Goldman eleva projeção para o S&P 500 em 2024 um mês após última revisão

Para banco americano, mudança de postura do Fed e queda da inflação permitirão que os juros reais caiam e estimulem o mercado de ações

S&P 500 Index
Por Farah Elbahrawy
18 de Dezembro, 2023 | 01:49 PM

Bloomberg — Apenas um mês após estabelecer uma meta para o S&P 500 em 2024, os estrategistas do Goldman Sachs (GS) aumentaram sua previsão, já que o rali de final de ano não mostra sinais de desaceleração.

A mudança de postura para dovish do Federal Reserve (Fed) na semana passada, juntamente à queda nos preços ao consumidor, é um resultado que permitirá que os juros reais caiam, ao mesmo tempo que sustenta os valuations das ações, escreveu a equipe liderada por David Kostin.

“As ações já estavam precificando atividade econômica positiva, mas agora refletem uma perspectiva ainda mais robusta”, afirma a nota.

Kostin vê o S&P 500 atingindo 5.100 pontos até o final de 2024, juntando-se a colegas de Wall Street, como os do Bank of America (BAC) e Oppenheimer Asset Management, que esperam uma nova alta em 2024. O estrategista do Goldman elevou a previsão em quase 9% em relação ao nível de 4.700 do meio de novembro.

PUBLICIDADE

Há também o risco de que a previsão de crescimento anual de 5% nos lucros em 2024 possa se mostrar pouco otimista, graças às condições financeiras mais flexíveis que devem impulsionar a atividade econômica e os lucros das empresas, disse Kostin.

O estrategista afirmou anteriormente que sua equipe estava certa em prever que o S&P 500 não mostraria crescimento nos lucros em 2023, mas errou ao dizer que o índice não subiria neste ano.

As ações dos Estados Unidos dispararam este ano, em meio às expectativas de uma mudança de política dovish e ao otimismo em torno da inteligência artificial, impulsionando os papéis de tecnologia.

PUBLICIDADE

O S&P 500 está a menos de 2% da máxima histórica, enquanto o Nasdaq 100 atingiu a máxima em dois anos, depois que o Fed sinalizou que as agressivas altas de juros para conter a inflação provavelmente acabaram e cortes estão na mesa para 2024.

Mas mesmo com o rali, Kostin observou que US$ 1,4 trilhão foi direcionado para fundos de mercado monetário este ano, à medida que as taxas de juros subiam, muito mais do que os US$ 95 bilhões que fluíram para as ações dos EUA. “À medida que as taxas começam a cair, os investidores podem realocar parte de suas posições em dinheiro para ações”, disse ele.

Mesmo Michael Wilson, do Morgan Stanley (MS), um dos mais proeminentes pessimistas em Wall Street, disse que a mudança dovish é um sinal de que o Fed quer garantir que mude de política a tempo de alcançar um pouso suave.

“Isso é um resultado otimista para as ações”, já que as chances de evitar uma recessão econômica aumentaram se o banco central priorizar a manutenção do crescimento em vez de reduzir a inflação para sua meta, disse ele.

Wilson disse que, embora haja o risco de a mudança dovish permitir que a inflação eventualmente se acelere novamente, ainda é “uma notícia bem-vinda para os investidores em ações, especialmente dada a reação do mercado de títulos à orientação dovish”.

Parece que o Fed não está cometendo um erro de política, escreveu ele. A meta para 2024 permanece em 4.500, implicando uma queda de quase 5% em relação ao último fechamento.

Veja mais em Bloomberg.com

PUBLICIDADE

Leia também

Com rali em NY, ações de bancos sinalizam saída de bear market

Multimercados no país têm maior ganho desde março de 2022 com rali global

Por que este diretor do Fed acredita que é cedo para falar em corte de juros