ETFs temáticos têm saídas de US$ 4 bi em 2024, e emissores fecham fundos

Cenário de juros mais elevado, que favorece a renda fixa, tem pesado sobre o mercado de fundos de índice que apostam em nichos, como energia limpa e computação em nuvem

Bolsa de Nova York: As alocações em ETFs temáticos estavam em alta três anos atrás, quando as taxas de juros atingiram as mínimas históricas
Por Isabelle Lee
14 de Maio, 2024 | 04:02 PM

Bloomberg — Os ETFs temáticos, uma opção de investimento que ganhou popularidade durante a pandemia, têm visto um aumento de retiradas, o que afeta alguns emissores desses fundos focados em nichos específicos.

Em 2024, os investidores já retiraram até o momento quase US$ 4 bilhões de fundos negociados em bolsa que investem em temas como energia limpa e computação em nuvem. As saídas ocorrem depois que as retiradas líquidas somaram US$ 4,6 bilhões em 2023, segundo a Bloomberg Intelligence.

As alocações em ETFs temáticos estavam em alta três anos atrás, quando as taxas de juros atingiram as mínimas históricas. Agora, os gestores podem ganhar quase 5% ao ano colocando seu dinheiro em na renda fixa, e os investimentos em ações de empresas com potencial de alto crescimento têm sido direcionados para fundos voltados para big techs, como o QQQ, que que subiu mais de 8% este ano.

O movimento reduz o apelo de empresas que, com frequência, não são lucrativas e apostam em tecnologias disruptivas do futuro — muitas das quais compõem os portfólios temáticos —, ao mesmo tempo em que obriga provedores especializados a fechar fundos ou reformular suas ofertas.

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A Defiance ETFs fechou quase metade de sua linha desde que foi fundada em 2018, segundo a Bloomberg Intelligence. A Global X liquidou no início deste ano cerca de 20% de sua linha. Os 29 ETFs temáticos da First Trust arrecadaram US$ 55 milhões este ano, em comparação com quase US$ 2,3 bilhões para o ano todo de 2021.

“Como muitos desses ETFs temáticos são compostos mais por empresas não lucrativas do que apenas por um índice de mercado, as taxas de juros têm um impacto maior, para melhor ou para pior”, disse Ryan Issakainen, vice-presidente sênior e estrategista de ETFs da First Trust.

O mercado esperava que o Federal Reserve cortasse as taxas de juros de forma mais agressiva do que parece mais provável agora, levando a uma redefinição das expectativas para algumas empresas que compõem esses fundos, acrescentou ele.

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Entre aqueles que sentem a mudança dos fundos temáticos está a Defiance ETFs. Athanasios Psarofagis, da Bloomberg Intelligence, diz que, mesmo que o fechamento de fundos seja elevado entre os pequenos emissores, o dado da Defiance é superior à média.

Outra métrica em que a Defiance fica aquém do setor de fundos é tempo de vida médio de um ETF antes de ser liquidado, de acordo com dados da Bloomberg Intelligence.

Para a Defiance, esse número é cerca de um ano, em comparação com uma média de 4,7 anos do setor nos últimos cinco anos. Até agora em 2024, o emissor arrecadou US$ 128 milhões para seus 10 fundos do tipo. O ETF Defiance R2000 Enhanced Options Income ETF (ticker IWMY), de US$ 157 milhões, atraiu quase 75% desses ativos.

A CEO da Defiance, Sylvia Jablonski, diz que é mais difícil para os emissores menores manterem fundos que têm dificuldade para atrair ativos por mais tempo, acrescentando que o fechamento faz parte do jogo porque nem todos os ETFs serão um grande sucesso.

“Se o mercado nos disser que não há interesse neste produto e isso é ditado pelo patrimônio líquido, então simplesmente temos que entender que ou o momento não estava certo, ou não era o que o mercado estava procurando”, disse ela em uma entrevista.

Não desanimada, a Defiance entrou com o pedido de abertura de pelo menos uma dúzia de fundos adicionais recentemente, incluindo um ETF que busca acompanhar o o dobro do desempenho inverso do ether, a segundo maior criptomoeda. Na semana passada, a emprssa lançou o ETF Defiance Oil Enhanced Options Income ETF (USOY), um novo fundo focado na indústria do petróleo.

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Nem todos os emissores de fundos têm lidado com um aumento nos fechamentos. A First Trust, por exemplo, fechou apenas 5% dos cerca de 250 ETFs que já lançou, de acordo com dados da Bloomberg Intelligence. Enquanto isso, os 19 fundos que a Global X fechou no início deste ano representavam apenas 1% do total de seus ativos sob gestão.

Assim como Jablonski, Pedro Palandrani, da Global X, disse que os fechamentos são esperados na indústria de ETFs. Cerca de 36% dos ETFs que a Global X já lançou foram encerrados, de acordo com a Bloomberg Intelligence. A empresa atraiu cerca de US$ 3 bilhões para seus mais de 90 fundos até agora este ano; as entradas para o ano de 2021 foram de US$ 21,18 bilhões.

Palandrani é otimista e diz que os ETFs temáticos voltarão a crescer novamente à medida que as tecnologias emergentes se tornarem mais relevantes.

“É importante manter o dinamismo”, disse Palandrani, diretor de pesquisa da Global X, em uma entrevista. “Se as informações que temos sobre determinado tema mudarem, devemos responder.”

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Drew Pettit, diretor de estratégia de renda variável dos EUA e ETFs na Citi Research, disse que pode levar algum tempo para que os investidores se sintam confortáveis novamente com o investimento temático. Segundo ele, as feridas de investidores com as perdas recentes ainda não cicatrizaram completamente para estimular um aumento da alocação em investimentos de nicho.

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