Bloomberg — A Chevron está em negociações para expandir suas operações na Venezuela, o mais recente sinal de como os interesses norte-americanos estão tentando reforçar seu domínio sobre o setor petrolífero daquele país latino-americano.
A empresa sediada em Houston está negociando a incorporação de dois novos campos de petróleo às suas operações no país, segundo pessoas a par do assunto, que pediram para não serem identificadas, uma vez que as negociações não são públicas.
Outras empresas de energia dos EUA também estão em negociações para realizar novos investimentos no setor, afirmaram elas. A Chevron se recusou a comentar.
As negociações ocorrem no momento em que o governo Trump negocia com líderes venezuelanos a aquisição de uma participação significativa nos campos de petróleo do país, que estão entre os maiores do mundo.
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Estão sendo discutidos contratos de arrendamento de até 100 anos para vários campos de petróleo, segundo fontes a par do assunto.
O possível acordo — que tem pouco ou nenhum precedente histórico — surge depois que as forças dos EUA destituíram Nicolás Maduro em janeiro e efetivamente entregaram o controle da Venezuela à sua ex-vice-presidente Delcy Rodríguez, que desde então se aliou ao governo Trump.
Nos meses seguintes, o presidente Donald Trump tem pressionado as empresas americanas a reconstruírem a indústria petrolífera do país.
Resta saber, no entanto, com que rapidez a produção venezuelana poderá crescer, à medida que a Chevron e outras produtoras se preparam para assinar novos contratos de petróleo.
Embora o país possua algumas das maiores reservas do mundo, as produtoras terão de lidar com infraestrutura degradada, fornecimento de eletricidade instável e passivos ambientais herdados do passado.
Analistas e especialistas do setor afirmam que pode levar mais de uma década para restaurar a produção aos cerca de 3 milhões de barris por dia que a Venezuela extraía antes de sua indústria petrolífera iniciar um colapso que já dura décadas.
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Enquanto isso, algumas figuras proeminentes da Venezuela — incluindo o professor da Universidade de Harvard e ex-ministro venezuelano Ricardo Hausmann — estão questionando a constitucionalidade de uma potência estrangeira assumir o controle das reservas do país.
A Chevron já possui joint ventures com a empresa estatal de petróleo da Venezuela e é a única grande petrolífera norte-americana em atividade no país.
Atualmente, a empresa é responsável por cerca de um quinto da produção de petróleo da Venezuela.
Ela está presente no país há décadas, tendo permanecido lá após o governo ter expropriado ativos pertencentes à ExxonMobil Holdings e à ConocoPhillips em 2007.
O Wall Street Journal informou anteriormente que a Chevron estava em negociações para expandir suas operações na Venezuela.
O jornal também afirmou que outras empresas estavam prestes a fechar acordos para investir na Venezuela e que a Halliburton está em negociações para levar equipamentos de petróleo para o país.
Autoridades americanas estão discutindo contratos de arrendamento com duração de até 100 anos para vários campos petrolíferos venezuelanos, de acordo com pessoas a par do assunto.
Obter maior acesso às vastas reservas de petróleo da Venezuela aumentaria o abastecimento dos EUA em um momento de intensa volatilidade do mercado causada pela guerra no Irã e pelos esforços de Teerã para restringir o tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz.
Isso também poderia ajudar, já que os EUA enfrentam dificuldades para reabastecer sua Reserva Estratégica de Petróleo, que está em cerca de 41% da capacidade, seu nível mais baixo em mais de quatro décadas.
Desde a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, Washington tem controlado as vendas de petróleo venezuelano, ao mesmo tempo em que flexibilizou as sanções para permitir que empresas americanas e contratadas de campos petrolíferos realizem negócios no país.
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A produção de petróleo venezuelana já aumentou em quase 300 mil barris por dia desde a destituição de Maduro, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
Mais produção poderá ser liberada depois que produtores estrangeiros finalizarem novos contratos com o governo de Delcy Rodríguez. A gigante do setor petrolífero SLB e a produtora independente Hunt Oil assinaram contratos com o governo venezuelano neste mês.
--Com a colaboração de Fabiola Zerpa, Mie Dahl e Eric Martin.
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