De Saudi Aramco a Petrobras: as 10 petrolífereas mais valiosas após o acordo EUA-Irã

Grandes petrolíferas globais registram correção na bolsa após a redução das tensões no Oriente Médio; analistas explicam por que o mercado ajusta as expectativas em relação ao petróleo e ao setor

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Bloomberg Línea — As maiores petrolíferas globais começam a ajustar seus preços após a redução das tensões no Oriente Médio, mesmo com o ambiente instável, em um momento em que o mercado precifica uma menor probabilidade de interrupções no fornecimento de petróleo e um preço do petróleo mais próximo de seus fundamentos.

A recente correção nas ações do setor petrolífero não reflete uma deterioração dos fundamentos do setor, mas sim uma mudança nas expectativas do mercado, segundo analistas consultados pela Bloomberg Línea.

“Quando o acordo entre os Estados Unidos e o Irã é anunciado e começa a distensão, as petrolíferas perdem uma parte importante da retórica que sustentava suas cotações”, disse à Bloomberg Línea Ignacio Mieres, chefe de Pesquisa da plataforma de investimentos XTB.

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Nesse contexto, o analista explica que, para uma empresa petrolífera integrada, um preço do Brent próximo a US$ 80 por barril continua sendo favorável e suficiente para sustentar programas de dividendos e recompra de ações.

Assim, qualquer sinal de normalização obriga a uma revisão das expectativas em relação aos lucros, ao fluxo de caixa e aos retornos para os acionistas, observou ele.

“As tensões no Oriente Médio geraram um prêmio no mercado de petróleo, o que favoreceu as empresas petrolíferas”, disse à Bloomberg Línea Rafael Pampillón Olmedo, professor de Economia da IE Business School, na Espanha.

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No entanto, “a reação foi relativamente moderada, pois os investidores nunca chegaram a acreditar que o Estreito de Ormuz fosse ser fechado por um período prolongado”.

Ele afirmou que, se o mercado tivesse antecipado uma interrupção grave no abastecimento mundial, “o preço do petróleo teria subido muito mais, assim como as ações das petrolíferas”.

Na opinião dele, o que os preços têm refletido ao longo dos meses de conflito é preocupação, mas não pânico. “Os investidores consideraram possível uma deterioração temporária da situação, mas não uma crise energética global”.

De qualquer forma, “o aumento temporário do preço do petróleo as beneficiou, mas também influenciou um fator que muitas vezes passa despercebido: hoje são empresas muito melhor administradas, mais cuidadosas com suas despesas e investimentos e muito mais focadas em gerar lucros para seus acionistas do que há uma década”, observou Rafael Pampillón Olmedo.

Nesse sentido, ele considerou que os investidores as veem cada vez mais como empresas capazes de oferecer rentabilidade de forma estável, mesmo quando o petróleo não está particularmente caro.

As 10 maiores empresas petrolíferas em valor de mercado

  • Saudi Aramco (Arábia Saudita): US$ 1,697 trilhão
  • Exxon Mobil (XOM) (Estados Unidos): US$ 564,9 bilhões
  • Chevron (CVX) (Estados Unidos): US$ 341,2 bilhões
  • Shell (SHEL) (Reino Unido): US$ 215,4 bilhões
  • PetroChina (China): US$ 208,9 bilhões
  • TotalEnergies (TTE) (França): US$ 175,3 bilhões
  • CNOOC (China): US$ 132,3 bilhões
  • ConocoPhillips (COP) (Estados Unidos): US$ 130 bilhões
  • Enbridge (ENB) (Canadá): US$ 120,3 bilhões
  • Petrobras (PETR4) (Brasil): US$ 105,6 bilhões

Fonte: Bloomberg e Companies Market Cap

Correção das ações

Segundo Mieres, a correção das ações não se deve a uma perda de rentabilidade das empresas, mas ao fato de que os investidores estão dispostos a pagar menos por um rendimento que, até pouco tempo atrás, parecia excepcional.

