Ibovespa encerra fevereiro em alta acumulada de 4%; dólar cai a R$ 5,13

Principal índice da B3 encerrou último pregão do mês em queda de 1,16% após IPCA-15 vir acima do esperado; exterior segue pressionado por temor com IA

After Hours
27 de Fevereiro, 2026 | 06:52 PM

Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) caiu 1,16% nesta sexta-feira (27), aos 188.787 pontos, com investidores reagindo negativamente à prévia da inflação de fevereiro, que veio acima do esperado.

Houve também pressão negativa do exterior, onde o temor com os efeitos disruptivos da inteligência artificial continua a derrubar as bolsas.

PUBLICIDADE

Apesar da queda no dia, o principal índice da B3 encerrou fevereiro com ganhos de 4,09%, sustentado pelo fluxo de capital estrangeiro para mercados emergentes, que segue forte desde o início do ano.

Já o dólar chegou a subir contra o real na última sessão do mês, tradicionalmente marcada por correções antes da formação do dólar ptax, taxa de câmbio utilizada como parâmetro para diversos contratos comerciais, incluindo importações e exportações.

Ao final da sessão, no entanto, a moeda virou para o negativo e caiu 0,1%, cotada a R$ 5,13. No mês, a divisa americana recuou 2,07% contra o real.

PUBLICIDADE
  • Ibovespa (IBOV): -0,38% às 11h, aos 190.284 pontos
  • Dólar comercial: +0,51% às 11h, cotado a R$ 5,17

O IPCA-15 para este mês avançou para 0,84% ante uma alta de 0,20% em janeiro. O número superou as projeções para o indicador, que esperavam subida de 0,56% no mês.

A preocupação é com o efeito que o IPCA-15 possa ter na trajetória de cortes da taxa básica de juros. A leitura do indicador pode levar o Banco Central a diminuir o ritmo, passando de um esperado corte de 0,5 ponto percentual (p.p.) para um menor, de 0,25 p.p..

Matheus Pizzani, economista do PicPay, reforçou, no entanto, que o dado não aponta necessariamente para uma mudança na trajetória positiva do IPCA.

PUBLICIDADE

“[O dado é] reflexo de um evento sazonal já esperado, referente aos preços de educação, combinados com uma maior pressão inflacionária dos preços administrados, que além de não serem objeto de interesse para fins de política monetária, possuem presença na divulgação de hoje parcialmente atribuída ao modelo de coleta do IPCA-15″, afirmou em nota.

Nos Estados Unidos, os principais índices de ações voltam a cair com a preocupação com os efeitos da inteligência artificial. Os investidores de Wall Street evitaram os segmentos mais arriscados do mercado, com as ações caindo devido a preocupações geopolíticas e quaisquer problemas relacionados ao crédito privado – uma importante fonte de financiamento para as gigantes de tecnologia e IA.

Para somar ao pessimismo, o índice de preços ao produtor (PPI) de janeiro subiu acima das projeções, para alta de 0,5% no mês.

PUBLICIDADE
  • Dow Jones: -1,05%
  • S&P500: -0,43%
  • Nasdaq: -0,92%

O mês foi de alta volatilidade no mercado americano, com as ações de gigantes de tecnologia prejudicadas por temores de disrupção causada pela inteligência artificial – movimento que traders apelidaram de “AI scare trade”.

Nesse contexto, o índice de tecnologia Nasdaq registrou uma queda mensal de 3,38%, em seu pior desempenho mensal desde março do ano passado. O S&P 500, que também conta com grandes nomes do setor em sua carteira, caiu 0,62% em fevereiro.

-- Com a Bloomberg News.

Leia mais

A Arco deixou a Nasdaq em 2023. Agora reabre o caminho para o mercado de dívida

Vitória na derrota: por que acionistas da Netflix comemoram fim de acordo pela Warner