Bloomberg Línea — A Chilli Beans renegocia com bancos credores o alongamento dos prazos de pagamento e a redução dos juros de sua dívida, segundo nota divulgada nesta segunda-feira (31).
A rede de óculos e acessórios, uma das maiores do Brasil, afirma que não há nenhuma discussão sobre eventual processo de recuperação judicial e diz que as tratativas seguem em negociação amigável em estágio avançado.
O posicionamento da companhia nega o conteúdo de notícias publicadas na imprensa nesta segunda-feira sobre uma possível iminência de um pedido de proteção judicial.
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“Para auxiliar a empresa neste projeto, o executivo André Dela Togna assumirá, no dia 1 de outubro, como vice-presidente da companhia, apoiando operacionalmente o CEO, Caito Maia, que pretende se dedicar cada vez mais aos clientes e franqueados”, acrescentou a nota.
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Maia é uma figura conhecida do empreendedorismo brasileiro, que costuma ser descrito no material de divulgação da companhia como um “rockstar dos negócios”.
O empresário abriu a primeira loja em 1997 e introduziu o autoatendimento no varejo óptico, segundo a empresa, que também destaca sua atuação como apresentador de programa na rádio 89FM, autor e integrante do elenco do reality Shark Tank Brasil.
Dela Togna se apresenta no LinkedIn como executivo de reestruturações. Foi sócio da Galeazzi & Associados, consultoria de turnaround, entre 2017 e 2022.
Antes disso, ele foi CEO da Paquetá The Shoes Company, a calçadista gaúcha que passou por recuperação judicial. Desde agosto de 2023 comandava a Ledervin, fabricante de laminados plásticos. É formado pela FGV.
Emissão de R$ 100 mi e crédito com BNDES
A companhia não forneceu detalhes do endividamento, como valor do passivo e prazos, nem da negociação, como os nomes dos bancos credores.
Parte dessa dívida, porém, é pública. Em fevereiro de 2025, a Mustang 25 Participações, a holding com sede em Barueri que centraliza as operações do grupo, tomou até R$ 100 milhões por meio de notas comerciais escriturais securitizadas pela Vert Companhia Securitizadora e distribuídas como debêntures a investidores profissionais, com o Banco Modal na coordenação líder e a UBS BB como coordenadora, segundo o aviso ao mercado da oferta.
Os papéis são da espécie quirografária, ou seja, dívida sem garantia real, o que coloca esses credores atrás dos que têm garantia em caso de reestruturação.
A oferta também informa que as debêntures não seriam avaliadas por agência de classificação de risco e que a concentração dos direitos creditórios é de devedor único, com todo o risco apoiado numa única pagadora.
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A operação seguiu o rito de registro automático de distribuição previsto na Resolução 160 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que dispensou prospecto, lâmina e análise prévia do regulador e da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), e restringiu a compra a investidores profissionais.
Dois meses depois, em abril de 2025, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) contratou um limite de crédito de R$ 30 milhões com a rede, destinado a capital de giro e ao repasse de recursos a 235 franqueados e a micro, pequenas e médias empresas da cadeia produtiva que não pertencem ao grupo, segundo o banco de fomento.
Na nota à imprensa, a Chilli Beans buscou mostrar que a renegociação de sua dívida com credores não estaria afetando aparentemente suas operações. Em fevereiro, a empresa divulgava ter mais de 1.000 pontos de venda e falava em um projeto de abertura de mais 400 lojas, apostando no setor de franquias.
“Com resultados recordes no último Dia dos Pais, a companhia projeta crescimento de 10% neste ano e já prepara lançamentos especiais em homenagem às trajetórias de diversos artistas”, citou a nota.
A varejista também acrescentou, sem fornecer detalhes, que “parcerias com grandes marcas da moda e iniciativas com foco regional também estão em desenvolvimento”.
A renegociação da Chilli Beans amplia a lista de empresas alavancadas que buscam reestruturar seus vencimentos, incluindo por meio da recuperação judicial ou extrajudicial. Em agosto, o Grupo Casas Bahia (BHIA3) entrou em recuperação judicial por uma dívida de R$ 17,3 bilhões.
Renegociar prazo e taxa, como admitiu a Chilli Beans, é considerada uma reestruturação de dívida feita fora do tribunal. Isso preserva contratos, evita o desgaste de um pedido em juízo e mantém fornecedor e franqueado na mesa. Mas as negociações não costumam reduzir o saldo devedor. Empurram o vencimento para a frente e transfere para os próximos anos a conta que a operação não está conseguindo pagar agora.
A crise da rede não vem de retração do setor. O mercado óptico brasileiro faturou R$ 28,079 bilhões em 2025, alta de 4,15% sobre os R$ 27 bilhões de 2024, e cresceu 3% no primeiro trimestre deste ano, com R$ 7,338 bilhões em vendas, segundo a Abióptica (Associação Brasileira da Indústria Óptica), entidade que reúne mais de 230 empresas e diz responder por 95% das marcas comercializadas no país.
O setor emprega cerca de 190 mil pessoas em 71.226 pontos de venda, e a projeção da associação para 2026 é de crescimento em torno de 5%.
A Chilli Beans afirma deter 25% do mercado brasileiro de óculos escuros, segundo material institucional da companhia, e disputa o varejo óptico com redes como Óticas Carol e Óticas Diniz, além da Chilli Beans Ótica, criada em 2019 para o segmento de grau.
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