O especialista observou que o mercado incorporou o risco associado ao Estreito de Ormuz em duas etapas.

Em primeiro lugar, elevou as cotações diante da possibilidade de uma interrupção prolongada da oferta, o que levou a uma antecipação de preços do petróleo significativamente superiores aos seus níveis de equilíbrio.

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Posteriormente, com a redução das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, esse prêmio diminuiu e os fluxos se inverteram.

Ou seja, “o dinheiro que entrou no setor de energia como uma forma de segurança começa a sair para setores importadores de energia e sensíveis ao crescimento, como tecnologia, indústria, consumo e companhias aéreas”.

Embora os preços do petróleo bruto ainda reflitam certos riscos relacionados à oferta global, ele explica que esses riscos são cada vez menores.

O cenário base da XTB aponta para uma média do Brent próxima a US$ 75 por barril durante o trimestre, embora a normalização do mercado possa levar várias semanas ou até mesmo meses.

Na opinião de Pampillón Olmedo, “se os mercados acreditassem que estamos diante de uma crise energética comparável às dos anos 70, as cotações das empresas petrolíferas estariam disparando”.

“O fato de muitas delas estarem em queda indica que os investidores consideram que a tensão no Oriente Médio é passageira”, disse o analista da IE Business School. “O comportamento das petrolíferas e do petróleo transmite a mesma mensagem: os mercados começaram a precificar uma normalização da situação no Oriente Médio e da demanda mundial por energia”.

Perspectivas do setor petrolífero

Para Pampillón Olmedo, a evolução recente do Brent sugere que o mercado está eliminando boa parte do prêmio de risco geopolítico que havia incorporado semanas atrás.

“A grande questão volta a ser o crescimento da economia mundial. Há apenas alguns dias, os investidores estavam atentos aos mapas militares; hoje, voltam a olhar para os indicadores econômicos”, acrescentou o analista.

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Nesse sentido, ele afirmou que, se a economia global mantiver um crescimento razoável, as empresas petrolíferas continuarão gerando lucros elevados, embora provavelmente sem grandes valorizações no mercado de ações.

Por outro lado, afirma que qualquer ameaça credível ao abastecimento proveniente do Golfo faria com que o setor reassumisse rapidamente seu papel tradicional de porto seguro em momentos de incerteza.

Com vistas aos próximos meses, Mieres considera que o desempenho do setor dependerá, em grande parte, do nível em que o preço do petróleo se estabilizar.

Um preço do Brent entre US$ 80 e US$ 85 favoreceria a expansão das margens das grandes petrolíferas, enquanto níveis próximos a US$ 70 poderiam gerar dúvidas sobre a sustentabilidade das recompras de ações e dos dividendos.

Em contrapartida, uma alta do preço do petróleo bruto para US$ 90 ou US$ 100 por barril, decorrente de um agravamento do acordo entre Washington e Teerã, poderia reverter as recentes quedas no mercado de ações.

“Esperamos que o mercado seja mais seletivo e valorize balanços sólidos, baixos custos de produção e dividendos sustentáveis”, concluiu.

A OPEP prevê que a demanda mundial por petróleo aumente para 113,3 milhões de barris por dia em 2030 e para 124,1 milhões de barris por dia em 2050, em comparação com os 105,1 milhões de barris previstos para 2025.

De acordo com o recente relatório da OPEP, os maiores aumentos no crescimento da demanda por petróleo nas próximas décadas virão da Ásia, do Oriente Médio, da África e da América Latina.

A projeção indica que a demanda por petróleo na América Latina aumentará de quase 7 mb/d em 2025 para 9,7 mb/d em 2050.

“A magnitude das necessidades energéticas da humanidade exige um investimento sustentado em todos os setores energéticos e tecnológicos”, afirmou em um comunicado o secretário-geral da OPEP, Haitham Al Ghais. “Somente no setor petrolífero, serão necessários investimentos de US$ 17,7 trilhões entre 2026 e 2050 — ou mais de US$ 700 bilhões por ano — para atender à demanda de longo prazo.”

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