Bloomberg Línea — A guerra no Irã elevou os preços do petróleo e acendeu um sinal de alerta para incorporadoras brasileiras: insumos atrelados ao combustível vêm registrando reajustes, e o mercado acompanha de perto o risco de pressão sobre as margens do setor.
Na Cyrela (CYRE3), o CFO Miguel Mickelberg admite que alguns insumos já encareceram, mas afirma que o efeito sobre os resultados ainda é limitado.
“Temos impacto de custos em alguns insumos. Precisamos aguardar o desdobramento dessa situação geopolítica, para ver o tamanho desse impacto, mas acredito ainda que não vai ser tão relevante”, afirmou em coletiva com jornalistas após a divulgação dos resultados da empresa nesta quinta-feira (14).
A expectativa da empresa é que a guerra gere um aumento de cerca de 1% no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) contra o movimento natural de alta, levando o indicador para um avanço na faixa entre 7% e 8% em 2026.
“A gente toma as precauções necessárias para que a empresa não corra riscos nesse cenário. Na média e alta renda, os contratos são corrigidos pelo INCC, por exemplo, o que ajuda a proteger o nosso resultado”, disse. “Tivemos, até agora, efeitos bastante limitados”.
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O cenário macroeconômico conta ainda com aumento da inadimplência entre as famílias e juros altos – sendo este último o maior ponto de atenção, na visão do CFO.
Ainda assim, Mickelberg não acredita que o cenário inibe as vendas ou o apetite da Cyrela para os lançamentos previstos para o ano.
“Temos conseguido operar bem, com boas velocidades de venda e boas margens. Por enquanto, estamos conseguindo navegar bem no mercado e não vamos mudar o nosso planejamento para o ano.”
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Queda no lucro no 1º tri
O lucro líquido da Cyrela no primeiro trimestre de 2026 foi de R$ 297 milhões, queda de 9% ante o mesmo período do ano anterior. O CFO atribui o recuo principalmente a fatores pontuais.
O primeiro fator foi o resultado financeiro. Em dezembro, a Cyrela pagou R$ 1 bilhão em dividendos extraordinários aos acionistas. Como o pagamento ocorreu na segunda metade do mês, o efeito sobre o quarto trimestre de 2025 foi de apenas 15 dias.
No primeiro trimestre de 2026, porém, a empresa operou os 90 dias inteiros com caixa mais baixo e dívida líquida mais alta, o que comprimiu o resultado financeiro, segundo o CFO. “Estava dentro do esperado para nós”, disse o executivo.
Outro elemento que pesou sobre as despesas do trimestre foi o encerramento de estandes de vendas durante o período de carnaval e férias escolares. A paralisação temporária de operações comerciais gerou um volume maior de depreciação concentrada no trimestre, elevando as despesas comerciais em 38% ante o primeiro trimestre de 2025.
O CFO classificou o efeito como atípico e sinalizou reversão nos próximos períodos. “Não acreditamos que esse efeito se repita ao longo do ano. [As despesas comerciais] deveriam voltar para um patamar um pouco abaixo”, disse.
O primeiro trimestre também foi marcado por uma redução no número de lançamentos da empresa, de 18 para 12 empreendimentos. A empresa lançou R$ 1,75 bilhão em valor geral de venda (VGV), queda de 48% sobre o mesmo período do ano passado.
Segundo Mickelberg, a questão foi um descompasso na base de comparação. O primeiro trimestre de 2025 havia sido atipicamente forte em lançamentos – R$ 3,4 bilhões, ante R$ 1,7 bilhão agora.
“Não é que a gente está sendo mais conservador e reduzindo muito o nosso lançamento. Estamos caminhando para ter um volume de lançamento dentro do nosso planejado e que não é tão diferente dos anos anteriores”, disse.
A fatia de alto padrão caiu dentro do VGV do primeiro trimestre, de 61% para 34%. Outro fator pontual, segundo o executivo, que deve se normalizar ao longo dos próximos trimestres.
A diferença é que a Cyrela vê mais espaço este ano para aumentar o foco na baixa renda. Hoje o segmento atendido pela marca Vivaz representa 30% do VGV da empresa, e a expectativa é de crescimento desse indicador para a faixa entre 35% e 39%.
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