Fundo ‘estrela’ do Morgan Stanley evita dívida de Brasil e Colômbia em ano eleitoral

Eaton Vance Emerging Markets Debt Opportunities Fund, que superou 90% dos pares no último ano, considera que a direção da política fiscal é ‘muito ruim’ e isso deve piorar neste ano, disse o gestor Patrick Campbell à Bloomberg News

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Bloomberg — O Morgan Stanley Investment Management decidiu evitar a dívida local do Brasil e da Colômbia, uma vez que as crescentes lacunas orçamentárias aumentam as preocupações antes das eleições presidenciais deste ano nos dois países.

Patrick Campbell, gestor de portfólio de dívida de países em desenvolvimento da empresa, tem renunciado aos rendimentos altíssimos dos títulos do governo, dado que a direção da política fiscal em ambos os países - supervisionada por presidentes de esquerda - é “muito ruim”, disse ele.

“Talvez não apenas ruim, mas também bastante opaca, além de um ciclo eleitoral”, disse Campbell em uma entrevista à Bloomberg News. “Você pode ter alguns comícios aqui e ali, mas isso não vai mudar a trajetória de longo prazo.”

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Em vez de buscar esses retornos, Campbell optou por se concentrar em mercados locais como Turquia, Nigéria e Uzbequistão.

A Turquia e algumas dessas apostas fora do padrão de referência ajudaram o Eaton Vance Emerging Markets Debt Opportunities Fund, com patrimônio de US$ 4,3 bilhões - administrado por Campbell, Akbar Causer e outros - a superar 90% de seus pares no último ano, com retorno de mais de 17% para os investidores, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Os rendimentos têm sido uma parte fundamental desse desempenho, ofuscando em parte os riscos mais elevados. A dívida turca em moeda local, por exemplo, oferece rendimentos de cerca de 31%, mostram os dados.

A cautela de Campbell se destaca pelo fato de os títulos locais do Brasil e da Colômbia terem permanecido populares entre os gestores, muitos dos quais lucraram com a combinação de altas taxas de juros, dinâmica de inflação relativamente estável e força da moeda.

O Brasil e a Colômbia oferecem rendimentos médios de cerca de 13% e 12%, respectivamente, muito acima da média de 5,4% em um índice da Bloomberg de seus pares.

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Esses mercados também se beneficiaram de uma recuperação mais ampla dos ativos locais dos países em desenvolvimento com o enfraquecimento do dólar, o que protege investidores de alguns dos riscos políticos.

Mesmo assim, as próximas eleições em ambos os países estão desenhando um quadro “complicado” para os investidores.

Os candidatos dos partidos de esquerda em exercício consolidaram seu apoio: o senador Ivan Cepeda na Colômbia e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil. A oposição de direita, por sua vez, continua dividida, de acordo com Campbell.

“Não sei como alguém pode estar tão convencido em qualquer um dos lugares”, disse ele, referindo-se à probabilidade de vitórias da oposição.

A incerteza política se soma ao aprofundamento das pressões fiscais em ambos os países.

A Secretaria do Tesouro do Brasil estima que a dívida como parcela do Produto Interno Bruto (PIB) subirá para o equivalente a 83,6% até o final do ano, um aumento de mais de 10 pontos percentuais desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o cargo em 2023 pela terceira vez.

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Na Colômbia, o governo estima um déficit fiscal de 6,2% do PIB até o final de 2026, acima dos 5,3% em 2022, ano em que o presidente Gustavo Petro assumiu o cargo.

A decisão de Petro, no mês passado, de aumentar o salário mínimo em 23% ampliou as preocupações com a inflação e impulsionou as apostas de que o banco central pode precisar elevar as taxas de juros para conter a inflação.

“Você sempre precisa levar em conta que o banco central é a parte mais ortodoxa do país”, disse Campbell.

-- Com a ajuda de Giovanna Bellotti Azevedo, Beatriz Reis e Oscar Medina.

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