Bloomberg Línea — Enquanto o e-commerce consolidou métricas precisas de dados de origem das vendas, taxa de conversão e comportamento do consumidor, os postos de combustíveis tradicionais ainda operam sem uma ampla visão do potencial de negócios que podem ser gerados com inovação, com destaque para a inteligência artificial.
Esta é a visão do vice-presidente de Gente, Tecnologia e ESG da Vibra (VBBR3), Aspen Andersen. Ele acrescenta que, no mercado tradicional, o revendedor sabe quanto vendeu ao final do dia, mas perde potenciais vendas significativas.
“O posto do futuro deixa de ser apenas um ponto de abastecimento tradicional para operar como um ecossistema tecnológico inteligente, focado em eficiência e no desenvolvimento de um portfólio de soluções renováveis e descarbonização”, afirmou em entrevista à Bloomberg Línea.
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Ele diz que revendedores do mercado ainda têm dificuldades para identificar o potencial que existe dentro e fora de seus estabelecimentos.
A Vibra, que licencia a marca de postos de combustíveis da Petrobras (PETR3, PETR4), lançou a nova fase da sua plataforma de varejo batizada de Posto 360 2.0, que utiliza IA com ecossistemas de startups para identificar oportunidades de negócios nos postos. A tecnologia já gerou mais de R$ 100 milhões em produtividade, e o grupo projeta que a plataforma deve chegar a 1.100 pontos de venda até o fim de 2026.
A plataforma opera com câmeras equipadas com tecnologia de leitura automática de placas, que capturam informações tanto nas vias de acesso quanto no interior dos postos.
Com a camada de IA, o sistema passa a identificar padrões de comportamento, horários de maior movimento e o perfil da frota, como idade dos veículos, modelos e tipo de combustível utilizado, permitindo decisões mais precisas sobre oferta, escala de equipes e serviços.
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Segundo Andersen, a estratégia de implantação da plataforma é gradual e escalável. Atualmente, cerca de 700 postos já contam com a infraestrutura de câmeras instaladas. “O nosso objetivo de longo prazo é democratizar essa inteligência, expandindo para 100% da base instalada”, diz.
Ele conta que a inspiração do projeto veio da necessidade de quebrar o paradigma tradicional do setor e liderar a transformação digital no varejo de combustíveis, transformando hardware comum (câmeras) em uma ferramenta estratégica de inteligência.
Neste contexto, o Posto 360 automatiza a captura e a leitura de placas, transformando imagens de fluxo de veículos em dados estruturados sem atrito operacional. Ao processar dados de fluxo e o perfil da frota, a plataforma apoia a gestão do ponto de venda e permite aumentar o fluxo de clientes, adequando o atendimento e as promoções ao movimento real e até a taxa de conversão entre o abastecimento e a loja de conveniência.
Para o curto prazo, o foco da equipe de tecnologia da empresa é acelerar a implantação e atingir a meta traçada até o final do ano.
Em um mercado cada vez mais competitivo, o executivo destaca que o sistema de IA aplicado à plataforma faz parte da estratégia de adição de valor para a rede. “A tecnologia gera valor na ponta para o revendedor, que capta esse ganho financeiro.”
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A proposta da Vibra é que, ao cruzar dados de veículos que apenas passam em frente ao posto com aqueles que efetivamente entram e consomem, o revendedor consiga personalizar ofertas, otimizar estoques e adequar o atendimento ao fluxo real de clientes.
A companhia afirma que deixou de olhar apenas para quem entra no posto para entender quem passa na rua. Isso significa usar a lógica de gestão orientada por dados, e não apenas estimativas.
Inovação e novas apostas
Andersen observa que o investimento em IA na Vibra é transversal e permeia toda a arquitetura corporativa. “Estamos expandindo o uso de IA em frentes altamente estratégicas, o que engloba o desenvolvimento de torres de controle operacionais, gêmeos digitais (digital twins) e agentes de IA que aumentam a eficiência operacional, focados no suporte à nossa força de vendas.”
Ele acrescenta que, para suportar essa evolução, a tecnologia ainda dependerá das pessoas. “Criamos a Academia de IA, um programa robusto de capacitação para nossos colaboradores, do nível operacional ao executivo”, diz.
Institucionalmente, explica, o pilar de automação e digitalização logística é tão prioritário que a companhia decidiu dedicar o Vibra Ventures, fundo corporativo de R$ 150 milhões criado em 2022, para mapear, investir e acelerar startups estrategicamente focadas em novos modelos de negócios e na automação da eficiência logística.
“A automatização é o vetor que nos dá escala e eficiência. O Posto 360 materializa isso na ponta”, diz Andersen .