ETFs de emergentes já atraíram US$ 25 bi neste ano com redução da aposta nos EUA

Segundo dados compilados pela Bloomberg, os aportes em fundos emergentes listados nos EUA ampliaram uma sequência de 15 semanas de fluxo positivo enquanto investidores buscam diversificação

Brazil Exchange As Central Bank Raises Rates, Bucking Global Easing Trend
Por Leda Alvim
03 de Fevereiro, 2026 | 03:09 PM

Bloomberg — Investidores têm direcionado novos recursos para fundos negociados em bolsa (ETFs) que acompanham ativos de mercados emergentes, ampliando uma sequência de 15 semanas que soma US$ 42,8 bilhões, à medida que muitos reavaliam sua exposição a ativos dos Estados Unidos.

Os aportes em ETFs de mercados emergentes listados nos Estados Unidos – tanto os que investem de forma ampla em países em desenvolvimento quanto os focados em nações específicas – totalizaram US$ 6,5 bilhões na semana encerrada em 30 de janeiro, ante ganhos de US$ 6,85 bilhões na semana anterior, segundo dados compilados pela Bloomberg.

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Até agora neste ano, os fluxos somam US$ 24,9 bilhões. Apenas em janeiro, o índice MSCI Emerging Market avançou 8,8%, no melhor início de ano desde 2012.

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Os investidores têm alocado de forma significativa em ativos de risco em 2026, à medida que a demanda por ações ligadas à inteligência artificial dispara e as incertezas nos Estados Unidos, somadas a um dólar mais fraco, levam os traders a repensar sua exposição geográfica.

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“Os mercados emergentes foram uma classe de ativos negligenciada por tanto tempo que, mesmo considerando os aportes no acumulado do ano, trata-se de uma recomposição em um cenário em que há uma nova valorização da diversificação geográfica nos portfólios”, afirmou Alejo Czerwonko, diretor de investimentos para Américas em mercados emergentes do UBS Global Wealth Management, em entrevista à Bloomberg News em São Paulo.

O iShares Core MSCI Emerging Markets ETF, de US$ 139 bilhões, liderou os ganhos na região, ao registrar mais de US$ 8,9 bilhões em novos recursos em janeiro – o maior fluxo mensal desde seu lançamento, em 2012.

Em seguida veio o iShares MSCI Emerging Markets ETF, com entradas de US$ 4,3 bilhões no mesmo período, enquanto investidores vasculhavam diferentes veículos de investimento na tentativa de diversificar para além da maior economia do mundo.

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A UBS WM vê potencial para que os ativos do mundo em desenvolvimento sigam superando neste ano, à medida que a categoria atraia novos fluxos.

“Observamos em muitos portfólios de clientes que há muito caixa parado e, em um ambiente em que a inflação ainda permanece elevada, isso tem um custo muito alto”, disse Ulrike Hoffmann-Burchardi, CIO para as Américas e chefe global de ações da UBS Global Wealth Management, em entrevista.

“Nossa principal mensagem aos clientes é entrar em áreas do mercado que ampliem a diversificação e possam oferecer uma taxa de retorno melhor.”

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Apesar de uma venda generalizada no último dia de janeiro, alguns segmentos do mundo emergente ainda registraram entradas, já que investidores enxergaram a queda como uma oportunidade de compra.

O IEMG, ticker do iShares Core MSCI Emerging Markets ETF, teve aportes de US$ 392 milhões na sexta-feira, liderando a lista, enquanto o VanEck J.P. Morgan EM Local Currency Bond ETF, de US$ 5 bilhões, se destacou ao registrar US$ 203 milhões – o melhor ganho em um único dia desde 2017.

Segundo Czerwonko, o principal pilar ao entrar em 2026 será a diversificação. Isso, por sua vez, deve impulsionar mercados emergentes da Ásia à América Latina – especialmente porque muitos investidores ainda estão subalocados em diversas frentes do mundo em desenvolvimento.

“Quando se observa tudo o que está acontecendo, muitos se perguntam: ‘Estou devidamente diversificado do ponto de vista geográfico?’ E, para muita gente, a resposta ainda é não”, acrescentou Czerwonko.

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