Mercado de ETFs do Brasil triplica e chega a R$ 116 bi em avanço de fundos na região

Patrimônio dos fundos cresce em ritmo recorde, impulsionado por novos produtos, incentivos tributários e maior demanda; gestoras ampliam oferta de produtos e investidores migram para opções mais eficientes e de menor custo

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Bloomberg — Fundos negociados em bolsa (ETFs) estão ganhando espaço rapidamente nos mercados locais da América Latina, à medida que investidores buscam uma série de novos produtos adaptados à demanda interna.

Esse crescimento é mais visível no Brasil, onde a combinação de novos produtos e novos aportes fez com que o patrimônio dos ETFs listados localmente quase triplicasse nos últimos dois anos, chegando a cerca de R$ 116 bilhões.

Empresas como a BTG Pactual Asset Management e a Itaú Asset Management estão entre as que expandiram rapidamente suas operações de ETFs, atendendo investidores que buscam formas fiscalmente eficientes de investir nos mercados de renda fixa de alto rendimento do país.

Emissores de ETFs no México, Chile e Colômbia também viram o interesse por suas ofertas locais atingir níveis recordes.

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A onda de novos produtos reflete uma evolução mais ampla dos mercados financeiros da América Latina, onde os investidores têm cada vez mais acesso a veículos especializados, desenhados de acordo com as preferências locais.

Isso se assemelha à trajetória observada em mercados de ETFs mais maduros, como o da Coreia do Sul, onde a expansão do portfólio de produtos acompanhou o amadurecimento da base de investidores.

“O crescimento que estamos vendo nos ETFs no Brasil é inevitável”, disse Bernardo Feijó, sócio e diretor de operações (COO) da Kapitalo Investimentos, sediada em São Paulo.

“O fato de operarmos globalmente em praticamente todos os mercados e classes de ativos significa que precisamos de instrumentos que sejam líquidos e eficientes em termos de custos e tributação — e os ETFs desempenham esse papel.”

Embora grandes investidores já utilizassem há tempos ETFs amplos listados nos EUA, como o EWZ (que acompanha ações brasileiras), as opções locais eram limitadas pela escassez de produtos e por um mercado dominado, por muito tempo, por fundos de gestão ativa.

As maiores gestoras de ETFs da região estão agindo rapidamente para aproveitar essa nova demanda.

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O patrimônio da divisão de ETFs do BTG ultrapassou 20 bilhões de reais, ante cerca de R$ 1 bilhão no final de 2024. Na Investo, empresa apoiada pela VanEck, o montante saltou de R$ 1,7 bilhão para mais de R$ 11 bilhões em quase dois anos.

“Como um ETF pode acomodar praticamente qualquer tipo de investimento, ele deve acabar se tornando a classe de ativos que atrai o maior volume de novos recursos”, disse Tiago Lima, sócio e chefe de distribuição da BTG Pactual Asset Management.

Os ETFs de renda fixa no Brasil atraíram mais de R$ 27 bilhões em novos recursos este ano, segundo dados da Anbima, associação do mercado de capitais.

Esses fundos geralmente cobram taxas mais baixas e são isentos de um sistema de tributação no qual os investidores antecipam o pagamento de Imposto de Renda duas vezes ao ano — prática comum em muitos fundos de renda fixa tradicionais.

Na Itaú Asset Management, os ETFs que investem em títulos públicos registraram a maior demanda, afirmou Renato Eid, chefe de fundos indexados da gestora.

Esse movimento está se expandindo pela região. Na Colômbia, o número de ETFs listados aumentou 24% em relação ao ano passado, enquanto no Chile houve um crescimento de 37% no mesmo período.

No México, o patrimônio de ETFs e outros produtos negociados em bolsa subiu para US$ 15,3 bilhões, ante US$ 14,3 bilhões no ano passado, segundo a ETFGI.

Lá, grandes investidores institucionais estão utilizando esses instrumentos cada vez mais para obter exposição a mercados de ações estrangeiros — particularmente a empresas de tecnologia e inteligência artificial dos EUA —, segundo Ignacio Saralegui, chefe de soluções de portfólio para a América Latina na Vanguard.

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Os fundos de pensão do país, conhecidos como Afores, estão utilizando ETFs para acessar o mercado de ações, com veículos temáticos e de gestão ativa impulsionando o crescimento, segundo Nestor Fernandez, diretor de investimentos da Principal Afore, que administra cerca de US$ 26 bilhões em ativos.

“É um instrumento muito transparente, altamente eficiente e de baixo custo, que nos permite obter exposição a regiões onde o acesso seria, de outra forma, limitado”, disse ele.

A América Latina ainda está atrás de mercados de ETFs mais maduros.

O patrimônio sob gestão em ETFs dos EUA — setor que deslanchou no final dos anos 2000 — ultrapassou US$ 15,6 trilhões. Os ETFs europeus detêm mais de US$ 3 trilhões em ativos. Nesses mercados, produtos de gestão ativa ganharam força ao oferecer aos investidores maior flexibilidade e custos mais baixos.

Na Ásia, o maior mercado de ETFs é o Japão, com cerca de US$ 845 bilhões em ativos sob gestão ao final do segundo trimestre, seguido pela China continental, Taiwan e Coreia do Sul, segundo a Bloomberg Intelligence.

Os ETFs de gestão ativa ainda são uma novidade — Taiwan lançou o seu primeiro em 2025, enquanto a expectativa é que a China autorize esse tipo de produto ainda este ano. Na Índia, os ETFs listados localmente concentram-se em fundos passivos que acompanham índices de ações e o preço do ouro.

Os principais ETFs da Ásia, em termos de desempenho e volume de ativos, estão predominantemente ligados ao avanço dos investimentos em inteligência artificial — cujas oscilações bruscas levaram recentemente os reguladores da Coreia do Sul a agir para conter possíveis colapsos.

De volta ao Brasil, os reguladores estão conduzindo estudos para implementar estratégias de gestão ativa para ETFs, com resultados potenciais e um novo impulso à demanda previstos para 2027.

“Parece que o momento dos ETFs finalmente chegou”, disse Cauê Mançanares, sócio-fundador e CEO da Investo. “Ainda existe uma lacuna significativa de adoção em comparação com os EUA e a Europa, mas vamos reduzir essa diferença muito mais rápido do que eles, porque já conhecemos o roteiro.”

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