Bloomberg — A Cosan não está mais diretamente envolvida nas negociações com a Shell para reestruturar a joint venture de açúcar e etanol Raízen, disse o CEO Marcelo Martins.
A Cosan acredita que a última estrutura proposta para a Raízen não resolve a “integridade” dos problemas da empresa, afirmou Martins na terça-feira, durante uma teleconferência de resultados.
Ele acrescentou que os credores agora discutem o futuro da Raízen com a Shell e que as conversas estão “evoluindo”.
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As ações da Cosan subiram até 6,8% no início do pregão em São Paulo, o maior avanço desde novembro. Já os papéis da Raízen caíram até 7,3%, e lideraram as perdas do índice Ibovespa.
Uma das maiores produtoras de biocombustíveis do Brasil, a Raízen enfrenta dificuldades com o aumento da dívida, enquanto as negociações entre os acionistas para uma capitalização se arrastam há meses.
Isso levou a alavancagem a níveis considerados insustentáveis por investidores. A Raízen disse recentemente que poderia entrar em um processo de reestruturação extrajudicial depois que as negociações entre Cosan e Shell sobre um plano de resgate fracassaram.
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Segundo Martins, Cosan e Shell divergiram sobre a possibilidade de separar as duas unidades de negócios da Raízen.
A Cosan defende que a unidade de açúcar e etanol seja separada do negócio de distribuição de combustíveis, pois essas atividades “são de natureza distinta do ponto de vista da alocação de capital”.
A Shell, por sua vez, argumentou que a solução ideal seria tentar primeiro recapitalizar a empresa.
Em coletiva de imprensa na semana passada, Cristiano Pinto da Costa, diretor da Shell no Brasil, disse que haveria riscos elevados em implementar a estratégia de divisão em um momento em que a empresa “ainda carece de estabilidade”.
A Raízen também tem enfrentado dificuldades com taxas de juros elevadas, colheitas mais fracas e investimentos pesados que ainda não geraram os retornos esperados.
A empresa registrou encargos de impairment de R$ 11 bilhões em seus resultados divulgados no mês passado, já que o aumento da dívida passou a representar um risco para as operações.
A Cosan registrou prejuízo líquido de 5,8 bilhões de reais no quarto trimestre, com a fraqueza da Raízen pressionando os resultados.
O grupo, que também atua em ferrovias, gás natural e lubrificantes, encerrou dezembro com dívida líquida de R$ 9,7 bilhões — 46% menor que no trimestre anterior após uma injeção de capital no fim de 2025.
As classificações de crédito da Cosan foram recentemente rebaixadas por diferentes agências em meio a preocupações com a Raízen.
A Cosan tem buscado vender parte de seus ativos para reduzir a dívida. Segundo Martins, a empresa não pretende vender uma participação total na operadora ferroviária Rumo.
Ele acrescentou que não há um tamanho específico de participação a ser vendido e afirmou que não existe pressão dos acionistas para vender ativos “a qualquer custo”.
--Com a ajuda de Leda Alvim.
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