Com Petrobras, JBS e Vale, Brasil lidera ranking das ‘multilatinas’, segundo o BID

País tem 42 empresas que se expandiram para o exterior, enquanto multinacionais latino-americanas já operam em 116 países, mas ainda enfrentam obstáculos à sua expansão, segundo relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento

Por

Bloomberg Línea — As empresas latino-americanas que expandiram suas operações para fora de seus países de origem já operam filiais em mais de 116 países, de acordo com um relatório recente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O relatório, intitulado Multilatinas em Movimento: características, motivações e diretrizes políticas, faz um mapeamento de 156 multilatinas listadas na bolsa de valores.

A maioria das empresas multinacionais latino-americanas concentra-se na indústria de manufatura (26,9%), com destaque para subsetores como o farmacêutico, siderúrgico, metalúrgico, cimenteiro e de peças automotivas, entre outros.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O segundo setor mais importante para as multilatinas é o de alimentos e bebidas (17,3%), seguido por energia e mineração (13,5%), serviços (12,2%) e comércio (10,3%).

De acordo com o relatório do BID, 34% das empresas multilatinas têm mais de 75 anos, 25,6% têm entre 51 e 75 anos, outros 25,6% têm entre 25 e 50 anos e 14,7% têm menos de 25 anos.

O BID indica que a maioria das empresas multilatinas estão legalmente sediadas em seus próprio países, enquanto uma parcela menor (13%) está sediada em mercados terceiros, especialmente em jurisdições com baixa tributação.

Entre elas, destacam-se as Bahamas, as Bermudas, os EUA (estado de Delaware), as Ilhas Cayman, as Ilhas Virgens Britânicas, o Luxemburgo e o Uruguai.

Leia também: LatAm não pode competir em IA só com mão de obra, diz presidente regional da Mercer

As principais motivações para a expansão internacional das multilatinas são o acesso a novos mercados, o fortalecimento da presença em regiões vizinhas e o aproveitamento das economias de escala nos países de destino.

Elas também buscam diversificar os riscos diante da instabilidade macroeconômica, regulatória e política em seus países de origem.

Multinacionais latino-americanas

De acordo com o BID, a maioria das empresas latino-americanas que se expandiram para o exterior tem origem nos seguintes países:

  • Brasil: 42 (26,9%)
  • México: 32 (20,5%)
  • Chile: 30 (19,2%)
  • Argentina: 20 (12,8%)
  • Colômbia: 10 (6,4%)
  • Peru: 5 (3,2%)
  • Bolívia: 3 (1,9%)
  • Paraguai: 3 (1,9%)
  • Costa Rica: 2 (1,2%)
  • Equador: 2 (1,2%)
  • Jamaica: 2 (1,2%)
  • Uruguai: 2 (1,2%)
  • Barbados: 1 (0,6%)
  • Panamá: 1 (0,6%)
  • Trinidad e Tobago: 1 (0,6%)

Leia também: Como a Espanha se tornou um ‘trampolim’ de expansão das multinacionais de LatAm

Com base no faturamento de 2023, o BID indicou que as 10 principais empresas multilatinianas da região são:

  • Petrobras (PETR4) (Brasil): US$ 102,409 bilhões
  • Grupo JBS (JBS) (Brasil): US$ 72,918 bilhões
  • Cosan-Raizen (RAIZ4) (Brasil): US$ 50,778 bilhões
  • América Móvil (AMX) (México): US$ 48,102 bilhões
  • Vale (VALE) (Brasil): US$ 41,784 bilhões
  • Ecopetrol (ECOPETL) (Colômbia): US$ 36,885 bilhões
  • Marfrig (Brasil): US$ 28,191 bilhões
  • Grupo Bimbo (BIMBOA) (México): US$ 23,571 bilhões
  • Empresas Copec (COPEC) (Chile): US$ 21,341 bilhões
  • Grupo Techint-Ternium (TXAR) (Argentina): US$ 17,61 bilhões

DNA das multilatinas

O BID afirma que, em comparação com suas contrapartes globais ou com empresas de outras regiões emergentes, as multilatinas são muito menores em termos de emprego e faturamento.

De modo geral, as empresas do Brasil e do México são as de maior porte relativo, em consonância com o peso de suas economias, indica o relatório.

Cerca de 45% dessas empresas na região têm até 10.000 funcionários.

Existem apenas 13 empresas com mais de 50.000 funcionários.

Consequentemente, o BID indica que 78% do emprego total se concentra em empresas com mais de 20.000 funcionários.

No que diz respeito ao faturamento, verifica-se que apenas 15,6% faturam mais de US$ 10 bilhões.

E 49% das empresas faturam menos de US$ 2 bilhões.

O Brasil é o país cujas empresas registram as maiores vendas em média, com cerca de US$ 11 bilhões, seguido pelo México, com mais de US$ 7 bilhões, e pela Colômbia, com mais de US$ 6,5 bilhões.

Os dois setores com as maiores médias de vendas por empresa são telecomunicações (mais de US$ 19 bilhões) e energia e mineração (mais de US$ 14 bilhões).

Estima-se que, entre 2013 e 2023, as multilatinas tenham realizado, em média, mais de 320 projetos de investimento greenfield por ano, impulsionados por cerca de 220 empresas.

Nesse período, investiram, em média, mais de US$ 14 bilhões por ano e geraram cerca de 43 mil empregos por ano.

Em 2023, a América Latina e o Caribe foram o principal destino dos investimentos das empresas multilatinas, concentrando 50% do capital.

A região Ásia-Pacífico ficou em segundo lugar, com 21%, impulsionada principalmente por empresas do Brasil, do México e do Chile.

De acordo com o relatório do BID, as políticas públicas podem atuar como catalisadoras, especialmente para empresas de médio porte com grande potencial, mas com menor capacidade organizacional.

“As evidências sugerem que ambientes regulatórios estáveis, programas de financiamento competitivo, serviços de facilitação e apoio à entrada nos mercados-alvo e mecanismos de coordenação público-privada são elementos fundamentais”, conclui o BID.