Bloomberg Línea — O Assaí Atacadista (ASAI3) inaugurou na sexta-feira (18) sua sétima farmácia própria e assinou contrato para comprar 18 postos de combustíveis já instalados em suas lojas no estado de São Paulo, por até R$ 80 milhões.
As duas frentes têm o mesmo alvo: vender mais para o público que já circula pela rede, estimado pela empresa em 40 milhões de clientes e 20 milhões de veículos por mês, segundo dados divulgados em comunicados da companhia.
A nova Assaí Farma fica na loja Jaguaré Corifeu, na zona oeste da capital paulista, com 134 m², cerca de 10 mil produtos e 12 funcionários.
Já os postos pertencem ao Centro de Conveniências Millennium e só passam ao Assaí a partir de 31 de julho de 2027, após aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e das licenças ambientais e regulatórias. A companhia vê potencial para superar 100 postos no futuro, informou em comunicado.
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Maior empresa brasileira do varejo alimentar, segundo levantamento da Abras e da NielsenIQ citado pela própria companhia, o Assaí opera no atacarejo, formato que vende a preço de atacado tanto para comerciantes quanto para o consumidor final. A rede tem mais de 310 lojas em 24 estados e no Distrito Federal e faturou R$ 84,7 bilhões em 2025.
Farmácia e combustível se somam às marcas próprias e às vendas online por iFood, Rappi e Mercado Livre (MELI), frentes que usam a escala e a estrutura já existente das lojas, segundo a empresa.
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“Estamos aproveitando a escala de veículos e consumidores que circulam nas lojas para criar novas oportunidades de receita e ampliar o valor gerado”, afirmou Belmiro Gomes, CEO do Assaí, em comunicado.
A farmácia só se tornou possível com a Lei nº 15.357/2026, sancionada no início do ano, que autorizou drogarias dentro de supermercados em espaço exclusivo e com farmacêutico durante todo o horário de funcionamento.
O Assaí optou por uma operação 100% própria, sem parceiro do setor, para capturar sozinho os ganhos operacionais, logísticos e comerciais da escala, segundo o comunicado da estreia, em julho.
O ritmo de abertura, porém, ainda está distante da meta. O plano divulgado em julho prevê 25 farmácias em São Paulo no segundo semestre, fase tratada pela empresa como piloto antes de levar o modelo a outros estados.
Com sete unidades abertas em dois meses, restam 18 para pouco mais de três meses.
Parte da oferta prometida também não saiu do papel. Na estreia, a companhia anunciou serviços como aferição de pressão e glicemia e aplicação de injetáveis.
No Jaguaré, esses serviços aparecem como “em breve” no comunicado, e a equipe da loja informou à reportagem que a sala ainda depende de autorização da Vigilância Sanitária. A companhia não forneceu informação adicional sobre o início da operação ainda incompleta.
Em um dos turnos, havia quatro funcionários na farmácia, que abre até 15 horas por dia. A unidade também oferta dermocosméticos de diferentes marcas.
O cliente que realiza compras na farmácia, cuja entrada fica no saguão principal de acesso ao lado dos caixas, recebe seus produtos em uma sacola plástica lacrada para poder ingressar na área de vendas e demais seções do atacarejo.
Impacto dos postos
Na conta do J.P. Morgan, a compra dos postos é pequena: menos de 0,5% do valor de mercado da empresa. Segundo a administração, cada posto nas lojas vende em média R$ 3 milhões por mês, com margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 5%.
Isso levaria a contribuição anual a menos de 1% do Ebitda do Assaí, calcula o banco em relatório de 18 de setembro.
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O preço por unidade chama mais atenção que o valor total. O Assaí pode pagar até cerca de R$ 4,4 milhões por posto, acima dos cerca de R$ 2,7 milhões recebidos pelo GPA (PCAR3) ao vender seus postos ao Grupo Ultra (UGPA3) em 2024.
O banco avalia que os postos do Assaí provavelmente têm mais movimento e rentabilidade que os do GPA (Grupo Pão de Açúcar) e que o valor pago é pouco relevante para a companhia.
Do total, R$ 40 milhões saem após o aval do Cade, R$ 35 milhões com a conclusão de cada aquisição e até R$ 5 milhões dependem de metas de desempenho, segundo o relatório.
A rede tem hoje 28 postos operados por terceiros, de acordo com o J.P. Morgan. O banco classifica o negócio como um pequeno ponto positivo, na mesma linha das farmácias e dos serviços financeiros, e mantém recomendação neutra para a ação, que negocia a 11,5 vezes o lucro ajustado previsto para 2027.
O efeito nos resultados, por ora, é marginal. O teste agora é de escala: a farmácia ainda como piloto restrito a São Paulo, e os postos condicionados, loja a loja, a estudos de viabilidade e licenças, segundo a companhia.
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