Bloomberg — A Tether investiu US$ 20 milhões no banco digital argentino Ualá, aprofundando sua aposta na América Latina à medida que a emissora da maior stablecoin do mundo amplia sua presença para além dos ativos digitais.
O investimento faz parte da rodada de captação de US$ 197 milhões anunciada pela Ualá em março. A empresa pretende usar os recursos para acelerar o crescimento e expandir seu ecossistema financeiro nos mercados em que já atua: Argentina, México e Colômbia.
Barreiras regulatórias nesses países impedem a Ualá de integrar a stablecoin USDT, da Tether, à plataforma no curto prazo, afirmou o fundador e CEO, Pierpaolo Barbieri.
“Sempre queremos estar na vanguarda de novos produtos, mas hoje somos um banco em todos os mercados onde atuamos e, diante do ambiente regulatório na Argentina e no México, não haverá nenhum tipo de integração de stablecoins”, disse Barbieri em entrevista à Bloomberg News. “A Tether está entrando apenas como investidora financeira.”
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A Tether, que tem US$ 184 bilhões em tokens em circulação, realizou uma série de investimentos na região nos últimos meses. Em abril, a empresa liderou uma rodada Série A da plataforma argentina de criptomoedas Belo e, no início deste mês, anunciou um investimento de US$ 18 milhões na corretora brasileira de criptomoedas Mercado Bitcoin.
Além do setor de criptoativos, a Tether assumiu no ano passado o controle da empresa sul-americana de agronegócio Adecoagro, dando continuidade a uma sequência de aquisições e investimentos que incluiu áreas que vão de tecnologia de implantes cerebrais ao esporte.
A Tether se junta à lista de investidores da Ualá, que inclui a Allianz X — que liderou a última rodada de financiamento da empresa — bem como empresas como Stone Ridge Holdings Group, Tencent Holdings Ltd., Soros Fund Management LLC, Table Holdings LP e D1 Capital Partners. O financiamento de março avaliou a Ualá em US$ 3,2 bilhões.
“O crescimento da Ualá reflete a enorme demanda na região por serviços financeiros mais acessíveis, eficientes e desenvolvidos em torno das necessidades dos consumidores”, afirmou o CEO da Tether, Paolo Ardoino, em comunicado.
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Recuperação argentina
Os 11 milhões de clientes da Ualá na região estão concentrados principalmente em seu mercado de origem, a Argentina, onde bancos e fintechs enfrentam aumento da inadimplência depois de uma rápida expansão do crédito no ano passado, seguida por forte alta dos juros antes das eleições legislativas de meio de mandato.
Desde então, instituições financeiras privadas reduziram o ritmo de concessão de crédito à medida que a qualidade da carteira de empréstimos das famílias se deteriorou.
Barbieri afirmou que os índices de inadimplência da Ualá caíram nos últimos sete meses e que a operação na Argentina deve voltar ao ponto de equilíbrio “nos próximos um ou dois meses”, com a melhora da qualidade do crédito. Isso permitirá que a empresa direcione uma parcela maior do capital para a expansão internacional.
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Fundada em 2017, a estratégia de expansão da Ualá está cada vez mais concentrada no México, onde a empresa afirma enxergar amplo espaço para ganhar participação de mercado, apesar da concorrência cada vez mais intensa de bancos e fintechs.
O México continua sendo um dos mercados de pagamentos menos digitalizados do mundo, com o dinheiro em espécie respondendo por cerca de 85% das pequenas compras.
“O México é um mercado extremamente jovem em comparação com o Brasil, pioneiro na região, e com a Argentina, que passou por uma digitalização significativa nos últimos anos”, disse Barbieri. “Existe concorrência no México, sem dúvida, mas o mercado endereçável total é infinito.”
Barbieri reconheceu que a empresa adota uma abordagem cautelosa na concessão de crédito no México, ao mesmo tempo que amplia a oferta de produtos, incluindo um lançamento recente que passou a permitir investimentos em ações e ETFs dos EUA. Ele se recusou a estimar quando a empresa atingirá o ponto de equilíbrio na segunda maior economia da América Latina.
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