Mercado dobra apostas em fim de juros negativos no Japão

Maior variação nos rendimentos dos títulos japoneses em um ano serviram como lembrete de que importante âncora para custos globais poderá ser retirada em breve

Bank of Japan Governor Kazuo Ueda News Conference After Rate Decision
Por Masahiro Hidaka, Yumi Teso e Toru Fujioka
07 de Dezembro, 2023 | 11:25 AM

Bloomberg — Investidores aceleram as apostas de que o Banco do Japão vai abandonar já neste mês o regime de taxas de juros negativas, o único ainda em vigor, em reação a comentários da liderança do banco central.

A onda vendedora, inicialmente provocada por comentários do presidente do BOJ, Kazuo Ueda, e de um de seus assessores, abalou os mercados financeiros em Tóquio e em outras regiões, o que interrompeu um período de relativa calma para os títulos do Japão.

O salto do iene e a maior variação nos rendimentos dos títulos japoneses em um ano serviram como um significativo lembrete a investidores internacionais de que uma importante âncora para os custos globais de financiamento poderá em breve ser retirada.

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Ueda disse a parlamentares que seu trabalho se tornaria mais desafiador a partir do fim do ano, o que reforçou a expectativa de uma reversão a curto prazo dos juros abaixo de zero.

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Embora esse comentário tenha surgido em resposta a perguntas, sua visita ao gabinete do primeiro-ministro Fumio Kishida para discutir sua postura de política monetária pareceu mais uma medida ensaiada com o objetivo de enviar um sinal.

No entanto, o fato de o vice-presidente do BOJ, Ryozo Himino, ter minimizado na quarta-feira (6) os efeitos adversos de uma subida das taxas foi provavelmente a mais significativa das aparentes pistas de comunicação do banco central.

A hipótese de Himino sobre o que poderia acontecer se o banco central acabasse com os juros negativos pareceu uma clara pavimentação do caminho para essa possibilidade.

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A questão-chave é quando isso acontecerá. O BOJ tem reunião nos dias 18 e 19 de dezembro, seguida de outra em janeiro. As reuniões em março e abril ocorrem depois dos resultados das negociações salariais sindicais do próximo ano.

Nesta quinta (7), os swaps indexados overnight mostraram, a certa altura, uma probabilidade de quase 45% de o Banco do Japão pôr fim à sua política de taxas de juros negativas na reunião deste mês. Há apenas dois dias – antes do discurso de Himino – apresentavam um risco de apenas 3,5%.

“O rali dos títulos em novembro proporcionou um terreno fértil para o Banco do Japão ajustar a política monetária antes do Natal”

Althea Spinozzi, estrategista de renda fixa do Saxo Bank

“No entanto, o que aprendemos com o Banco do Japão é que qualquer ajuste será moderado e gradual”, completou Spinozzi.

O BOJ divulgará previsões de preços atualizadas em janeiro e abril que poderão ser utilizadas para apoiar a mudança da política, tornando essas reuniões opções mais prováveis do ponto de vista dos economistas.

Ainda assim, a sensação de que existe um risco crescente de ação em qualquer uma das próximas reuniões aumentou.

Olhando para o mercado de renda fixa, o estrategista da Mizuho Securities, Shoki Omori, disse que investidores começam a precificar “a saída do banco central da política monetária ultrafrouxa em janeiro, em vez da visão consensual anterior de abril”.

Reforçando essa tese de transição, o Banco do Japão tem conduzido uma pesquisa especial com participantes no mercado, incluindo um workshop para discutir seu impacto e efeitos secundários.

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Alguns players também veem uma possibilidade crescente de um corte nos juros dos EUA acelerar o fim das taxas negativas do BOJ.

“Seria mais fácil para o Banco do Japão tomar medidas em janeiro, quando é pouco provável que o Fed aumente ou reduza sua taxa de referência”, disse Tadashi Matsukawa, chefe de renda fixa da PineBridge Investments Japan. O banco central provavelmente encerrará a política de taxas negativas em janeiro, afirmou.

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