Bloomberg — Os banqueiros centrais globais manifestaram apoio ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, após o governo Trump intensificar sua campanha de pressão já sem precedentes contra o banco central americano.
Em resposta à ameaça de acusações criminais contra a autoridade monetária dos Estados Unidos, chefes de bancos centrais, incluindo o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco do Canadá, disseram que “se solidarizam totalmente” com o Fed e Powell.
O próprio Powell também adotou um tom combativo nos últimos dias, e acusou o presidente americano Donald Trump de tentar assumir o controle da política monetária depois que o presidente passou meses reclamando que as taxas de juros estavam muito altas.
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“A independência dos bancos centrais é um pilar da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos que servimos”, afirmaram os banqueiros centrais em comunicado nesta terça-feira.
“É, portanto, crítico preservar essa independência, com pleno respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilidade democrática.”
A resposta coordenada ressalta a crescente preocupação de que a autonomia monetária dentro do banco central mais importante do mundo esteja sendo ativamente desmantelada.
Tal ação coletiva geralmente tem sido reservada para emergências globais como a crise de 2008 e a pandemia — e não para a defesa de um banqueiro central individual.
O Fed recebeu intimações do grande júri do Departamento de Justiça ameaçando uma acusação criminal — uma ação que Powell afirmou que está relacionada ao seu depoimento no Congresso, em junho, sobre as reformas na sede do Fed. Ele disse que a medida “deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”.
“A ameaça de acusações criminais é uma consequência de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do presidente”, disse Powell em uma declaração escrita e em vídeo, no domingo.
Banqueiros centrais que assinaram o comunicado:
- Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu em nome do conselho de diretores do BCE
- Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra
- Erik Thedéen, presidente do Sveriges Riksbank
- Christian Kettel Thomsen, chairman do conselho de diretores do Banco Nacional da Dinamarca
- Martin Schlegel, do Banco Nacional Suíço
- Michele Bullock, do Reserve Bank da Austrália
- Tiff Macklem, do Banco do Canadá
- Chang Yong Rhee, do Banco da Coreia
- Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil
- Ida Wolden Bache, do Norges Bank
- François Villeroy de Galhau, chair do Conselho de Diretores do Banco de Compensações Internacionais
- Pablo Hernández de Cos, gerente geral do Banco de Compensações Internacionais
Alguns banqueiros centrais se destacaram por sua ausência na declaração. Entre os membros do G7, o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, não assinou.
O Banco do Japão se abstém de “comentar as respostas de outros bancos centrais”, disse à Bloomberg a divisão de relações com a mídia em comunicado.
Embora a maioria dos outros chefes de bancos centrais do Grupo dos 10 das moedas mais negociadas estivesse na lista, a chefe do Reserve Bank da Nova Zelândia (RBNZ), Anna Breman, também faltava no comunicado. Um e-mail que solicitava um comentário do RBNZ fora do horário comercial não foi respondido imediatamente.
Mesmo antes do comunicado desta terça-feira, o papel do Fed e do dólar dos EUA como âncoras do sistema financeiro global já havia levado alguns a se manifestarem.
Na segunda-feira, o presidente do BC do Canadá, Tiff Macklem, ofereceu “apoio total” a Powell, dizendo que ele “reflete o melhor no serviço público”.
“O presidente Powell está fazendo um trabalho muito bom em circunstâncias difíceis, guiando o Fed a tomar decisões de política monetária com base em evidências, e não em política”, disse Macklem por e-mail.
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