Braskem ampliará produção para ganhar mercado após conflito no Oriente Médio

Após ampliar sua influência na administração da Braskem, a Petrobras defende elevar a eficiência das plantas e aproveitar a janela para ganhar mercado, segundo disse em entrevista à Bloomberg News William França, diretor executivo da Petrobras e membro do conselho da Braskem

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Bloomberg — A Braskem, gigante petroquímica fortemente endividada e em busca de recuperação extrajudicial, continuará a aumentar a produção mesmo com a queda dos preços em decorrência do acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã.

Um membro do conselho da Braskem afirmou esperar que as plantas petroquímicas danificadas pelo conflito no Oriente Médio levem em torno de 12 a 18 meses para voltar a operar, criando uma oportunidade para ganhar mercado.

“A ideia é monetizar e nos prepararmos para o próximo ciclo de alta”, disse William França, diretor executivo da Petrobras, recentemente eleito para o conselho da Braskem, em entrevista à Bloomberg News.

França acrescentou que o mercado petroquímico global, que permanece mergulhado em um ciclo de baixa que já dura anos, tende a se recuperar significativamente a partir de 2028.

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Os preços globais dos produtos petroquímicos dispararam quando os Estados Unidos e Israel lançaram seus ataques no final de fevereiro, levando o Irã a fechar o Estreito de Ormuz e bloquear o fluxo de produtos petroquímicos do Golfo Pérsico. Os preços, no entanto, caíram à medida que o governo americano e o Irã se aproximavam de um acordo de paz, com o etileno à vista recuando 4,1% na semana passada.

A Braskem se empenhou em aumentar a produção durante o conflito e elevou a eficiência geral de suas plantas para cerca de 70%, afirmou França, responsável pelas refinarias e processos industriais da Petrobras . A empresa química pretende aumentar esse índice de eficiência para 85% até dezembro, acrescentou.

A Braskem não quis comentar.

A empresa petroquímica e seus acionistas controladores, a empresa brasileira de private equity IG4 Capital e a Petrobras, estão tendo dificuldades para obter apoio suficiente de credores para prosseguir com uma proposta de reestruturação extrajudicial, reportou a Bloomberg. A falta de um acordo aumentaria as chances de uma medida cautelar contra credores.

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França ingressou no conselho da Braskem no início deste mês como parte de um acordo com a IG4 Capital, que assumiu a fatia de controle do conglomerado Novonor. A Petrobras, que detém uma participação minoritária significativa na Braskem, ampliou sua influência sobre a gestão da petroquímica como parte do novo acordo de acionistas.

A presidente da Petrobras Magda Chambriard assumiu a liderança do conselho da Braskem, enquanto o diretor financeiro Fernando Melgarejo também passou a compor o órgão. A empresa petrolífera também nomeou os diretores de operações e de logística da Braskem.

Com mais poder na empresa, a estatal brasileira de petróleo busca novas formas de trabalhar com a Braskem, incluindo o fornecimento de mais etano, matéria-prima, afirmou França.

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A Petrobras também quer que a Braskem forneça mais hidrogênio para refino e está em negociações com fornecedores dos Estados Unidos por melhores condições de compra de nafta, acrescentou França.

Enquanto isso, a IG4 lidera as negociações da dívida com os credores da Braskem, disse Melgarejo.

“A IG4 toma a frente do que é externo à companhia”, disse o diretor financeiro da Petrobras em entrevista. “A Petrobras não vai se envolver com nada de estrutura de capital. Dentro da companhia, operacionalmente, é Petrobras.”

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