Dasa faz o seu maior investimento em equipamentos de olho em próximo salto de expansão

Um dos grupos líderes em medicina diagnóstica do país fecha contrato de longo prazo com a Roche e outras empresas globais em plano para modernizar 18 núcleos técnico-operacionais, conta Leonardo Vedolin, VP Médico, à Bloomberg Línea

Núcleo Técnico-Operacional da Dasa (Foto: Divulgação)
13 de Fevereiro, 2026 | 05:00 AM

Bloomberg Línea — A Dasa começou a executar o que descreve como o seu maior investimento já realizado, para a renovação e a modernização de 18 Núcleos Técnico-Operacionais (NTOs) espalhados pelo país, em informação antecipada à Bloomberg Línea.

O investimento - de valor ainda não revelado - demandou o que é considerado uma das maiores concorrências do setor nos últimos anos e resultou na escolha de empresas globais como Roche, Abbott, Beckman Coulter, Mindray, Stago e QuidelOrtho como fornecedoras de equipamentos e tecnologia em contratos de longo prazo.

PUBLICIDADE

Ao mesmo tempo, reflete o novo momento da companhia controlada pela família Bueno e liderada pelo CEO, Rafael Lucchesi, com foco em medicina diagnóstica e a volta de uma agenda de crescimento, após anos em que um plano para conter e reduzir o endividamento e a alavancagem predominou na pauta.

Esse indicador estava em 2,62x o Ebitda dos últimos doze meses, em trajetória “consistente de desalavancagem” no terceiro trimestre, dado mais recente. Os números do quarto trimestre, que devem trazer também os valores do investimento, serão apresentados ao mercado no fim de março.

“Nunca havíamos feito um investimento desse tamanho antes. A decisão de realizar agora é porque encontramos um momento estratégico adequado, com uma condição de mercado que nos colocou em uma posição muito vantajosa em termos comerciais”, disse Leonardo Vedolin, vice-presidente Médico e Produção da Dasa, em entrevista à Bloomberg Línea.

PUBLICIDADE

“A expectativa é gerar valor no futuro, por pelo menos sete anos a dez anos em um nível muito elevado”, disse o executivo, citando tanto a frente de economia de escala como de inovação.

Leia mais: Dasa acelera expansão com agenda que vai de produtividade a novos produtos, diz CEO

O investimento envolve a renovação do equivalente a 70% do chamado core lab da Dasa, que realiza mais de 450 milhões de exames por ano, em processo iniciado em dezembro de 2024 com o alinhamento técnico de fornecedores e que durou seis meses.

PUBLICIDADE

O plano prevê a modernização de NTOs já existentes e o lançamento de outros em praças consideradas estratégicas, com a execução do plano ao longo de doze meses, até o fim deste ano de 2026.

“Vamos abrir um novo NTO em Brasília e temos planos de inaugurar neste ano em Belo Horizonte e expansão em Salvador, sem contar São Paulo e Rio, que são nossos carros-chefe. Ou seja, cinco grandes praças”, disse Vedolin.

Houve mudanças também em NTOs em outras localidades consideradas importantes, como Cascavel (Paraná) e Florianópólis (Santa Catarina).

PUBLICIDADE
Leonardo Vedolin, Vice-Presidente Médico e Produção da Dasa (Foto: Divulgação)

“Parte do processo que envolveu a equipe técnica foi entender a visão da companhia pelos próximos dez anos e entender quais os seus planos de médio e longo prazo”, disse o VP Médico e Produção.

Segundo Vedolin, “a grande entrega de valor é a capacidade de processamento por tempo”, com ganho de precisão e redução de horas para os resultados. “A tecnologia está avançando muito rapidamente no nosso setor.”

Isso se traduz de modo mais amplo na combinação de busca por eficiência e qualidade, com geração de valor e economia de escala para a Dasa.

A decisão do conselho e da direção da Dasa pelo investimento foi tomada diante de quatro conjuntos de fatores, segundo a liderança executiva da companhia.

“Há uma dinâmica de mercado do pós-pandemia diferente da que havia no passado, com incertezas e instabilidades que antes não existiam na cadeia de suprimentos global”, disse o executivo. “Temos que mitigar esses riscos.”

