Vinland zera posições de risco diante da disparada do petróleo

Gestora tem mantido baixos níveis de exposição a risco na estratégia multimercado, enquanto sinais de que o conflito no Irã pode estar perto do fim não impactam por ora a estratégia da casa

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Bloomberg — A Vinland Capital reduziu as posições que se beneficiavam de uma queda das taxas de juros futuros no Brasil e de um enfraquecimento do dólar, como reação aos impactos da guerra no Oriente Médio nos mercados globais e deve manter postura mais conservadora enquanto persistirem as incertezas.

Desde o início do conflito, a gestora tem mantido baixos níveis de exposição a risco na estratégia multimercado, enquanto sinais de que o conflito pode estar perto do fim não impactam por ora a estratégia da casa, segundo José Oswaldo Monforte, gestor da Vinland, que administra R$ 16 bilhões em ativos.

“A gente zerou muita coisa”, disse Monforte, em entrevista. “Para efeito prático, zeramos 90% das posições de risco.”

O mercado internacional tem registrado forte volatilidade, com a alta de mais de 30% no preço do petróleo Brent, barril de referência global, desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Nos últimos dias, os movimentos têm reagido às dúvidas sobre um potencial acordo entre EUA e Irã.

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Os temores de uma inflação generalizada devido ao choque de oferta levaram os operadores nos EUA a desistirem de apostas em cortes de juros e os traders na Europa a colocarem dinheiro em posições que se beneficiam de altas das taxas de referência.

No Brasil, resultaram em uma disparada dos juros do DI futuro. As taxas longas avançaram, com o ajuste acelerado pelo acionamento de ordens de ‘stop-loss’ pelos fundos de investimento, levando ao encerramento automático de posições para limitar perdas. A curva de juros, que embutia 3 pontos percentuais de corte pré-guerra, hoje vê um ciclo total de 1,25 ponto percentual, já considerando o corte inicial que o Banco Central promoveu na Selic na semana passada. O Copom citou, na ata de sua reunião, um “forte aumento da incerteza” e a necessidade de cautela.

“Havia um certo consenso no mercado de que estávamos caminhando para uma flexibilização monetária em algumas geografias”, disse Monforte. “Quando você tem que se desfazer disso, tende a influenciar na dinâmica de preço.”

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A aversão ao risco gerou disfuncionalidades no mercado brasileiro, o que levou o Tesouro Nacional a intervir algumas vezes com leilões tanto de recompra quanto de venda de dívida pública para sustentar a liquidez e estabilizar as negociações.

A narrativa de que a guerra pode estar próxima do fim trouxe alguns momentos de descompressão para o mercado, mas não muda a estratégia da Vinland.

“A gente já viu essa discussão de a guerra acabar rápido. Significa que acabou? Não. Significa que eu sei qual é o conjunto de oportunidades se acabar? Sim.”, disse Monforte.

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Apostas em câmbio estão entre as oportunidades que a casa enxerga para o momento em que o apetite ao risco voltar.

“O real tem tido uma performance bastante robusta no meio de tudo isso”, disse o gestor. “Existe uma oportunidade para ser estudada.”

A divisa brasileira registra a quarta melhor performance entre as principais moedas, desde o início do conflito. O real perde 1,7% contra o dólar no período, um desempenho superado apenas pela libra esterlina, dólar de Singapura e o dólar canadense.

“A gente está todo dia olhando o mercado para ver quando é hora de tomar uma posição. Eu não tenho confiança hoje, eu tenho somente hipóteses, cenários”, disse o gestor.

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