J.P. Morgan corta projeção de lucro do Banco do Brasil e cita aumento da inadimplência

Analistas reduziram estimativa de lucro para 2026 e 2027 após piora na inadimplência do agronegócio e da carteira de cartões, cortando o preço-alvo da ação de R$ 25 para R$ 22; recomendação neutra para o papel foi mantida

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Bloomberg Línea — O J.P. Morgan reduziu suas projeções de lucro para o Banco do Brasil (BBAS3) em 2026 e 2027, além de cortar o preço-alvo da ação de R$ 25 para R$ 22 para dezembro de 2027.

O banco de investimento manteve a recomendação neutra para o papel, negociado a R$ 22,04 no fechamento de terça-feira (15), quando foi publicado o relatório.

A revisão, assinada pelo analista Yuri Fernandes e equipe, reflete o cenário ainda desafiador para as carteiras de crédito rural e de pessoa física do banco estatal.

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Para 2026, o J.P. Morgan cortou em 8% a estimativa de lucro recorrente, para R$ 16,879 bilhões, o que representa queda de 18% em relação a 2025 e uma rentabilidade medida pelo ROE (retorno sobre patrimônio líquido) de cerca de 9%.

Para 2027, a projeção caiu 12%, para R$ 23,524 bilhões, com recuperação anual de 39% e ROE próximo de 12%. Com os novos números, o banco de investimento diz estar 2% e 6% abaixo do consenso de mercado para 2026 e 2027, respectivamente, considerando 11 estimativas compiladas pela Bloomberg.

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Três fatores explicam o corte, segundo o relatório. O primeiro é o aumento das provisões, puxado pelo salto de 7,5 pontos percentuais na inadimplência acima de 90 dias dos cartões de crédito no último trimestre. O segundo é a receita menor com operações de mercado (NII). O terceiro é a contribuição mais fraca de participações societárias, caso da seguradora BB Seguridade (BBSE3). Juntos, esses efeitos pesam sobre a lucratividade projetada da instituição até o fim de 2027.

O preço-alvo de R$ 22 por ação segue duas metodologias com peso igual. A primeira é um modelo de renda residual em dois estágios, que calcula o retorno excedente sobre o capital (ROE esperado menos custo de capital, multiplicado pelo patrimônio médio) ao longo de 10 anos, entre 2028 e 2036, mais um período terminal a partir de 2036.

A segunda é uma regressão entre ROE ajustado ao risco e múltiplos de preço sobre valor patrimonial (P/VP) para um grupo de bancos latino-americanos, aplicada ao valor patrimonial projetado para 2027. As premissas do modelo incluem ROE de longo prazo de 15%, custo de capital de 18% e crescimento perpétuo de 6%.

As ações do BB acumulam alta de 4% em 2026 e 3% em 12 meses, um desempenho inferior ao do Ibovespa (+16% no ano e +29% em 12 meses).

Ações do Banco do Brasil (BBAS3)

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Inadimplência no foco

O relatório chega semanas após o Banco do Brasil divulgar o balanço do segundo trimestre, que trouxe um alívio parcial ao investidor. O lucro líquido recorrente somou R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% na comparação anual e de 13,9% ante o primeiro trimestre, superando o consenso de analistas ouvidos pela Bloomberg.

O ROE avançou para 8,3%, um ponto percentual acima do trimestre anterior, e a margem financeira bruta cresceu 9,6% em doze meses, para R$ 27,5 bilhões.

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A inadimplência do agronegócio acima de 90 dias praticamente estabilizou, com alta de apenas 0,05 ponto percentual no período, para 6,27%, embora os atrasos de curto prazo, acima de 30 dias, continuem subindo.

Entre os riscos para a tese, o J.P. Morgan cita possível piora adicional na qualidade dos ativos, pressão sobre o capital do banco e mudanças na política tributária do governo federal, incluindo o fim do IOC.

No lado positivo, aponta uma reprecificação ligada ao noticiário político, melhora na carteira agro, juros mais altos beneficiando a margem financeira e receita adicional com a renovação de contratos de seguros.

Apesar do corte nas estimativas, o banco de investimento manteve o argumento eleitoral como pano de fundo para a tese de investimento.

“Acreditamos que a volatilidade eleitoral ainda é a abordagem mais equilibrada para o papel”, escreveu o analista, ao justificar por que prefere aguardar antes de alterar a recomendação sobre a ação BBAS3.

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