Bloomberg — O futuro presidente da USA Rare Earth quer crescer por meio de mais aquisições e novos projetos em uma ofensiva agressiva para desafiar a dominância da China e se tornar o líder americano na produção de terras raras.
“Há opções tanto de crescimento orgânico quanto inorgânico em cada etapa da cadeia de suprimentos”, disse Thras Moraitis, CEO da brasileira Serra Verde e futuro presidente da USA Rare Earth, após as empresas anunciarem um acordo de US$ 2,8 bilhões na segunda-feira (20).
“Cada um dos nossos negócios vai buscar oportunidades, e nosso trabalho será avaliar essas oportunidades.”
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As empresas combinadas continuarão a buscar negócios especificamente nas etapas de mineração e fabricação de ímãs da cadeia de suprimentos de terras raras, enquanto focam no “crescimento orgânico” para o processamento do material, acrescentou a CEO da USA Rare Earth, Barbara Humpton, em entrevista conjunta à Bloomberg News.
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A fusão evidencia um esforço mais amplo dos Estados Unidos e de países aliados para construir fornecimentos alternativos de terras raras, um grupo de 17 elementos essenciais para veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares.
Apesar de anos de investimento, a China ainda domina a mineração, o processamento e a produção de ímãs, deixando os governos ocidentais em busca de apoio a novos entrantes.
O acordo, pelo qual a USA Rare Earth pagará uma combinação de ações e dinheiro pela Serra Verde, adiciona uma mina em operação no Brasil ao portfólio da empresa, sediada em Oklahoma, que já inclui um depósito no Texas, uma planta de processamento em Oklahoma e uma unidade de produção de metais no Reino Unido.
“Estamos apenas no início do estabelecimento de uma plataforma de crescimento”, disse Humpton.
A USA Rare Earth realizou uma série de transações desde que abriu capital por meio de uma incorporação reversa no ano passado.
A empresa concluiu a aquisição da Less Common Metals em 2025, obtendo uma fabricante de metais e ligas. Adquiriu uma participação de 12,5% na Carester no início deste mês para ter acesso à expertise da empresa francesa em processamento de terras raras.
A empresa também recebeu US$ 1,6 bilhão em financiamento proposto pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos em janeiro, condicionado ao cumprimento de marcos importantes no desenvolvimento dos projetos principais.
Com a aquisição da Serra Verde, a empresa também incorpora negociadores experientes ao seu alto escalão. Moraitis chefiou estratégia e assuntos corporativos da Xstrata antes de sua compra pela Glencore em 2013.
Mick Davis, presidente do conselho da Serra Verde, é um dos dealmakers mais conhecidos do setor de mineração, tendo transformado a Xstrata em uma das maiores mineradoras do mundo durante sua gestão como CEO. Ele se tornará conselheiro da USA Rare Earth.
A empresa pretende crescer por aquisições na mineração e na fabricação de ímãs, disse Humpton, embora haja poucas oportunidades de comprar plantas de processamento.
Para o processamento, “terá de ser crescimento orgânico, porque simplesmente não temos capacidade de produção de metais fora da China”, disse ela. “Vamos ter de desenvolver isso por conta própria.”
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