AstraZeneca e Insitro assinam acordo de US$ 1,86 bi para pesquisar medicamentos com IA

Farmacêutica fará um pagamento inicial de US$ 40 milhões, e a empresa de biotecnologia especializada em machine learning usará dados de ambas as companhias para entender melhor a esteatose hepática e doenças do músculo cardíaco

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Bloomberg — A AstraZeneca está colaborando com a Insitro, empresa de biotecnologia especializada em machine learning, em um acordo avaliado em até US$ 1,86 bilhão, com o objetivo de ajudar a farmacêutica britânica a desenvolver novos medicamentos para o fígado e o coração.

A Astra fará um pagamento inicial de US$ 40 milhões, informou a empresa nesta quinta-feira. A Insitro utilizará seus próprios dados, bem como os da Astra, para ajudar a compreender melhor as causas da esteatose hepática e das doenças do músculo cardíaco.

Caso a abordagem seja bem-sucedida, a empresa de biotecnologia poderá receber pagamentos adicionais no valor de até US$ 1,46 bilhão, além de possíveis royalties sobre as vendas.

O acordo marca a mais recente aposta da indústria farmacêutica de que a IA pode ajudar a descobrir rapidamente novos alvos terapêuticos. A Insitro já havia anunciado acordos de pesquisa com a Eli Lilly (LLY) e a Bristol-Myers Squibb. A empresa de biotecnologia da Califórnia conta com a Andreessen Horowitz, a BlackRock e a Temasek entre seus investidores.

A Insitro utiliza sua plataforma de IA para pesquisar tanto dados clínicos quanto modelos de doenças. Seu objetivo é alcançar uma nova compreensão das causas subjacentes às condições médicas, a fim de aumentar as chances de sucesso terapêutico.

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“Escolher nossos novos alvos é uma das tarefas mais difíceis que realizamos”, afirmou Sharon Barr, vice-presidente executiva da Astra e chefe de P&D biofarmacêutica, em entrevista. “Esta é uma oportunidade para realmente nos aprofundarmos nessas doenças complexas e oferecermos maior precisão na compreensão da biologia.”

A Astra já possui vários medicamentos para o coração e um portfólio de medicamentos experimentais voltados para doenças metabólicas. No entanto, a empresa sofreu recentes reveses nessa área, com um tratamento chamado Wainua não demonstrando eficácia para uma doença do músculo cardíaco no início deste ano.

No ano passado, a empresa interrompeu o desenvolvimento de um medicamento em fase intermediária de testes, que estava sendo avaliado para a condição de fígado gorduroso conhecida pela sigla MASH.

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O diretor executivo, Pascal Soriot, busca expandir-se no campo cardíaco e metabólico e, eventualmente, conseguir combinar alguns desses medicamentos.

A Insitro afirma que o que a diferencia é a tentativa de compreender a biologia de uma doença. “A grande maioria das empresas de descoberta de medicamentos baseadas em IA concentra-se no que ocorreu após a identificação de um alvo”, afirmou Daphne Koller, diretora executiva da empresa, em uma entrevista.

Em vez disso, a Insitro analisa o processo inicial. “O que mais nos falta neste setor é uma compreensão profunda da biologia da doença e de onde intervir para provocar mudanças significativas e realmente fazer a diferença”, disse ela.

Com o acordo com a Astra, a Insitro já está bem avançada em seu trabalho com o MASH e espera que alvos para medicamentos surjam rapidamente. A pesquisa cardiovascular provavelmente levará um pouco mais de tempo, segundo Koller.

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