Bem-vindo aos anos 50: produção da Stellantis na Itália cai ao menor nível em 7 décadas

Produção recua 25% em 2025, para patamares não vistos desde os tempos da Fiat em meados da década de 1950, em momento de intensa pressão política para que o grupo automotivo mantenha as fábricas locais em funcionamento

O Fiat 500 híbrido é uma das apostas da marca para reviver a produção, dado que o modelo 100% elétrico não teve a demanda esperada
Por Albertina Torsoli
07 de Janeiro, 2026 | 12:56 PM

Bloomberg — A produção de automóveis da Stellantis na Itália caiu quase 25% no ano passado e atingiu os níveis da Fiat em meados da década de 1950, o que destaca a luta da tradicional marca para reviver a produção em um momento de intensa pressão política para manter as fábricas em funcionamento.

Uma recuperação no quarto trimestre impediu um declínio ainda mais acentuado, disse o sindicato italiano FIM-CISL na quarta-feira (7) em um evento para a imprensa em Turim, antes dos números oficiais da montadora. Até setembro, a produção de carros de passeio havia caído 36% no acumulado do ano.

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A produção total, incluindo vans, caiu 20%, para 379.706 unidades no ano passado, disse o sindicato, sendo que os carros de passeio responderam por 213.706 delas.

Em 1955, quando a empresa “predecessora” da Stellantis, a Fiat, era a produtora mais importante, 230.988 carros foram fabricados no país.

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A Stellantis começou a aumentar a produção do novo Fiat 500 híbrido em Turim nos últimos meses do ano, bem como de um novo Jeep Compass no sul da Itália, para substituir modelos antigos e reforçar a produção.

Ferdinando Uliano, secretário geral da FIM-CISL, disse que espera que esses modelos ajudem a impulsionar a melhoria contínua dos níveis de produção em 2026.

A Stellantis, fabricante de marcas do mercado de massa como Fiat, Peugeot e Opel, procurou abordar as preocupações levantadas pelo governo da primeira-ministra Giorgia Meloni sobre a queda da produção local depois que o ex-CEO Carlos Tavares transferiu a produção para países de custos mais baratos, como o Marrocos.

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O grupo tem como meta a produção anual de 100 mil Fiat 500s híbridos como forma de abastecer sua fábrica de Mirafiori, em Turim, como uma espécie de “tábua de salvação” ao centro histórico da Fiat, depois que a demanda pelo 500 totalmente elétrico não conseguiu se firmar.

O crescimento nas últimas semanas de 2025 ajudou a Stellantis a aumentar a produção em 17% no ano inteiro. A produção em todas as outras fábricas italianas registrou quedas percentuais de dois dígitos, com a produção em Melfi, no sul da Itália, caindo quase pela metade.

A produção geral na Itália caiu cerca de 50% de um recorde recente de mais de 750 mil unidades em 2023, disse o sindicato. A produção no país ultrapassou 1 milhão durante anos, antes de cair nos últimos tempos.

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O novo CEO, Antonio Filosa, que assumiu o cargo em junho de 2025, tentou tranquilizar o governo sobre seu compromisso com a Itália em um momento em que o grupo também está investindo pesadamente nos EUA.

A Stellantis prometeu mais de 7 bilhões de euros (US$ 8,2 bilhões) em pedidos no ano passado a fornecedores que têm presença no país. Também investiu 2 bilhões de euros em suas fábricas na Itália em 2025, disse Filosa no mês passado.

A Stellantis, com seu portfólio com 14 marcas, não é o único grupo automotivo que sofre com o excesso de capacidade de produção na Europa.

As marcas do grupo enfrentam a concorrência cada vez maior das montadoras chinesas, como a BYD. A empresa também começou a vender veículos da parceira Zhejiang Leapmotor por meio de seus distribuidores europeus - e também no Brasil.

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A Stellantis deve acelerar a tomada de decisões em várias de suas fábricas com problemas, como Cassino - onde a produção foi interrompida por 105 dias no ano passado - e Termoli, no sul da Itália, disse Uliano.

O grupo também expressou preocupações de que a demanda pelo Fiat Pandina produzido em Melfi possa ser prejudicada pelo carro urbano TO3 da Leapmotor e por um modelo maior do Panda.

A empresa deverá apresentar seu novo plano estratégico no primeiro semestre deste ano.

-- Com a colaboração de Flavia Rotondi.

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