Bloomberg — Investidores estrangeiros têm usado o Brasil como uma forma de diversificar para fora dos Estados Unidos e aumentar a exposição a ações latino-americanas, direcionando recursos para a bolsa local no ritmo mais rápido dos últimos anos e impulsionando os volumes de negociação.
Até 11 de fevereiro, investidores estrangeiros haviam investido mais de R$ 33 bilhões em ações brasileiras, superando os cerca de R$ 25,4 bilhões registrados em todo o ano de 2025.
Isso ajudou a impulsionar o volume médio diário de negociação de ações à vista, conhecido como ADTV, na bolsa para R$ 32,1 bilhões em janeiro, ante a mínima recente de R$ 20,3 bilhões em julho, segundo dados da B3.
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E os fluxos de capital provavelmente continuarão, já que o Brasil se beneficia de uma rotação mais ampla de ativos americanos para mercados emergentes, afirmou Marcelo Okura, co-responsável de mercados globais para a América Latina do UBS Group AG, em São Paulo.
Com mercados vizinhos menores e menos líquidos, muitos estrangeiros veem o Brasil como seu principal ponto de entrada.
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“Há um clima mais otimista em relação à América Latina”, disse Okura em entrevista. “Se a tendência de desvalorização do dólar continuar, o que tem uma chance razoável de acontecer, poderemos ver mais fluxos de capital para a região.”
Os fluxos massivos no início do ano pegaram muitos investidores locais de surpresa, que em grande parte ficaram de fora da alta de 13% do Ibovespa em janeiro — o maior ganho mensal em mais de cinco anos — depois que as preocupações com as eleições deste ano os levaram a reduzir risco.
As ações latino-americanas registraram um forte início de ano, com o índice MSCI da região avançando 17%, superando com folga o desempenho do MSCI Emerging Markets e do S&P 500, que tiveram alta de 11% e queda de 0,1%, respectivamente.
Okura prevê que os fluxos de capital estrangeiro para ações brasileiras totalizem pelo menos R$ 45 bilhões em 2026, com potencial para fluxos ainda maiores caso o cenário externo permaneça favorável.
“Estou cautelosamente otimista para o ano”, disse Okura. “Começamos bem em janeiro, e isso dá uma perspectiva melhor para os bancos. Estamos trabalhando com um cenario de melhora para os volumes”.
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