Investidores ainda não perderam a fé nos emergentes, diz Bank of America

Em relatório, analistas do banco de Wall Street avaliam que uma resolução rápida do conflito no Oriente Médio poderia reafirmar a visão otimista dos mercados emergentes, e os investidores não parecem estar dispostos a desistir de sua visão estrutural positiva

Por

Bloomberg — Os investidores não perderam a fé nos mercados emergentes, mesmo depois que o conflito no Oriente Médio abalou os ativos mais arriscados, de acordo com estrategistas do Bank of America.

Os países em desenvolvimento estavam aproveitando “o auge do otimismo dos investidores” antes da guerra com o Irã, com fluxos recordes para os mercados acionários da Europa Oriental, Oriente Médio e África, apesar do aumento das tensões, escreveram os estrategistas do banco, incluindo John Morris, em um relatório.

Leia também: Banco Central ‘não pode ignorar’ guerra no Irã ao avaliar juros, diz diretor

Isso criou uma “grande base” para a reversão de posições no caso de um conflito prolongado, já que os preços mais altos da energia ameaçam a economia global, escreveram os estrategistas.

Mas tudo depende do tempo de duração da guerra. Uma resolução rápida poderia reafirmar a visão otimista dos mercados emergentes, escreveram Morris e seus colegas.

“Os investidores não parecem estar dispostos a desistir de sua visão estrutural positiva, pelo menos até agora”, acrescentaram.

Antes da guerra, os principais gestores vinham construindo posições compradas na Ásia, América Latina e partes da Europa, Oriente Médio e África, apostando em um crescimento robusto, na redução da inflação e em uma política monetária global mais frouxa.

Agora, a perspectiva de custos de energia mais altos e o risco de um dólar mais forte estão provocando uma corrida para cortar a exposição.

O índice de referência de ações de mercados emergentes caiu 8,6% nos três primeiros dias desta semana, antes de se recuperar parcialmente na quinta-feira (5).

Os fluxos de entrada nos mercados acionários da região que abriga Europa, Oriente Médio e África atingiram um recorde de US$ 5,57 bilhões no mês até 25 de fevereiro, escreveram os estrategistas do BofA, citando dados do EPFR.

A África do Sul recebeu a maior parte dos fluxos de entrada, com US$ 1,58 bilhão, seguida pela Polônia, com US$ 787 milhões. Os dados não capturam a eclosão da guerra do Irã três dias depois.

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também

Wall Street em alerta: superprodutividade da IA pode tornar empresas dispensáveis