Adriana Cisneros busca US$ 1 bi para fundo de ‘reconstrução’ da Venezuela, dizem fontes

Chefe de uma das famílias mais poderosas da comunidade empresarial venezuelana tem liderado os esforços para criar um fundo de private equity que investirá no país devastado pela crise

Executiva investirá parte do capital e o restante virá de investidores institucionais que têm procurado oportunidades de se envolver no país (Foto:Marco Bello/Bloomberg)
Por Daniel Cancel
17 de Fevereiro, 2026 | 11:51 AM

Bloomberg — Adriana Cisneros, chefe de uma das famílias mais poderosas da comunidade empresarial venezuelana, tem liderado os esforços para levantar US$ 1 bilhão para um fundo de private equity que investirá no país devastado pela crise, que busca se reconstruir, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg News.

Cisneros, diretora-executiva da empresa de investimentos de mesmo nome, sediada em Miami, planeja se concentrar em setores como infraestrutura, logística, telecomunicações e energia, com a expectativa de que o governo inicie uma onda de privatizações em um futuro próximo, disseram as pessoas, que não estão autorizadas a falar publicamente sobre os planos.

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Cisneros investirá parte do capital e o restante virá de investidores institucionais que têm procurado oportunidades de se envolver, disseram as pessoas. Os primeiros compromissos foram mais fortes do que o esperado e o tamanho do fundo pode chegar a US$ 2 bilhões.

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A família Cisneros tem sido uma das mais emblemáticas na comunidade empresarial da Venezuela nos últimos 80 anos e tornou-se sinônimo de trazer e representar marcas icônicas dos EUA no país sul-americano, incluindo Pepsi, Studebaker, Burger King e Pizza Hut.

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A captura do presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, em 3 de janeiro, sobrecarregou as expectativas e levou a rápidas mudanças no terreno, destacadas por uma visita do secretário de Energia dos EUA na semana passada, em um regime que antes era hostil e se aproximava da Rússia, do Irã e da China.

Embora o foco inicial dos EUA tenha sido retirar o petróleo, colocá-lo em navios-tanque e vendê-lo no mercado, o país terá que reconstruir décadas de infraestrutura mal administrada, de aeroportos a rodovias, portos e torres telefônicas.

Os investidores têm demonstrado cada vez mais interesse na Venezuela desde que Delcy Rodriguez, considerada mais favorável aos negócios, assumiu o poder.

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A empresa de consultoria americana Signum Global Advisors, que levou investidores à Ucrânia no ano passado em meio aos esforços de reconstrução, está planejando uma viagem a Caracas no final de março.

Os telefones dos advogados e consultores sediados em Caracas não param de tocar, com clientes estrangeiros perguntando sobre como fazer negócios na Venezuela, de acordo com pessoas familiarizadas com a situação ouvidas pela Bloomberg News.

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Mesmo depois de mudar a sede para Miami em 2000, a família Cisneros manteve uma posição na Venezuela por meio de sua empresa de mídia Venevision, do concurso Miss Venezuela e outros investimentos mais recentes em startups. A empresa está se posicionando como um parceiro confiável para investidores globais que desejam investir na Venezuela.

A empresa também é acionista ativa da AST SpaceMobile e desenvolve um grande projeto imobiliário de luxo na República Dominicana.

Cenário complexo

Ainda assim, a situação na Venezuela continua complexa, já que o regime tenta navegar em sua narrativa anti-imperialista anterior com a realidade de que os EUA estão agora, em grande parte, dando as ordens.

Um projeto de reforma energética foi aprovado no Congresso e uma medida de anistia política e reconciliação também está sendo discutida, mas o país continua, em grande parte, sem lei e sem separação de poderes. A embaixada dos EUA continua fechada por enquanto e muitas sanções continuam em vigor.

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Ainda não houve nenhuma indicação por parte das autoridades norte-americanas ou venezuelanas de quando uma eleição presidencial livre e justa poderia ser realizada, com o foco, por enquanto, em estabilizar a economia e permitir que a receita do petróleo volte a fluir para os cofres do Estado.

Cisneros, 46 anos, assumiu o controle dos negócios da família em 2013. Seu pai, Gustavo, que se tornou proeminente nas Américas, em parte por meio de amizades com os Rockefellers e a família Bush, entre outros, faleceu no final de 2023.

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