Alliança Saúde busca proteção judicial temporária para renegociar dívidas

Empresa diz que tutela cautelar e mediação devem permitir que a empresa de saúde continue operando normalmente enquanto as conversas com credores avançam

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Bloomberg — A Alliança Saúde informou que está buscando proteção judicial temporária no Brasil e iniciando negociações mediadas com credores enquanto enfrenta dificuldades para cumprir pagamentos de dívida que vencem nos próximos meses.

A medida judicial — conhecida como tutela cautelar — e a mediação devem permitir que a empresa de saúde continue operando normalmente enquanto as conversas avançam, segundo fato relevante divulgado nesta quinta-feira (19).

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A Fitch Ratings rebaixou o rating local da Alliança para CCC+, de A, em 13 de março, alertando para cerca de R$ 155 milhões em pagamentos de principal e juros de dívidas locais com vencimento em abril e outubro.

O caixa em setembro de 2025 era insuficiente para cobrir essas obrigações de curto prazo, afirmou a agência.

“A companhia seguirá implementando medidas voltadas ao fortalecimento de sua estrutura financeira e operacional, com foco no aumento de eficiência, na otimização da estrutura de capital e no reforço de sua sustentabilidade financeira no longo prazo”, diz o documento.

A Alliança (AALR3) não possui títulos de dívida no mercado internacional, e seu endividamento está denominado em moeda local, por meio de debêntures.

O movimento ocorre em meio ao aumento da atenção de investidores de crédito sobre empresas brasileiras, após duas grandes companhias anunciarem na semana passada planos para reestruturar, fora do Judiciário, um total combinado de US$ 13,5 bilhões em dívidas.

Ao mesmo tempo, uma sequência de colapsos corporativos de grande repercussão e a volatilidade dos mercados globais têm levado algumas empresas brasileiras a reduzir o ritmo e adiar novas operações.

A Fitch também afirmou que não espera que a companhia gere fluxo de caixa livre positivo neste ano.

-- Com a colaboração de Rachel Gamarski.

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