Ouro supera US$ 2.100 com a expectativa de corte de juros nos EUA

Metal precioso chegou a subir 3% nesta segunda-feira apesar dos esforços dos diretores do Federal Reserve de tentar frear o otimismo do mercado

Barras de ouro
Por Sybilla Gross e Eddie Spence
04 de Dezembro, 2023 | 09:51 AM

Bloomberg — O ouro superou o recorde atingido na pandemia em meio às expectativas crescentes de cortes de juros nos Estados Unidos no início do próximo ano, apesar das tentativas do Federal Reserve de frear o otimismo do mercado.

O metal precioso chegou a subir mais de 3% no início do pregão desta segunda-feira (4), ultrapassando a máxima registrada em 7 de agosto de 2020, mas depois devolveu a maior parte desses ganhos.

O rali do ouro, que está em curso desde o início de outubro, recebeu impulso na última sexta-feira após comentários do presidente do Fed, Jerome Powell, segundo o qual a política monetária está “em território restritivo”. A declaração derrubou o dólar e os rendimentos dos Treasuries, o que beneficiou o ouro.

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Powell tentou conter o otimismo alimentado pela expectativa de redução dos juros, alertando que “seria prematuro concluir com confiança que atingimos uma posição suficientemente restritiva, ou especular sobre quando a política poderá ser afrouxada”. Apesar disso, os mercados de swaps precificam mais de 50% de probabilidade de um corte em março e 100% de chance de redução da taxa básica em maio.

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Houve “uma grande mudança no momentum” do ouro, disse Chris Weston, chefe de pesquisa do Pepperstone Group. No entanto, os dados do mercado de trabalho dos EUA no final desta semana podem trazer um elemento de risco de baixa para o ouro, e apostas em taxas reais menores no próximo ano podem parecer muito agressivas, disse.

O ouro mostra valorização de 15% desde a mínima do início de outubro. O metal precioso se beneficiou da maior demanda por ativos seguros na esteira do ataque do Hamas a Israel.

Nas últimas semanas, o rali se intensificou com as crescentes expectativas de cortes nas taxas dos EUA. E ganhou ainda mais força em meio à queda de 60 pontos-base no rendimento dos Treasuries de 10 anos e por uma baixa de quase 3% em um indicador do dólar em relação a novembro.

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O movimento acentuado na manhã desta segunda-feira parece ter sido “mais impulsionado por ordens de stop loss”, disse Kelvin Wong, analista de mercado sênior da Oanda Asia Pacific, disse. Pode haver risco de um recuo em direção ao nível de US$ 2.000 a US$ 2.030 por onça no curto prazo, acrescentou.

O metal precioso é negociado com um prêmio elevado na comparação com os modelos de preço baseados em sua relação histórica com o dólar e os títulos do Tesouro dos EUA.

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Essa dinâmica persistiu durante a maior parte do último ano, impulsionada pelas compras recordes por parte dos bancos centrais, que ajudaram o ouro a resistir aos persistentes resgates em fundos de índice garantidos pelo ouro.

As participações em ETFs caíram muito desde o final de maio, mas mostram sinais de estabilização desde meados de outubro. No entanto, essas posições encolheram na semana passada, após uma série de cinco ganhos semanais.

O aumento das taxas reais devido à retração da inflação em relação aos juros estáveis pode ser um obstáculo ao investimento em ouro no primeiro trimestre de 2024, disseram em nota analistas do ANZ Group, Daniel Hynes e Soni Kumari.

As posições especulativas líquidas compradas mostram forte recuperação, mas as participações em ETFs ainda não registaram um aumento significativo, disseram.

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