Payroll: geração de emprego desacelera nos EUA em junho e fica abaixo do esperado

Dados da folha de pagamento de empregos não agrícolas indicaram a criação de 57.000 novos postos no mês, abaixo das estimativas de economistas consultados pela Bloomberg

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Bloomberg — As contratações de trabalhadores nos Estados Unidos desaceleraram acentuadamente em junho, mesmo com a queda da taxa de desemprego, o que freou parte do crescimento do emprego neste ano.

O número de empregos não agrícolas aumentou em 57.000 no mês passado, após revisões para baixo nos dois meses anteriores terem tirado um pouco do ímpeto dos recentes relatórios, segundo dados divulgados na quinta-feira pelo Bureau of Labor Statistics.

A taxa de desemprego caiu para 4,2%, à medida que a taxa de participação na força de trabalho despencou.

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Os números da folha de pagamento (payroll), que ficaram abaixo de todas as estimativas, exceto uma, em uma pesquisa da Bloomberg, sugerem que o mercado de trabalho ainda enfrenta alguns desafios, apesar dos sinais de força nos últimos meses.

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Embora os gastos do consumidor tenham se mostrado resilientes diante do choque energético causado pela guerra no Irã, os americanos estão pessimistas em relação aos preços elevados, o que também pode estar levando os empregadores a adotarem uma postura cautelosa em relação às contratações.

A retração nas contratações foi liderada pela maior queda na folha de pagamento dos setores de lazer e hospitalidade desde 2020, “refletindo contratações sazonais mais fracas do que o habitual”, segundo o BLS.

Antes da divulgação do relatório, alguns economistas esperavam que a Copa do Mundo da FIFA, que teve início no mês passado, impulsionasse a folha de pagamento no setor.

Os futuros do S&P 500 operavam em alta, enquanto o rendimento dos títulos do Tesouro de 2 anos caía após a divulgação. Os investidores também reduziram as apostas em um aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve neste ano.

“O relatório de emprego de junho foi uma decepção óbvia, embora o relatório não deva influenciar as visões gerais de ninguém sobre as perspectivas econômicas”, afirmou Neil Dutta, diretor de economia da Renaissance Macro Research, em uma nota.

“O ponto principal aqui é um mercado de trabalho que reflete a economia como um todo. O crescimento econômico é desigual e, portanto, o mercado de trabalho também o é.”

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O relatório de empregos compreende duas pesquisas: uma com famílias e outra com empregadores. A pesquisa com famílias, utilizada para calcular as taxas de desemprego e de participação, apresentou resultados mais pessimistas, embora também possa ser mais volátil.

A taxa de participação — a parcela da população que está trabalhando ou procurando emprego — caiu para 61,5%, o nível mais baixo em mais de cinco anos, de acordo com o relatório divulgado na quinta-feira (2).

O BLS informou que, ao levar em conta os ajustes populacionais, o índice apresentou pouca variação em relação ao ano anterior.

A taxa de participação dos chamados trabalhadores em idade produtiva, com idades entre 25 e 54 anos, caiu para 83,3%, igualando o nível mais baixo desde 2023.

Discriminação por setor

O setor de saúde e assistência social, que tem sido um dos principais impulsionadores do crescimento do emprego nos últimos anos, continuou a liderar as contratações, sendo responsável pela maior parte do aumento registrado em junho.

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A folha de pagamento dos setores de manufatura e construção também cresceu. Muitos economistas apontaram a expansão dos centros de dados como um possível fator impulsionador da demanda por mão de obra na construção civil em 2026, mesmo com a construção de residências continuando a ser restringida pelas altas taxas de juros.

Ao mesmo tempo, algumas grandes empresas de tecnologia, como a Meta Platforms e a Microsoft, estão reduzindo seu quadro de funcionários, em parte para compensar os elevados gastos com inteligência artificial.

O número de empregos no setor de informação continuou a diminuir, marcando a 17ª queda nos últimos 18 meses.

O emprego no setor de atividades financeiras, outro importante empregador de trabalhadores de colarinho branco considerados entre os mais vulneráveis à automação, apresentou poucas alterações.

O salário médio por hora subiu 3,5% em relação ao ano anterior. Economistas estão acompanhando de perto como a dinâmica da oferta e da demanda de mão de obra está afetando os salários — especialmente à medida que a inflação começa a superar o crescimento salarial em diversos setores.

O que diz a Bloomberg Economics...

“O relatório de empregos de junho enviou sinais contraditórios, mas, de modo geral, aponta para um mercado de trabalho estável. O crescimento da folha de pagamento ficou um pouco abaixo do esperado e os meses anteriores foram revisados para baixo, mas a tendência subjacente permaneceu firme e ainda estava acima da maioria das estimativas do ritmo de equilíbrio.”

Chris G. Collins, Andrew Sacher e Stuart Paul

A confiança do consumidor está se recuperando um pouco agora que as negociações de paz entre os EUA e o Irã foram retomadas e os preços do petróleo caíram, o que pode incentivar os empregadores a intensificar as contratações nos próximos meses.

Dados separados divulgados nesta quinta-feira mostraram que os pedidos de seguro-desemprego tiveram poucas variações na semana passada.

As demissões têm permanecido em níveis baixos nos últimos anos, contribuindo para o que os economistas descrevem como um mercado de trabalho de “baixa demissão e baixa contratação”.

-- Com a colaboração de Mark Niquette, Julia Fanzeres e Maya Prakash.

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