Leia mais: Fleury dobra investimento em tecnologia e resultados já são visíveis, diz CEO

O executivo apontou também fatores que classificou como de ordem “externa” ao setor, como juros mais altos e patamares mais elevados de inflação, que afetam desde indústrias que fornecem substâncias como reagentes aos prestadores de serviços médicos.

Há também o fator que envolve o advento de novas tecnologias que são incorporadas: “nós, como líderes de mercado, temos que oferecer o que há de mais inovador e de vanguarda para que possamos nos manter nessa condição”.

“Saber que iremos incorporar novas tecnologias, muitas das quais ainda não foram aprovadas ou descobertas, nos dá a certeza de que estaremos bem posicionados para esse futuro mais distante”, disse o VP Médico da Dasa.

Essas inovações, por sua vez, se concentram em três áreas estratégicas: oncologia, cardiologia e neurologia, que estão crescendo em ritmo muito acelerado.

“Há vários novos testes diagnósticos, como para tipos de câncer ou doenças metabólicas, que vão ajudar os médicos e os pacientes a terem as informações corretas mais rapidamente”, disse o executivo médico.

Vedolin, por outro lado, esclareceu que “não há uma nova tecnologia disruptiva que leve a uma grande transformação”.

Por fim, o quarto fator se relaciona com a própria estratégia mais recente da Dasa de priorizar a medicina diagnóstica como principal negócio, em particular depois do movimento concluído entre 2024 e 2025 de segregar o business de hospitais na Rede América, por meio de joint venture com a Amil.

Leia mais: Dasa reforça foco no ‘lab to lab’ em expansão em diagnósticos, diz executivo

Essa estratégia é executada por meio de canais que vão do B2C ao B2B, com atendimento a hospitais e a outros laboratórios, em frente denominada Álvaro Apoio que ganhou força dentro da companhia no ano passado, como contou a Bloomberg Línea em reportagem em setembro passado.

“São canais que nos aproximam de clientes que estão muito distantes dos grandes centros. Contar com uma capilaridade com níveis de serviço muito altos, por meio de movimentos de descentralização - produzir mais próximo do cliente -, faz muito sentido estratégico”, completou o médico e executivo.

No fim do dia, segundo o VP Médico, o investimento está alinhado com uma cultura já disseminada de busca de eficiência e de busca por inovação, que tem se refletido nos resultados da companhia sob a liderança do CEO.

Nos nove primeiros meses de 2025, o Ebitda consolidado chegou a R$ 2,137 bilhões, com aumento de 6,4 pontos percentuais na margem na base anual, para 24,0%. A geração de caixa operacional quase dobrou, para R$ 482 milhões.

As ações da Dasa (DASA3) negociadas na B3 subiram cerca de 135% nos últimos doze meses, o que atribui um valor de mercado de R$ 5,15 bilhões.

Novo contrato com a Roche

Vedolin contou que a empresa tomou a decisão de reduzir o número de parceiros fornecedores para buscar contratos de prazo mais longo.

“Tomamos essa decisão por acreditar que essa dinâmica de mercado com mais incertezas e menos previsibilidade vai continuar. Isso significa que é importante contar com players globais que tenham resiliência operacional.”

“Se o risco geopolítico afeta uma fábrica na Ásia, por exemplo, a empresa não pode ficar com falta de reagente. Preciso de players com capacidade de produção em diferentes partes do mundo”, disse o executivo citando um caso hipotético.

Outro fator levado em conta foi a capacidade de inovação, o que se traduz no fornecimento de equipamentos com novas tecnologias ao longo da parceria.

A principal empresa selecionada para a renovação dos equipamentos dos NTOs foi a Roche Diagnóstica, em contrato com duração de sete anos, que vai estender uma parceria iniciada em 2007.

“A parceria representa um marco histórico não apenas para o Brasil mas também para a Roche, sendo uma das maiores concorrências das quais a companhia já participou em todo mundo e a maior na América Latina”, afirmou Carlos Martins, CEO da Roche Diagnóstica no Brasil, em comunicado.

“A entrega para a Dasa vai muito além de equipamentos: estamos implementando um ecossistema de altíssima eficiência e inteligência laboratorial”, disse o executivo.

Leia também

Sabin avança com tecnologia e estratégia regional. ‘Há muita oportunidade’, diz CEO

Na Alliança Saúde, de Tanure, expansão passa por diferentes avenidas, diz novo CEO