Bloomberg — A Aegea divulgou um crescimento de dois dígitos em receita e lucros referentes a 2025, ao publicar suas demonstrações financeiras anuais após sucessivos adiamentos que abalaram investidores e levaram seus títulos a mínimas históricas.
A receita líquida pro forma da empresa de saneamento cresceu 21% em relação ao ano anterior, para R$ 18,3 bilhões, enquanto o Ebitda pro forma avançou 24%, para R$ 10,3 bilhões, informou a companhia de saneamento com sede em São Paulo na manhã deste sábado (11).
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Os resultados foram divulgados após os títulos da Aegea terem atingido novas mínimas históricas, em razão do descumprimento dos prazos para a apresentação das demonstrações financeiras.
Isso alimentou preocupações sobre o balanço da empresa em um momento de maior cautela com o crédito corporativo brasileiro, na esteira de uma série de calotes de grandes empresas.
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Embora a Aegea tenha divulgado os números anuais, os resultados separados do quarto trimestre ainda não foram publicados.
A companhia — que tem entre seus principais acionistas o Grupo Equipav, o fundo soberano de Singapura GIC e a Itaúsa — informou na sexta-feira que não divulgaria os resultados na data prevista, alegando um “processo de revisão complexo, que inclui a reapresentação de resultados de períodos anteriores”.
A empresa já havia adiado a divulgação várias vezes, o que levou a S&P Global Ratings e a Fitch Ratings a rebaixar seus ratings de crédito, aprofundando-os em território especulativo e colocando-os em observação para novos cortes.
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A companhia atribuiu o desempenho anual à forte expansão operacional. Em 2025, foram investidos R$ 8,6 bilhões, incluindo despesas de capital e pagamentos de concessão, dos quais R$ 7,3 bilhões destinados à expansão e modernização da infraestrutura de água e esgoto.
Com isso, foram adicionadas 722 mil novas ligações de clientes, beneficiando cerca de 2 milhões de pessoas. A Aegea tratou 730 bilhões de litros de esgoto e poupou 29 bilhões de litros de água por meio de iniciativas de redução de perdas.
A Aegea captou R$ 22,3 bilhões no mercado de capitais em 2025. Desse total, R$ 10,3 bilhões foram destinados à gestão de passivos, o que contribuiu para estender o prazo médio da dívida de 7,4 para 7,6 anos e reduzir o custo de captação de CDI+1,8% para CDI+1,4%.
A companhia também emitiu US$ 750 milhões em títulos verdes azuis no mercado internacional.
No início de 2026, a Aegea captou outros R$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre por meio de debêntures e empréstimos sindicalizados, e recebeu um aporte de capital de R$ 1,2 bilhão em março.
A empresa também atualizou seu registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para a categoria A, o que amplia sua flexibilidade de acesso ao mercado de capitais.
Revisão contábil
As demonstrações financeiras incluem ajustes contábeis que resultaram na reapresentação dos números de 2024, principalmente relacionados ao reconhecimento de receitas e a provisões.
A Aegea afirmou que as mudanças não têm impacto na geração de caixa e não violam cláusulas restritivas das dívidas, acrescentando que têm como objetivo aprimorar a qualidade das informações financeiras e alinhar melhor os resultados contábeis ao fluxo de caixa.
A empresa informou que continuará a avaliar alternativas para sustentar o crescimento e otimizar sua estrutura de capital, em um setor de saneamento que demanda investimentos expressivos no Brasil.
A Aegea trata uma possível oferta pública inicial de ações ainda este ano com bancos parceiros, conforme reportado pela Bloomberg News em dezembro.
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