Bloomberg — A família de fundos Artax, da Itaú Asset Management, tem evitado realizar grandes apostas em ativos de Brasil, diante da expectativa de volatilidade dos mercados devido à incerteza eleitoral.
Para Bruno Bak, gestor do Itaú Artax, que administra mais de R$ 8 bilhões em ativos, a despeito do ambiente externo positivo para mercados emergentes no início de ano, com a rotação para fora de ativos americanos que enfraquece o dólar e favorece emergentes, o ciclo eleitoral é um fator que limita uma maior exposição aos ativos domésticos.
“Temos uma preocupação eleitoral”, disse Bak, em entrevista à Bloomberg News, completando que, por isso não tem uma aposta grande a favor de ativos brasileiros “mesmo com o externo tão benevolente”.
“O externo é o principal vetor” do rali dos mercados domésticos nas últimas sessões, disse Bak.
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Segundo ele, a postura geopolítica dos Estados Unidos sob Donald Trump tende a “deixar o dólar mais fraco, dado que a institucionalidade está piorando”. Desde o início de janeiro, a bolsa acumula uma alta de cerca de 13% e o dólar recua mais de 5%.
No Brasil, o Artax se posiciona na curva de juros futuros com viés para aplicar juros — no jargão de mercado, apostar na queda das taxas. Segundo Bak, o fundo monta a aposta aplicada nos juros quando o mercado reduz a precificação de cortes.
Bak avalia que há espaço para entregar ao menos 2 pontos percentuais de queda até as eleições, o que levaria a Selic a 13%. O ciclo pode se estender a depender do resultado das eleições e da política econômica, de acordo com o gestor.
Atualmente, a curva de juros embute cerca de 2,75 pontos percentuais de corte até o fim do ciclo, projetado para meados de 2027. A perspectiva dos traders é de que o Banco Central inicie os cortes em março.
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Neste início de ano, o Artax se beneficiou do rali da bolsa brasileira com apostas em setores como o financeiro e, ainda, em ações de tecnologia nos EUA. Além disso, apostas em queda nas taxas de juros do México e em alta das taxas do Chile também impulsionaram os retornos.
Juro nominal
Bak avalia que os juros nominais são o melhor ativo para surfar uma mudança de política econômica.
O juro “teria que sair de postura restritiva para acomodatícia” com uma política econômica de gastos menores, disse Bak. O juro nominal iria abaixo de 10% neste caso junto com a queda das taxas de inflação implícita, segundo ele.
Na sequência, os melhores ativos para operar esse cenário seriam a bolsa e os juros reais. O câmbio seria o pior mercado, dado que seria afetado negativamente pelo encolhimento do diferencial de juros, disse ele.
No mercado de moedas, o gestor disse que costuma operar de forma mais tática e não tem uma posição estrutural.
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