Ibovespa acompanha perdas de NY e recua 1%; BB e Ambev sobem após balanços

Bolsas americanas recuaram até 2% nesta quinta (12) com temores renovados sobre o impacto de novos modelos de IA sobre diferentes indústrias; sentimento de aversão a risco derrubou também cotações de commodities e metais

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12 de Fevereiro, 2026 | 07:12 PM

Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) recuou 1,02% nesta quinta-feira (12), em linha com o recuo das bolsas internacionais, que caíram em meio a um novo temor generalizado sobre os efeitos disruptivos da inteligência artificial nos mercados.

O principal índice da B3 caiu para os 187.766 pontos. O sentimento de aversão a risco beneficiou o dólar, que subiu 0,25% contra o real, cotado a R$ 5,20.

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Fechamento 12/02/2026

No exterior, o dia foi marcado pelo que pode ser - mais uma vez - uma nova rodada de reavaliação mais ampla do risco a certos negócios associado à IA, após mais de um ano de valorização constante de ativos associados à essa revolução.

Essas preocupações se intensificaram depois que a startup de IA Anthropic lançou novas ferramentas projetadas para automatizar tarefas de trabalho em vários setores, acentuando o medo de que tais inovações prejudiquem inúmeros negócios.

Além disso, a “corrida” de grandes empresas de tecnologia para levantar quantias sem precedentes de capital a fim de investimentos para expandir a IA torna o mercado de crédito mais vulnerável, com impacto sobre os prêmios de risco.

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O clima de aversão a risco derrubou principalmente o índice de tecnologia Nasdaq, cujo índice Composite caiu 2,04%. Houve uma baixa generalizada também entre commodities - de metais como prata e ouro ao petróleo, com quedas respectivamente de 10,74%, 3,22% e 2,68%.

Alguns analistas atribuíram a rápida queda do ouro por volta do meio-dia à necessidade de investidores para levantar recursos para cobrir perdas em ações.

“Essa é a perspectiva mais incerta que vimos para a IA e para a alta impulsionada pela tecnologia desde o início deste bull market”, disse Tom Essaye, do The Sevens Report, à Bloomberg News.

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“Isso não significa que o setor de tecnologia não vá se recuperar como fez desde então. Mas quero alertar contra descartar essa fraqueza atual como ‘apenas mais um solavanco no caminho’.”

Leia também: Anthropic capta US$ 30 bi em megarodada após abalar mercados com novo modelo de IA

Destaques de balanços

Entre as 85 ações do Ibovespa, apenas 20 fecharam em alta.

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Um dos maiores ganhos em variação veio da Ambev (ABEV3), que subiu 4,76% após apresentar seu resultado do quarto trimestre pela manhã.

“O quarto trimestre reforça o cenário: disciplina de preços e controle de custos permanecem intactos, o timing dos hedges gerou ruído nas margens do trimestre, e o guidance sugere uma trajetória de custos mais administrável rumo a 2026”, escreveram, em nota, analistas do Citi sobre o resultado.

O Banco do Brasil (BBAS3) operou na contramão do setor bancário e subiu 4,50% também após apresentar seus resultados do quarto trimestre. O banco apresentou um guidance mais conservador para 2026 que foi bem recebido pelo mercado.

“Embora o guidance possa finalmente parecer conservador o suficiente para começar a gerar confiança no mercado, ele também implica uma recuperação mais lenta e gradual, com muitas variáveis ​​em jogo — particularmente em relação à normalização dos custos do crédito agrícola e à trajetória do ciclo de Selic sobre as despesas de financiamento”, escreveram, em relatório, analistas do Itaú BBA.

-- Com informações da Bloomberg News

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