Braskem busca tutela cautelar protetiva após dificuldade em negociação de dívidas

Gigante petroquímica havia buscado apoio dos credores para iniciar uma reestruturação extrajudicial antes dos pagamentos da dívida previstos para julho, e diz que busca solução consensual

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Bloomberg — A gigante petroquímica brasileira Braskem (BRKM5) entrou com um pedido de tutela cautelar protetiva contra credores depois que as conversas para uma solução extrajudicial para seus crescentes problemas de endividamento enfrentaram obstáculos.

A Braskem, sob nova administração desde que a IG4 Capital comprou uma participação de controle da Novonor, disse num comunicado na quinta-feira (25) que considerou os termos da mais recente proposta apresentada pelos investidores “inaceitáveis”, decidindo buscar proteção judicial para continuar a tentar uma “solução consensual, abrangente e ordenada para sua estrutura de capital”.

“As medidas se aplicam exclusivamente aos credores financeiros da empresa e foram solicitadas com o objetivo de preservar um ambiente estável para a continuidade das negociações em andamento exclusivamente com esses credores”, disse a Braskem no comunicado.

O conselho da empresa também aprovou, se necessário e no momento oportuno, a adoção de medidas de proteção semelhantes fora do Brasil, acrescentou.

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A petroquímica reportou dívidas financeiras de cerca de US$ 9,5 bilhões em abril — um número que inclui títulos em dólar, dívida bancária, instrumentos de dívida locais e outras obrigações financeiras.

O pedido é um momento decisivo para a Braskem, outrora vista como a joia da coroa da Novonor — o conglomerado anteriormente conhecido como Odebrecht, que foi engolfado pelo escândalo de corrupção da Lava Jato, que derrubou elites políticas e empresariais por toda a América Latina há uma década.

Também marca um período desafiador para as empresas brasileiras, que enfrentaram pressão crescente de juros de dois dígitos.

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Os títulos em dólar da empresa com vencimento em 2033, alguns dos mais líquidos, caíram até 2,6 centavos antes de reduzir as perdas, segundo dados da Trace compilados pela Bloomberg. Suas ações caíram mais de 10%, para o menor nível desde novembro.

Ações da Braskem (BRKM5)

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As ordens de proteção emergencial no Brasil costumam blindar a empresa por 60 dias, dando-lhe mais tempo para conseguir que um número suficiente de credores concorde com uma reestruturação extrajudicial — um processo visto como mais rápido e menos custoso que um pedido de recuperação judicial.

A empresa havia buscado apoio dos credores para iniciar uma reestruturação extrajudicial antes dos pagamentos de dívida programados para julho, disseram pessoas familiarizadas com o assunto à Bloomberg News no início deste mês.

Ela apresentou aos credores uma proposta que incluía estender os prazos de vencimento da dívida, reduzir os pagamentos de cupons e conceder períodos adicionais de carência.

‘Totalmente insatisfatória’

Segundo materiais tornados públicos na quinta-feira, um grupo ad hoc de detentores de títulos descreveu essa proposta como “totalmente insatisfatória”, argumentando que o conceito de uma redução de cupom era “inédito” numa reestruturação de dívida corporativa e “põe em questão a seriedade com que a companhia conduziu sua abordagem para negociar”.

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Os credores também pediram contribuições maiores dos acionistas, opuseram-se a extensões de prazo além do necessário para atender às necessidades de liquidez e estrutura de capital da empresa, e buscaram salvaguardas mais rígidas sobre o uso de caixa durante as negociações.

A Braskem, por sua vez, disse que a contraproposta dos credores “não era aceitável” e reafirmou seu compromisso de continuar as negociações rumo a uma reestruturação consensual.

“A Braskem precisa de uma solução que resolva tanto os problemas de seu balanço quanto os de fluxo de caixa”, escreveu Bevan Rosenbloom, da Seaport, numa nota. “Normalmente, uma simples conversão parcial em ações seria o desfecho provável, mas é improvável que os acionistas apoiem tal opção.”

Impulso do Oriente Médio

A Braskem viu seu caixa diminuir após um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e vários anos difíceis de preços deprimidos no setor petroquímico. Documentos divulgados na quinta-feira mostram que ela enfrenta cerca de US$ 3,7 bilhões em serviço da dívida entre julho de 2026 e dezembro de 2027, antes do vencimento de seu título em janeiro de 2028.

O conflito no Oriente Médio proporcionou um impulso inesperado, ajudando a gerar um retorno de 31% em seus títulos em dólar desde o início de março, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Os ganhos marcaram uma reviravolta acentuada para uma dívida que despencou no ano passado, depois que a empresa contratou assessores para revisar sua estrutura de capital, e levaram bancos como Barclays e JPMorgan Chase a elevar suas recomendações sobre os títulos e as ações da empresa, respectivamente.

Numa entrevista à imprensa no início deste mês, o CEO da Braskem, Helcio Tokeshi, citou preços e demanda mais fortes no setor petroquímico ligados ao conflito no Oriente Médio, dizendo que “o momento ajuda”.

Mas seus títulos já começaram a devolver parte dos ganhos recentes conforme o petróleo recuou em meio a perspectivas melhores de um acordo de paz, deixando os investidores novamente focados nas negociações de reestruturação de dívida cada vez mais intensas.

Apesar da melhora nos spreads petroquímicos, a estrutura de capital da empresa permanece “insustentável”, disse Marcelo Pappiani, diretor da Fitch Ratings.

-- Reportagem atualizada para incluir mais informações de contexto.

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