Bilionários da Lego planejam ampliar investimentos em reciclagem de plástico

Em entrevista à Bloomberg News, CEO da Kirkbi Climate, unidade de investimentos da holding da Lego, disse que pretende dobrar o portfólio de US$ 1,6 bilhão em cinco anos, com reciclagem entre as prioridades

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Bloomberg — O fundo que administra o patrimônio dos bilionários dinamarqueses por trás da Lego pretende ampliar significativamente os investimentos em tecnologias de plásticos, à medida que a Europa se prepara para aplicar regras de reciclagem muito mais rigorosas.

A unidade de clima da Kirkbi planeja dobrar o tamanho de seu portfólio de US$ 1,6 bilhão nos próximos cinco anos.

A reciclagem de plásticos representará “uma área na qual planejamos investir fortemente”, afirmou Anupam Bhargava, CEO da Kirkbi Climate, em entrevista à Bloomberg News.

A União Europeia estabeleceu o prazo de 2030 para que todas as embalagens sejam recicláveis. A exigência — conhecida como Regulamento da UE sobre Embalagens e Resíduos de Embalagens (PPWR) — faz parte de um conjunto mais amplo de medidas destinadas a reduzir as emissões de carbono e os resíduos na UE.

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As novas regras “gerarão maior confiança para investidores como nós de que o mercado acabará por amadurecer”, afirmou Bhargava.

“Podemos nos lançar nesse mercado sabendo que a economia de mercado ainda não funciona hoje, mas se não houver perspectiva de que ela venha a funcionar algum dia, então isso se torna muito difícil.”

A cada ano, são gerados cerca de 35 quilogramas (77 libras) de resíduos de embalagens plásticas por pessoa, a maioria dos quais é produzida a partir de combustíveis fósseis importados, de acordo com estimativas da UE.

No entanto, a reciclagem como área de negócios tem sido há muito tempo prejudicada, devido a uma combinação de baixo investimento e preços petroquímicos teimosamente competitivos, que tornaram o plástico virgem mais barato do que o reciclado.

Hoje, “não há solução em que se possa investir em uma empresa de tecnologia e que isso produza resultados surpreendentes”, afirmou Bhargava. Isso porque as empresas envolvidas na reciclagem atuam “em uma cadeia de valor que atualmente é altamente fragmentada e pouco eficiente”.

Com os prazos da regulamentação sobre embalagens se aproximando, no entanto, “o setor precisa se preparar agora”, afirmou Bhargava.

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A Kirkbi é a holding do grupo Lego, cujos blocos de montar de plástico coloridos são vendidos em todo o mundo. A empresa administrava 189 bilhões de coroas (US$ 29 bilhões) em ativos no final do ano.

A Kirkbi Climate, que investe na transição energética e no uso do solo, além da reciclagem de plásticos, tem 10 bilhões de coroas sob gestão. Os investimentos futuros serão divididos aproximadamente entre energia e reciclagem, com foco em alguns países da UE e em plásticos, afirmou Bhargava.

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Após mais de uma década de investimentos em clima, o fundo está agora adotando uma abordagem mais ativa, buscando participações em empresas grandes o suficiente para exercer “influência real” nos conselhos de administração, disse ele. Isso vem na sequência de uma decisão tomada no ano passado de separar os investimentos em clima em uma unidade distinta.

“A ideia da família era que, se quisermos ajudar a resolver as questões climáticas em grande escala, precisamos ser criadores de negócios”, disse Bhargava. “E isso significa investir de uma maneira bem diferente.”

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