Ibovespa cai mais de 1% com decisões de juros e balanços no radar; dólar sobe a R$ 5

Investidores aguardam decisões do Fed e do BC e monitoram balanços, enquanto dólar supera R$ 5 e pressiona ativos locais

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Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) voltou a operar em queda nesta quarta-feira (29) e caminha para o sexto pregão consecutivo de perdas, abaixo da marca dos 187.000 pontos.

Os investidores acompanham a divulgação de balanços financeiros. No caso do Brasil, o Santander deu início à temporada de resultados entre os grandes bancos.

A operação brasileira do grupo espanhol registrou lucro líquido gerencial de R$ 3,788 bilhões no primeiro trimestre de 2026 — uma retração de 1,9% na comparação anual e de 7,3% frente ao quarto trimestre do ano anterior.

Além disso, os investidores aguardam a divulgação de decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil, conhecido como ‘Super Quarta’.

Ibovespa (IBOV): -1,12% às 11h13, aos 186.514 pontos

Dólar comercial: +0,56% às 11h13, cotado a R$ 5,0020

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Enquanto no exterior a atenção se volta para a decisão do banco central americano, o Federal Reserve (Fed), que divulgará sua decisão sobre os juros às 15h (horário de Brasília). Além disso, esta pode ser a última reunião de Jerome Powell como presidente do Fed, com coletiva prevista para 15h30.

No Brasil, investidores aguardam mais um corte na taxa Selic, para 14,5% ao ano - atualmente, a taxa está em 14,75%. A decisão será anunciada às 18h30.

Nesta segunda-feira, o Goldman Sachs elevou sua projeção para a taxa Selic ao final de 2026 para 13,25% ao ano, segundo relatório.

A revisão — a segunda em poucos dias, após o banco de Wall Street já ter elevado a estimativa a 13,00% em 21 de abril — reflete um cenário de maior cautela do Banco Central diante da combinação de deterioração das expectativas de inflação e incerteza global elevada provocada pelo choque do petróleo decorrente do conflito no Oriente Médio.

Ainda no exterior, investidores monitoram o impacto dos preços de energia sobre a inflação e a capacidade do Fed de cortar juros, enquanto aguardam também os resultados financeiros das big techs e sinais sobre gastos com inteligência artificial.

“Se os gastos com IA aumentarem e o Fed considerar os custos de energia transitórios, podemos ver um rali. Se houver sinal de cautela, podemos ter uma volatilidade negativa relevante”, disse Louis Navellier.

Já para Fiona Cincotta, “os preços elevados do petróleo aumentam as pressões inflacionárias e complicam o cenário de política monetária”, criando um ambiente desafiador para o banco central equilibrar inflação e crescimento.

-- Com informações da Bloomberg News

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