Multimercados no país têm maior ganho desde março de 2022 com rali global

Veja como fundos de algumas das maiores e mais tradicionais gestoras do país estão posicionadas com a volta do apetite a risco e o rali de ativos de novembro

Região da marginal Pinheiros, em São Paulo: otimismo cauteloso entre alguns dos gestores consultados (Foto: Paulo Fridman/Bloomberg)
Por Felipe Saturnino
15 de Dezembro, 2023 | 04:41 PM

Bloomberg — Os fundos multimercado brasileiros tiveram em novembro o seu melhor mês desde março de 2022, com a recuperação global dos ativos de risco impulsionada por apostas de que o Federal Reserve terá espaço para cortar os juros no começo de 2024.

Absolute Investimentos e Kapitalo Investimentos estiveram entre as gestoras que lucraram com apostas otimistas na bolsa brasileira e no real, e que mantinham posições que ganhavam com a queda das taxas de juros domésticas, outra posição que se provou correta.

A Legacy Capital e a Ibiuna Investimentos, cujos fundos multimercado também registraram ganhos no mês, reduziram as posições que se beneficiaram do ambiente pró-risco e da queda nas taxas de juros.

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O Ibovespa saltou 12,5% em novembro, seu melhor mês em três anos, enquanto o dólar interrompeu três meses seguidos de alta contra o real. Os avanços fizeram parte de um rali amplo dos ativos de risco, conforme os investidores veem o Fed pronto para encerrar o aperto monetário mais agressivo em uma geração.

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Essa aposta ganhou novo fôlego na quarta-feira (13), quando o banco central dos EUA deu o sinal mais forte até agora de que cortes ocorrerão no próximo ano.

“O alívio externo foi o principal driver para os retornos dos fundos, seja em posições aplicadas em juros brasileiros e internacionais ou compradas em bolsas”, disse Frederico Catalan, gestor de juros do Opportunity Total, fundo que retornou 2,90% em novembro.

“O Fed surpreendeu com uma mudança muito relevante, ao introduzir uma discussão sobre cortes. Isso cria um ambiente mais benigno para os ativos de risco. É positivo para a indústria” de fundos, disse Catalan.

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Uma cesta de hedge funds brasileiros monitorados pela Anbima subiu 2,52% em novembro, o maior avanço mensal desde março de 2022. O índice IHFA superou a taxa de referência interbancária do CDI, que ganhou 0,92% no período – a primeira vez desde julho que o índice dos hedge funds locais, equivalente aos multimercados, superou o CDI.

Veja o que as gestoras escreveram em suas cartas mensais:

Absolute Investimentos

A Absolute disse que está aplicada em juros nominais curtos e intermediários no Brasil e detém uma posição comprada no real contra o dólar. Está comprado em bolsas no Brasil e nos EUA.

  • Absolute Vertex FIC: +3,27% em novembro
  • Taxa de referência do CDI: +0,92%

Adam Capital

O fundo da Adam esteve entre as exceções de novembro e registrou o seu pior mês desde abril de 2022. A economia global teve um desempenho melhor do que o fundo esperava e as apostas de que tanto a bolsa brasileira como as ações globais recuariam prejudicaram o desempenho. O fundo ajustou as posições e manteve apostas em taxas de juro reais locais menores.

  • Adam Macro II FIC: -3,37%
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Bahia Asset Management

No Brasil, o fundo tem posições tomadas no juro real longo contra os Estados Unidos. Também está aplicado em juros nominais curtos e manteve posições relativas compradas em bolsa brasileira contra a alemã.

  • Bahia AM Marau FIC: +1,31%

Genoa Capital

Passou a aplicar juros nominais e reduziu as posições compradas em inflação implícita. Nos EUA, está comprada em inflação implícita e liquidou as apostas na curva de juros.

  • Genoa Capital Radar FIC FIM: +0,39%

Ibiuna Investimentos

A Ibiuna disse que reduziu o risco das posições aplicadas em juros nominais e reais no Brasil, em emergentes e desenvolvidos. Processo de desinflação “bem-sucedido” deve deixar a Selic em cerca de 9,5% ao ano em meados de 2024.

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  • Ibiuna Hedge STH FIC: +2,65%

JGP Asset Management

Os principais ganhos dos fundos foram originados nas operações de inclinação de curva de juros nos Estados Unidos, além da compra de ações brasileiras. O arcabouço fiscal tem sido enfraquecido por iniciativas do próprio governo e a sua credibilidade foi abalada, avaliou.

  • JGP Strategy FIC: +1,52%

Kapitalo Investimentos

A Kapitalo disse que ampliou a aposta otimista com o real e a bolsa, enquanto reduziu a posição aplicada em juros no Brasil. As apostas que se beneficiam de juros menores nos EUA e na Europa foi aumentada.

  • Kapitalo Kappa FIN: +4,11%

Legacy Capital

A Legacy reduziu parcialmente posições que mais se beneficiaram com o ambiente favorável a ativos de risco em novembro. Fundo mantém posições aplicadas em juros reais e nominais no Brasil e adicionou apostas aplicadas em México e Nova Zelândia. Gestora entrou na primeira emissão de títulos verdes do Tesouro a preços atrativos e reduziu após apreciação.

  • Legacy Capital FIC: +3,99%

SPX Capital

O fundo está com pouca alocação direcional em ativos de Brasil e ações internacionais.

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  • SPX Nimitz: -0,86%

Verde Asset Management

O fundo reduziu exposição a ações, tanto no Brasil quanto no exterior. Manteve posição aplicada em juros reais no Brasil e voltou a ficar comprado no real contra o dólar.

  • Verde FIC FIM: +2,91%

Vinland Capital

A Vinland detém posições aplicadas na parte curta da curva e tem apostas em trava na curva em taxas globais, com avaliação de início de cortes no meio de 2024. Está comprado em zloty polonês contra o euro.

  • Vinland Macro Plus FIC FIM: +1,86%

- Com a colaboração de Vinícius Andrade.

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