Gestor da Itaú Asset reduz risco e vê teto do Ibovespa a 140.000 pontos

Cenário adverso, com reprecificação do início dos cortes nos EUA e menor ritmo de redução da Selic, levou Rodrigo Koch, gestor da família de fundos Optimus, a adotar tom mais cauteloso

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Por Barbara Nascimento
13 de Maio, 2024 | 12:05 PM

Bloomberg — Com R$ 30 bilhões em ativos sob gestão, o gestor de uma família de fundos da Itaú Asset não está otimista com a bolsa brasileira.

A reprecificação do início do corte de juros pelo banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, e a redução do ritmo de flexibilização da Selic no Copom de quarta-feira, deixam o preço-alvo do Ibovespa (IBOV) limitado a 140.000 pontos, diz Rodrigo Koch, gestor de renda variável da família de fundos Optimus na Itaú Asset, em entrevista à Bloomberg News.

O principal índice da bolsa brasileira fechou a sexta-feira (10) próximo dos 127.600 pontos. O ganho previsto, portanto, não é “muito interessante”, segundo ele. “Tem pouco prêmio”, completa Koch. O Ibovespa acumula queda no ano de quase 5%.

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A mudança no cenário do Fed levou a uma correção também do mercado local, que passou a contar com uma Selic mais alta no fim do ciclo do Banco Central. Com isso, o chamado juro real — taxa descontada a inflação — para o Brasil próximo de 6% “veio para ficar por muito tempo”.

Utilities, financeiro e commodities

Os fundos sob gestão de Koch reduziram a exposição ao risco nas carteiras de investimentos nas últimas semanas e focaram ainda mais em ações de “qualidade” e com “assimetria de preço razoável”.

“O que a gente fez nas últimas semanas foi focar ainda mais nos nomes que temos mais convicção e com prêmio maior do que o Ibovespa”, diz.

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Segundo ele, a maior exposição setorial dos fundos que administra hoje é no setor de utilities, com empresas caracterizadas por um fluxo de caixa mais previsível.

Koch também aposta nos setores financeiro e de commodities — onde prefere petróleo e celulose. Para ele, o cenário para commodities hoje é de estabilidade de preços. Ele vê o setor de óleo e gás aquecido, com boa geração de caixa e “valuation”, e em posição de “ou pagar dividendo, ou fazer M&A”.

Além disso, com o câmbio desvalorizado, Koch considera “interessante” ter empresas exportadoras no portfólio neste momento.

A intenção, diz ele, é ficar momentaneamente de fora de setores muito cíclicos e de empresas demasiadamente alavancadas. “Não estamos num cenário em que a gente vai para ‘mar aberto’ e sai pegando coisas mais arriscadas”, diz.

Koch vê as recentes movimentações no mercado de fusões e aquisições como “movimento defensivos”, citando a fusão de Arezzo e Soma e movimentações nos setores de educação e petróleo. Para ele, há potenciais de operações como essas em setores que perderam muita receita, como saúde, varejo e educação.

A família de fundos Optimus reúne R$ 30 bilhões dos R$ 928 bilhões que a asset tem em patrimônio total gerido.

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