aderiram, enquanto os títulos de 7,125% com vencimento em 2041 tiveram a menor adesão, de cerca de 13%. A maior série de títulos incluída na relação de credores, a de 4,5% com vencimento em 2030, ficou praticamente dividida ao meio.
Bancos e outras instituições financeiras também aparecem dos dois lados da reestruturação.
Barclays Bank e Citibank estão entre os signatários, enquanto Pentágono, Itaú Unibanco, Banco Safra e diversos bancos internacionais aparecem entre os credores que não aderiram. O Banco Santander tem créditos dos dois lados, com cerca de R$ 1,88 bilhão entre os aderentes e R$ 391 milhões entre os não aderentes.
Barclays, Citi, Itaú e Santander não quiseram comentar. Safra e Pentágono não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.
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