Bloomberg Línea — Depois de recuperar prédios no centro de São Paulo, incluindo ativos emblemáticos como o edifício Renata, a Planta Inc. tem ampliado seu escopo de atuação para bairros nobres.
Especializada em retrofit, a desenvolvedora e incorporadora paulistana já soma 15 projetos em desenvolvimento na capital paulista e vem diversificando a sua base de investidores, segundo o fundador Guil Blanche. A meta até 2030 é comprar aproximadamente 40.000 metros quadrados por ano para novos empreendimentos.
“Queremos continuar sendo uma butique. Estamos com o time 100% pronto para manter esse nível de aquisição”, disse Blanche à Bloomberg Línea.
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A Planta acumula um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1,5 bilhão. Os primeiros sete edifícios recuperados foram viabilizados por um fundo imobiliário (FII) em parceria com a gestora Valora Investimentos.
O segundo FII, com a Mauá, foi a estreia da incorporadora no final do ano passado no mercado de varejo (investidores pessoas físicas).
“É um fundo listado com mais de 2.000 cotistas. Foi um sucesso de distribuição”, diz Blanche. Ele acrescentou que, somando as participações da Planta, da Mauá e a fatia de investidores pessoas físicas, o fundo já acumula cerca de R$ 235 milhões, destinados para financiar três empreendimentos na cidade.
Um deles está localizado no “berço” da Planta, a Vila Buarque, região central da capital, onde a companhia já requalificou sete prédios.
O público-alvo do Edifício Petrah é composto principalmente de estudantes e jovens do mercado de trabalho, com aluguel estimado em até R$ 3.000 por mês.
O outro projeto fica localizado no bairro do Brooklin, próximo ao centro empresarial da Berrini. “Há muitos prédios para locação nesta região, vimos essa oportunidade para atender jovens trabalhadores, que vêm de fora [da cidade], e que vão trabalhar no mercado financeiro”, diz Blanche. O Edifício Nebraska tem público-alvo com renda entre R$ 10.000 a R$ 15.000 por mês.
De perfil similar é o alvo do Edifício Victória, na rua Clodomiro Amazonas, no Itaim. O prédio, que tem 100 unidades de 50 metros quadrados, também passará por um retrofit.
Apesar do foco no segmento conhecido como multifamily (unidades voltadas para renda residencial), a Planta manteve a vocação comercial de dois dos 15 projetos. “Mantivemos porque fazia mais sentido”, afirma Blanche.
Um deles é o Edifício Nações (Unibanco), um prédio histórico projetado por Salvador Candia, que também idealizou ícones da cidade como a galeria Metrópole e o edifício Joelma. Segundo Blanche, o prédio é de propriedade da gestora Central Capital e a Planta foi contratada para executar toda a sua requalificação.
Adensamento das grandes cidades
Na visão do fundador da incorporadora, o modelo de retrofit é resultado de um amadurecimento do processo de expansão da cidade.
“É natural que a gente descubra o quão caro é expandir para as fronteiras. Quanto mais concentrada e densa a cidade for, mais barata e eficiente será”, diz Blanche.
Ele acrescenta que a densidade populacional de São Paulo é considerada baixa em comparação a outras metrópoles do mundo. “Quando compreendemos que adensar é mais barato, começamos a voltar para o centro da cidade.”
Neste contexto, ele afirma que o grande desafio é a idade dos prédios do centro -- construídos entre as décadas de 1940 e 1970 -- e que hoje já não estão mais adequados ao modelo contemporâneo de trabalho.
“Os edifícios deste período eram predominantemente comerciais e hoje se encontram subutilizados. O retrofit vem como uma solução de adensamento com a requalificação e ocupação dos prédios, muitas vezes mudando o uso.”
O empresário reforça que a demanda por empreendimentos residenciais ainda é muito forte no Brasil. “Queremos atender esse mercado”, diz.
Blanche afirma que, atualmente, a maior parte do mercado imobiliário ainda depende do programa Minha Casa Minha Vida, mas a iniciativa privada tem como responsabilidade fazer bons projetos, adequados às exigências do Plano Diretor.
“Apesar do cenário macroeconômico desafiador e dos juros elevados, crescemos de forma significativa. Hoje somos a empresa independente que mais produz ativos para renda residencial do Brasil”, diz.
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